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Volkswagen quer parceria com fornecedores para nacionalizar peças

VW quer parceria com fornecedores para nacionalizar peças
Volkswagen espera retomar a produção a partir de maio. Foto: Divulgação/VW

A dependência de peças e componentes feitos principalmente na China, que provocou corrida a equipamentos de combate e prevenção ao coronavírus, fez renascer a urgente necessidade de nacionalização de itens hoje importados. Movimento nes­sa direção começa a ser avaliado pelo setor automotivo, por meio de parcerias entre montadoras e fabricantes de autopeças.

A proposta foi lançada na última quarta-feira (15), pelo presidente da Volkswagen para América Latina, Pablo Di Si, para quem esse deve ser um legado da crise provocada pela Covid-19. No processo que chama de “day after”, quando a pandemia passar, o executivo coloca a nacionalização de componentes como questão estratégica.

Em entrevista online promovida pela agência Automotive Business, Di Si fez um comparativo: “Vocês acham que Europa e Estados Unidos vão seguir comprando respiradores da China só porque é US$ 100 mais barato? Acho que não.” Para o executivo, os países vão estabelecer novas estratégias, independentemente do custo.

O executivo afirmou que a Volkswagen já tinha planos de ampliar o uso de peças produzidas no país, mas acredita que o movimento poderá ser ain­da maior nos próximos anos, especialmente com o câm­bio valorizado. Di Si afirmou ser importante a união entre montadoras e autopeças, seguindo regras antitruste do país, para que haja escala de produção.

“O que menos temos nacionalizado são componentes tecnológicos”, disse. O executivo citou itens como peças para motores, para sistemas de serviços online de informação, diversão e lazer e para airbags. “Temos pessoas capacitadas para fazer muitas coisas que hoje importamos.”

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse que será preciso avaliar as especificações técnicas de cada montadora, mas acredita ser possível avaliar a proposta.

Paulo Cardamone, presidente da Bright Consulting, acredita que haverá corrida das empresas para a nacionalização de peças, mas ressalta que será necessário um “programa de consolidação das autopeças”, pois muitas delas, especialmente as de pequeno porte, já tinham problemas de caixa e, com a crise atual, não vão conseguir sobreviver.

O presidente da VW confirmou que o novo plano de investimentos previsto para ser anunciado neste ano, e que seria usado em novos projetos a partir de 2021, está congelado. A discussão sobre o tema só será retomada a partir do segundo semestre, quando todos os planos serão reavaliados.

“Agora temos de olhar o curtíssimo prazo, que é a sobrevivência da cadeia produtiva em abril, maio, junho”, afirmou Di Si, ressaltando que as empresas estão sem receita, mas os custos fixos são altos.

A VW espera retomar parte da produção de veículos a partir de maio, mas em ritmo lento. Como a ideia é retomar com apenas um turno de traba­lho (e não três, como a empresa programava antes da pandemia), Di Si negocia com os zindicatos de trabalhadores medidas de flexibilização como jornada e salários reduzidos e suspensão temporária de contratos.

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