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Viaduto tem risco de colapso, e trânsito da Capital entra em esquema de emergência

Viaduto tem risco de colapso, e trânsito da Capital entra em esquema de emergência
Ponte é escorada e equipes fazem analise do solo para embasar projeto de recuperação. Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Folhapress

A gestão do prefeito da Capital, Bruno Covas (PSDB), identificou risco de colapso do viaduto da pista expressa da marginal Pinheiros que cedeu na madrugada de quinta-feira (15) e, diante do agravamento da situação, anunciou esquema emergencial inédito de trânsito na cidade, já prevendo a possibilidade de os transtornos se prolongarem até mesmo por meses.

A marginal Pinheiros é a segunda via mais movimentada da capital paulista, com tráfego de 450 mil veículos por dia nos dois sentidos. Nesta sexta-feira, as duas pontas do viaduto se movimentaram. “Existe a possibilidade de ruína? Existe. O momento agora é de criticidade”, afirmou Vitor Aly, secretário de infraestrutura urbana.

Para o chefe da pasta, seria “leviano” criar falsas expectativas e fixar prazo para solução do problema.

O prefeito disse ser impossível já determinar a forma de reparo da estrutura do viaduto – as causas da ruptura seguiam desconhecidas.

As medidas emergenciais adotadas no trânsito incluem ampliação de bloqueios na marginal, interrupção parcial na circulação de trens e mudança nas regras do rodízio. O secretário dos Transportes, João Octaviano Neto, admitiu a possibilidade de saturação dentro dos bairros ao longo da marginal Pinheiros – a situação preocupa especialmente depois do feriadão.

A prefeitura decidiu interditar 20 km da pista expressa da marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco, entre as pontes Transamérica e do Jaguaré (próximo de onde houve a ruptura do viaduto), sob argumento de que a interdição de um trecho curto provoca afunilamento – na quinta-feira, apenas 3 km estavam bloqueados.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) anunciou a suspensão do rodízio de veículos neste trecho e sentido da marginal Pinheiros, a partir de quarta-feira, por tempo indeterminado. Devido ao feriado, a restrição já ficaria suspensa até terça-feira.

Outra medida foi a interrupção de trens entre duas estações da Linha 9-Esmeralda, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Assim, a linha, que fica ao lado da marginal Pinheiros e liga o extremo sul da capital a Osasco, foi separada em duas.

A circulação de trens teve de ser paralisada entre as estações Pinheiros e Ceasa, pois o viaduto da marginal danificado passa sobre o trilho da linha neste trecho. Teme-se que a trepidação da passagem dos trens possa comprometer a estrutura do viaduto, agravando o risco de total colapso da via elevada.

A linha é a segunda mais movimentada da CPTM, com cerca de 600 mil passageiros em dia útil, e se conecta a duas linhas de metrô e outra da própria CPTM.

Nesta sexta-feira, o passageiro da CPTM teve de descer nas estações Ceasa ou Pinheiros e pegar um ônibus gratuito, do sistema emergencial Paese, para seguir a viagem. Longas filas de passageiros se formaram, e os ônibus saiam lotados das estações.

Não há prazo para que a linha de trem seja liberada a funcionar, mas a prefeitura diz que essa será uma prioridade. “Estamos tentando minimizar o transtorno para a população de São Paulo, que é garantir a segurança do transporte urbano”, disse Aly.

Tanto o fechamento da pista expressa da marginal Pinheiros quanto a colocação de mais ônibus para suprir a falta dos trens da CPTM impactarão de maneira significativa o trânsito em São Paulo.

As áreas mais atingidas dentro dos bairros devem ser as vias da zona oeste, entre a marginal Pinheiros e o Centro. Um esquema especial vai orientar o trânsito nos eixos das avenidas Faria Lima, Pedroso de Morais, Professor Fonseca Rodrigues e a Gastão Vidigal. Essas avenidas servirão de alternativas à interdição na marginal.

Outra preocupação diz respeito ao retorno à Capital paulista dos motoristas que passaram o feriado da República e que devem passar o feriado da Consciência Negra, na terça-feira, fora da cidade.

A CET orienta que os motoristas vindos das rodovias Anchieta, Imigrantes e Régis Bittencourt peguem o Rodoanel e a rodovia Castello Branco até alcançar a marginal Tietê. Outras opções para quem vem do litoral são as avenidas do Estado e Salim Farah Maluf.

 

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