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Violência doméstica força Câmara de Diadema a criar mecanismo de defesa da mulher

Violência doméstica força Câmara de Diadema a criar mecanismo de defesa da mulher
Projeto de lei dos vereadores Audair Leonel e Pretinho do Água Santa visa destinar 5% das vagas da Frente de Trabalho às vítimas desse tipo de crime. Fotos: Arquivo

Os números não são só alar­mantes como preocupan­tes. Em Diadema ocorrem em média cinco registros por dia de casos de violência doméstica. De janeiro Até o mês passado foram re­gistrados na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade cerca de 1.200 ocorrências.

Para tentar amenizar os efeitos de tamanha violência, já tramita na Câmara projeto de autoria dos vereadores Audair Leonel (Cidadania) e Revelino Teixeira de Almeida, o Pretinho do Água Santa (DEM), que reserva, com base em critérios legais, 5% das vagas no Programa Frente de Trabalho para mulheres vítimas de violência doméstica.

A proposta prevê que as vagas destinadas sejam oferecidas mesmo sem o cadastro prévio da vítima. Além do apoio dos vereadores, o projeto já recebeu o “ok” também da Delegacia da Mulher e de segmentos de de­fesa da mulher da cidade.

Para ser ter uma ideia do tamanho do problema, em 2018 foram registrados na cidade 1,7 mil casos. Assim, há a possibilidade de 2019 supe­rar essa lamentável marca, segundo a delegada responsável pela DDM, Renata Cruppi. “Muitos casos não são registros. Então o número poderia ser ainda maior”, disse.

Audair disse que o crescente número de casos na cidade exige resposta do poder público. “Estamos assistindo ao avanço dos casos de violência e de feminicídio. Esse projeto pode oferecer alternativa real para essas mulheres”, ressaltou o vereador. “É nosso dever proteger todos os cidadãos da cidade, sobretudo as mulheres, que são vítimas de alguns covardes”, completou Pretinho do Água Santa.

Audair explicou ainda que o encaminhamento será feito pela DDM e as vagas devem estar disponíveis às vítimas que cumprirem todos os ritos legais. O vereador afirmou que já conversou com a secretária de Assistência Social, Caroline Rocha, que manifestou apoio à proposta. “É um projeto de extrema importância”, disse Renata Cruppi. Segundo a dele­gada, um dos pontos de conflito na relação é justamente a dependência financeira da mulher. “Essa é uma barreira que a vítima precisa superar para por fim ao ciclo de violência”, explicou.

Dos casos registrados na DDM, a maioria é por lesão corporal, crimes contra a honra e ameaças. “Porém, sabemos que esse número é maior, porque muitas vítimas não denunciam, seja por medo, seja por não conseguir”, completou.

A proposta dos vereadores Audair e Pretinho do Água Santa é a segunda do gênero a ser discutida na Câmara de Dia­dema.

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