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Volks vai produzir em apenas um turno em São Bernardo, diz sindicato

Por causa da falta de peças, cerca de 1,5 mil trabalhadores terão contratos suspensos em novembro. Foto: Divulgação/VW
Por causa da falta de peças, cerca de 1,5 mil trabalhadores terão contratos suspensos em novembro. Foto: Divulgação/VW

A fábrica da Volkswagen em São Bernardo vai produ­zir em um único tur­no a partir de novembro de­vido ao desabastecimento de peças, especialmente se­mi­conduto­res, decorrente da ruptu­ra logística global no setor automotivo provocada pela pandemia de covid-19.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cerca de 1.500 trabalhadores da planta Anchieta serão colocados em lay­off (suspensão dos contratos de trabalho) pelo período de cinco meses e se juntarão a outros 450, que já adotam essa ferramenta de flexibilização da jornada.

“Mais uma vez vamos atra­vessar um momento muito de­licado por falta de componentes eletrônicos no setor automotivo. A fábrica já avisou que, a partir de novembro, vai atuar em um único turno”, disse José Roberto Nogueira da Silva, o Bigode, coordenador do Comitê Sindical de Empresa (CSE) na Volks, em vídeo pu­blicado nas redes sociais.

VW já havia dado férias coletivas de dez dias para todos os funcionários da área produtiva de São Bernardo, que retornaram no dia 6. Na planta do ABC são produzidos o utilitário esporti­vo Nivus, o sedã Virtus, o hatch Polo e a picape Saveiro. “Precisamos ter habilida­de para atravessar esse momen­to. Vamos acompanhar passo a pas­­­so esse futuro que ainda é in­certo”, concluiu Bigode.

A escassez de componentes é generalizada. Na fábrica da Volks­wagen em Taubaté (SP), a produção está parada desde o início deste mês. Lá, os traba­lhadores estão em fé­­ri­as coletivas, com retorno pre­vis­to para 7 de novembro.

ANFAVEA

Os problemas no supri­men­to de peças reduziram a oferta de veículos nas concessionárias e levaram a As­sociação Nacional dos Fa­bri­cantes de Veícu­­­los Automo­tores (Anfavea), que re­presenta as montadoras, a re­duzir as expectativas para o se­tor no fechamento deste ano.

A previsão feita pela en­­tidade em julho para a pro­dução foi revista de alta de 22% para crescimento de 6% a 10%, para entre 2,13 mi­lhões e 2,22 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Já a estimativa para as vendas foi revista, de alta de 13% para o intervalo entre queda de 1% a crescimento de 3%, algo entre 2,04 milhões e 2,12 milhões de veículos.

“Tem muito veículo incompleto nos pátios de fábrica, faltando pneu e outras peças”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, para quem o desabastecimento de componentes deve continuar ao menos até o primeiro semestre do próximo ano.

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