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Véspera de feriado tem postos cheios e estradas vazias em São Paulo

Véspera de feriado tem postos cheios e estradas vazias em SP
Tanque cheio não se reverteu em coragem para pegar a estrada na véspera do feriado de Corpus Christi. Foto: Luciano Claudino/Código 19/Folhapress

Nem o reabastecimento dos postos de combustíveis de São Paulo nesta quarta-feira (30) foi capaz de animar os morador da cidade a pegar a estrada para passar o feriado prolongado no interior ou no litoral. Reflexo disso foram postos cheios na capital, estradas vazias e reservas em hotéis canceladas aos montes na baixada.

Na cidade de São Paulo, segundo o sindicato dos postos, ao menos 500 dos cerca de 2 mil estabelecimentos receberam caminhões-tanque com gasolina e etanol. A tendência é que tudo esteja normalizado até pelo menos meados da próxima semana.

A chegada dos combustíveis provocou longas filas pela manhã, o que foi perdendo volume até o final da tarde e início de noite. Tanque cheio, porém, não se reverteu em coragem para pegar a estrada na véspera do feriado de Corpus Christi.

José Gouveia, presidente do Sincopetro, explica que o ritmo do abastecimento no interior e no litoral é mais lento, se comparado ao da capital. Quem decidir pegar a estrada pode até chegar ao destino, mas o problema pode estar na hora de encher o tanque para o retorno.

Na primeira parada para alimentação e abastecimento na rodovia dos Bandeirantes, que liga a capital às regiões de Campinas e Piracicaba, o movimento na tarde de quarta em nada lembrava uma véspera de feriado prolongado. “Está totalmente vazio, mais vazio do que um dia de semana normal”, diz o dono de uma loja de sucos e açaí, Rogério Targa, 48. “Está faltando tudo e, com a queda de movimento, o faturamento caiu 50% na última semana.”

Os poucos que decidiram viajar precisaram mudar a rotina e os planos. Cláudio Conz, 66, do setor de materiais de construção, disse que passou a semana economizando combustível a fim de poder ir com a esposa para a casa da família em Vinhedo. Para isso, na capital, usou o metrô pela primeira vez na vida. “Foi maravilhoso e ainda é de graça. Não sabia que eu não precisava pagar”, afirma. Acostumado a viajar pela Bandeirantes, disse que a pista vazia estava “um espetáculo”.

Mariana Pereira, 34, que trabalha com recursos humanos, e o marido tiveram sorte. Conseguiram abastecer em São Paulo e, por isso, não desmarcaram a viagem para Campinas. “Como é perto, dá para ir e voltar com o que temos no tanque.”

Cancelamentos

A paralisação dos caminhoneiros afetou diretamente o turismo na região do litoral norte paulista, com até 90% de cancelamento de reservas de hotéis e pousadas. Empresários do setor vêm contabilizando prejuízos e já dão por “perdido” o feriado prolongado. Em algumas cidades, há turistas “presos” desde o último fim de semana, pois não conseguiram retornar às cidades de origem, devido à falta de combustível.

Segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ilhabela, Wilson Alves dos Santos, no último fim de semana, 70% das reservas em hotéis e pousadas foram canceladas. O problema, segundo ele, deverá se agravar no feriado, pois os visitantes não têm certeza se conseguirão retornar para casa. “Nossas expectativas são as piores possíveis. O feriado que poderia salvar nosso mês está perdido”, disse.

A Associação dos Hotéis e Pousadas de Caraguatatuba informou que 90% das reservas foram canceladas. O cenário também não é animador em Ubatuba. “O feriado nesta época do ano já é fraco, pois concorremos com destinos de inverno, mas com a greve, sofreremos uma queda brusca no movimento de turistas”, disse o secretário do Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Ubatuba), José Carlos de Souza.

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