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Versão Storm valoriza os aspectos off-road da Ford Ranger

Versão Storm valoriza os aspectos off-road da Ford Ranger
Desenvolvida especialmente
para o consumidor brasileiro,
versão tem na grade tomada pela palavra “storm” a principal característica de estilo no exterior. Foto: Fotos: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

Em meio à redução genera­lizada das vendas automotivas causada pela pandemia da covid-19, as picapes têm feito bo­nito. Impulsionados pela boa fase do agronegócio – que aumentou sua lucratividade com a brutal elevação da cotação do dólar –, os utilitários com caçamba foram o segmento automotivo menos impactado do Brasil nos meses de março, abril e maio.

Um dos modelos que melhor aproveitaram essa tendência é a Ranger. Com as 1.400 unidades vendidas em maio, a picape média da Ford atingiu sua maior participação na história, com 24,2%. De quebra, superou as vendas da Chevrolet S10 – que teve 1.267 emplacamentos – e assumiu a vice-liderança do segmento, com diferença de 44 unidades para a líder Toyota Hilux.

No ranking geral dos auto­móveis mais vendidos no Brasil, o modelo da Ford ocupou em maio a inédita 13ª posição. Dentro da linha Ranger, a nova versão Storm – apresentada em abril, em plena pandemia – sintetiza as características mais valorizadas pelo consumidor da picape: motor a diesel de alta potência e torque, chassi em longarina e tração 4×4. Tudo isso com o estilo “duro na queda” inerente à configuração Storm, disponível há tempos na picape F-150, veículo mais vendido nos EUA.

A versão Storm – termo em inglês que significa tempestad­e – apareceu inicialmente como conceito no Salão do Automó­vel de São Paulo de 2018. Em virtude da boa aceitação, foi desenvol­vida especialmente pa­ra o mercado brasileiro, com produção na fábrica argentina de Pacheco, de onde vêm todas as outras Ran­ger.

Com tração 4×4 com reduzida e diferencial traseiro blocante, a Storm deriva da versão intermediária XLS 4×4 automática, mas traz sob o capô o motor Duratorq turbodiesel 3.2 de cinco cilindros, o mais forte da linha, que rende 200 cv de potência e 47,9 kgfm de torque – a configuração XLS traz o propulsor 2.2 turbodiesel de quatro cilindros, com 160 cv e 39,3 kgfm.

No Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, a Ran­ger Storm 3.2 4×4 automática recebeu a pouco edificante nota D, tanto geral quanto no segmento, com consumo de 8,4 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. Além do motor mais “parrudo” da linha, a Storm recebeu a suspensão mais robusta utiliza­da nas versões XLT e Limited.

Esteticamente, a característica mais evidente da versão aparece na grade, tomada pela palavra “storm” em letras garrafais. Detalhes no mesmo tom “dark” substituem os cromados da carroceria e se espalham pelas carenagens dos espelhos, maçanetas, para-choque traseiro, estribos laterais e molduras das caixas de roda. Também em negro, o santoantônio herdado da Ranger FX4 americana tem base estendida até a traseira e é fixado em pontos estruturais da caçamba.

Os faróis trazem máscara negra, as lanternas têm capa fumê e faixas decorativas aparecem no capô e nas portas. Porém, é nas rodas aro 17, também pintadas de preto fosco, que está um dos maiores charmes da versão: os pneus Pirelli Scorpion AT Plus 265/65 R17, desenvolvidos especificamente para a Ranger. O pneu teve os ombros reforçados para aguentar o tranco no off-road e ganhar banda de ro­dagem com gomos autolimpantes.

Por dentro, o acabamento dos bancos traz tecido preto e todos os plásticos são em negro. O sistema multimídia é o Sync 3 com tela de oito polegadas, que traz os apps Android Auto e Apple CarPlay conectados via cabo. A picape traz ar-condicionado automático duplo, controle de cruzeiro e volante multifuncional. O banco do motorista tem ajuste de altura, apoio lombar e de braço.

Em termos de segurança, os destaques são os sete airbags (frontais, laterais, de cortina e de joelhos), controle de estabilidade e tração, controle automático de descida, sistema anticapotamento e controle adaptativo de carga.

A Storm tem preço sugerido de R$ 161.690, na cor sólida Vermelho Bari do modelo avaliado. A também sólida Branco Ártico acrescenta R$ 800 e as cores Cinza Moscou, Preto Gales, Vermelho Toscana e Azul Beli­ze (perolizadas) ou Prata Geada (metálica) acrescentam R$ 1.750.

Está longe de ser um veículo barato, mas o preço é bem competitivo, não apenas em comparação à concorrência – modelos de configuração similar são mais caros –, como também em relação ao restante da linha Ranger. A Storm custa R$ 4 mil a menos que a versão XLS 4×4 com motor 2.2 de 160 cv automática. Ou ainda R$ 34 mil a menos que a XLT e R$ 44 mil abaixo da top Limi­ted, ambas com o mesmo conjunto motor-câmbio da Storm.

A relação custo/benefíci­o certamente transformou a Storm em puxadora de vendas da Ranger, mas a Ford considera a informação estratégica e não di­vulga a participação de suas versões.

 

Pouco ‘sutil’ no asfalto, picape mostra mais valor em pisos maltratados

Nas ruas congestionadas das grandes cidades ou nos estacionamentos compactos dos shoppings, a Ranger Storm parece um tanto deslocada. Seu jeito abrutalhado intimida os motoristas dos veículos em torno dela, que tendem a abrir espaço e manter distância prudente. Porém, ao contrário do que possa parecer, trata-se de veículo dócil.

A providencial câmera de ré e os sensores ajudam a dimensionar a volumosa traseira nas manobras de estacionamento. Nas estradas, embora o motor turbodiesel de 200 cv de potência e 47,9 kgfm de torque não seja tão elástico, o câmbio automático é eficiente na tarefa de manter as mais de duas toneladas da picape se movendo de forma “esperta” o tempo todo. As marchas são um tanto curtas, mas é possível recorrer às trocas manuais, feitas na alavanca. Na cidade ou na estrada, a Storm honra as boas tradições da Ranger e combina bom nível de conforto com vigo­roso comportamento dinâmico.

Seja nas ruas ou nas pistas, o asfalto definitivamente não é o habitat da Storm. A versão vem com o mesmo ajuste de suspensão dos modelos XLT e Limited, mas traz rodas mais estreitas (aro 17) e pneus Pirelli Scorpion AT Plus, mais altos e com calibragem menor que os 265/60 R18 que “calçam” as versões mais caras da Ranger. Nos pisos lisos e regulares, a diferença nos pneus aumenta a rolagem lateral da carroceria da Storm nas curvas rápidas e reduz um pouco a “sutileza” do rodar característico da Ranger. Contudo, permite à versão me­lhores desempenhos em pisos maltratados e no off-road. Na hora de encarar lama e buracos de verdade, a arquitetura com chassi em longarina como a da Ranger mostra o seu valor.

As habilidades para superar os obstáculos se expressam em números – ângulos de ataque e de saída de 28º e de 26º, altura livre para o solo de 23,2 cm e capacidade de submersão de 80 cm. Também há protetores de cárter e de tanque de combustível.

Com o motor turbodiesel 3.2 que entrega todos os 47,9 kgfm já em 1.750 rpm e atributos como 4×4, reduzida e bloqueio de diferencial, basta saber usá-los para transpor sem sustos crateras e lamaçais.

A BORDO

A Ranger é um veículo alto e um tanto difícil de se acessar, apesar do estribo lateral e das alças nas colunas dianteiras. Por dentro, tem dimensões genero­sas e bancos confortáveis. Os re­vestimentos, todos em preto na versão Storm, conferem bom aspecto ao habitáculo. Há muito plástico rígido, como é típico das picapes médias, e o estilo segue a tendência mais rústica, que valoriza a facilidade de uso. Não há fartura de porta-trecos, mas os que existem são funcionais.

A versão Storm traz configuração simplificada do tradicional multimídia Sync 3 com tela de oito polegadas, sem GPS interno – exibe somente uma bús­sola. O volante multifuncional possui comandos simples, e as duas telas de LCD de quatro polegadas, uma de cada lado do velocímetro, possibilitam a navegação pelas di­ferentes funções.

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