Esportes, Paulistão

Volta dos treinos tem times confinados e em cidades com alto risco

Volta dos treinos tem times confinados e em cidades com alto risco
No Corinthians, do goleiro Cássio, oito jogadores testaram positivo para o novo coronavírus. Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A chegada de julho representa para a elite do futebol paulista o começo de nova fase. A partir desta quarta-feira (1º), os times participantes da Série A1 do Estadual estão liberados para realizar treinos. É um passo importante para a retomada da competição, ainda que cheio de restrições e, na visão de alguns clubes, com atraso, especialmente porque estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro estão bem mais avançados na volta às atividades.

Nessa volta, será tudo bem diferente do que era feito até março. Exceto para os atletas no momento em que estiverem em campo, o uso de máscaras será obrigatório. Além disso, a presença de profissionais será mínima, o que exclui, por exemplo, a participação da imprensa no acompanhamento dos trabalhos.

Inicialmente, os treinos serão individuais e físicos, com quatro atletas em campo dividido. Gradativamente e com segurança, serão retomados os trabalhos coletivos. As atividades vão ser sempre feitas em locais abertos nesta fase de retomada.

A entrada nos centros de treinamento também se dará por uma única via, com os atletas chegando uniformizados e passando por avaliação da temperatura e questionamento sobre os sintomas do coronavírus antes de ir a campo. Os suspeitos terão de fazer exames e deverão ser afastados. Havia, também, a orientação para que pessoas com mais de 60 anos evitassem a presença nos CTs, mas os veteranos Jesualdo Ferreira (74 anos) e Vanderlei Luxemburgo (68) devem comandar as atividades no Santos e Palmeiras, respectivamente.

A volta, no entanto, é mais formal do que realidade. A marcação da data irritou os participantes do Paulistão e a Federação Paulista de Futebol (FPF), que esperavam pelo restabelecimento das atividades antes – há duas semanas, em 17 de junho, o governador João Doria definiu 1º de julho como a data para a volta aos treinos. Por isso, buscou-se acelerar o processo de avaliação física e testagem dos atletas.

Assim, nos últimos dias, os clubes receberam os jogadores após mais de três meses de paralisação para a realização de exames, tanto para a detecção do novo coronavírus como para detectar o estágio físico dos atletas após mais de três meses de praticamente inatividade.

Ainda não há data definida para a volta do Paulistão, mas os clubes já pensam nessa possibilidade. O Mirassol, por exemplo, optou por iniciar regime de concentração do seu elenco nesta terça-feira, que só se encerrará ao final da participação do time no Estadual. “Será como em uma pré-temporada, com todos no CT, que reúne todas as condições”, explicou Edson Ermenegildo, presidente do clube, que prevê a volta da competição ainda para julho.

Há os casos dos clubes que estão localizados em cidades da Fase 1 (vermelha) do Plano São Paulo de flexibilização, que só permite atividades essenciais. Ituano (Itu) e Internacional (Limeira) são dois exemplos, mas obtiveram o aval prévio das respectivas prefeituras para iniciar os treinamentos.

O Botafogo, mesmo com Ribeirão Preto no estágio mais crítico do plano, obteve o aval da Justiça, nesta terça-feira, para treinar na cidade. O time, que teve nove casos de covid-19 no elenco, recebeu o convite do América de São José do Rio Preto para trabalhar no estádio Teixeirão, mas sempre teve desejo de fazer trabalhos em sua cidade-sede e teve êxito nesta demanda.

Essa possibilidade se tornou impossível para o Santo André, pois a prefeitura montou um hospital de campanha no estádio Bruno José Daniel. O time, dono da melhor campanha do Paulistão, optou por se concentrar na cidade de Vargem, próxima a Bragança Paulista.

A volta também se dá unificada, mas não sem alguma polêmica. Afinal, Red Bull Bragantino, Ferroviária e Oeste, como mostrou matéria do Estadão, quebraram o acordo e chegaram, ainda que sem alarde e divulgação, a realizar trabalhos antes do combinado.

O Paulistão foi paralisado a duas rodadas do fim da primeira fase. Caso essa etapa tivesse sido encerrada naquele momento, estariam classificados ao mata-mata Santos, Oeste, Santo André, Palmeiras, São Paulo, Mirassol, Bragantino e Guarani. O Corinthians ocupa apenas a terceira colocação do Grupo D, com 11 pontos e a cinco do Bugre, o segundo colocado.

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