Editorias, Notícias, Veículos

Versão RS do Onix dá visual esportivo ao carro mais vendido do Brasil

Versão RS do Onix dá visual esportivo ao carro mais vendido do Brasil
Versão RS traz itens inspirados em modelos de competição, como spoilers e aerofólio em Black Piano. Foto: Fotos: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

O Onix é líder de vendas no mercado brasileiro desde 2015. Em 2020, apesar da retração ge­­ral das vendas de veículos cau­sada pela pandemia do corona­ví­rus, o modelo da General Mo­­­­tors ga­rantiu a liderança pe­lo sex­­to ano seguido, com 135.351 em­­placamentos. Porém, esse to­­tal representou expressiva queda de 43,9% em relação as 241.214 unidades vendidas em 2019 – bem superior à redução de 26,6% que o mercado registrou como um todo no mesmo período.

No ano passado, o hatch chegou a perder a liderança em dois meses para modelos de segmentos diferentes – em julho, para o utilitário esportivo VW T-Cross; e em setembro, para a picape Fiat Strada. Como ninguém quer abrir mão de lide­rança, a GM resolveu am­pliar o leque de ofertas de seu hatch. Em outubro, lançou a versão RS, com roupagem mais esportiva. Posicionada entre a intermediária LTZ e a top de linha Premier, adota o mesmo conjunto motor-câmbio de ambas – 1.0 turbo com transmissão automática de seis velocidades.

Para tornar a estética do Onix mais esportiva, a GM re­correu à sigla RS – de Rallye Sport – ado­tada globalmente pe­la marca em produtos com vi­sual mais dinâmico, sem alte­rações mecânicas. Em relação aos equipamentos, a configuração acrescenta à versão LTZ itens inspirados nos modelos de competição, quase todos em variações de pre­to, como a grade tipo colmeia, os spoilers mais pronunciados es­culpidos nas extremidades do pa­ra-choque, os faróis tipo projetor com máscara negra e luz DRL com moldura em preto brilhante, além do emblema RS e da gravata black bow tie.

Os retrovisores ganharam tom Black Piano. O teto e as rodas são pintados com tinta negra metalizada, enquanto as máscaras dos faróis e os adesivos de coluna são foscos. Na traseira, o Onix RS traz spoiler em preto metálico integrado ao para-cho­que, aerofólio em Black Piano e o emblema “RS” em vermelho.

No interior, o RS reforça a “fantasia esportiva” do Onix, mas a cor escolhida é o vermelho. Está presente nas costuras pespontadas da forração do volante esportivo de base reta, iguais às que decoram os bancos envolventes. As saídas de ar têm molduras com toque vermelho acetinado que combina com o grafismo do quadro de instrumentos.

A ver­são RS é a única da linha a trazer cabine com revestimento de teto e colunas escurecidos. De resto, repete os itens da LTZ, que incluem sistema de infoentreteni­mento MyLink, compatível com Android Auto e Apple Car Play, com tela de oito polegadas e seis alto-falantes, ar-condicionado, di­­reção com assistência elétrica, sensor de estacionamento trasei­ro, computador de bordo, assistente de partida em aclive e controle de estabilidade e tração.

Ao contrário da top Premier, a RS não oferece sis­tema start/stop, que desliga au­­tomaticamente o motor em pa­radas, nem o carregador sem fio para celulares. O serviço de concierge OnStar e o Wi-Fi 4G nativo – destaques da Premier – também não estão disponíveis. Outra ausência é a da câmera de ré – a RS traz ape­nas sensor de estacionamento, com alerta sonoro e visual no painel.

Em uma versão esportiva se­ria de esperar um câmbio ma­nu­al, que oferecesse ao motorista maior controle sobre a motorização. Porém, as pesquisas da GM apontam que os brasileiros priorizam cada vez mais a praticidade e preferem a transmissão automática, tornan­do mais confortável o uso urbano. Assim, o câmbio automático de seis velocidades foi mantido, sem modo Sport ou borboletas no volante.

O câmbio trabalha junto ao mo­tor 1.0 turbo flex com três ci­lindros e 12 válvulas, o mesmo que move as versões LT, LTZ e Pre­mier. Gera potência de 116 cv (com gasolina e etanol) a 5.500 rpm e torque máximo de 16,3 kgfm com gasolina e 16,8 kgfm com etanol, sempre a 2 mil rpm.

Se não traz recursos mecâni­cos diferenciados e capazes de transformar o hatch em um verdadeiro esportivo – como os concorrentes VW Polo GTS e Re­nault Sandero RS, ambos com motores de 150 cv –, a estética da versão RS cumpre sua função de ampliar a percepção de esportividade em toda a linha. Uma alternativa di­namicamente mais instigante seria instalar no Onix RS o motor 1.2 turbo usado no Tracker, com 133 cv. Porém, essa decisão encareceria o preço e tornaria a RS uma versão de nicho. Não era um produto assim que a GM queria.

O preço do Onix RS começa em R$ 78.090, se vier na cor metálica Preto Ouro Negro – va­lor dentro da atual faixa de preços do hatch, que vai dos R$ 60.790 da versão básica MT aos R$ 85.190 da top Premier Turbo 2. A cor só­lida Branco Summit sobe o valor a pagar em R$ 850 e a metálica Vermelho Carmim (a do modelo testado) acrescenta R$ 1.600 à fatura, que atinge R$ 79.690. A mais nova versão do Onix não oferece opcionais. Porém, é possível incorporar acessórios como tapetes de carpete com borda vermelha e logo “RS”, pedaleiras esportivas, ponteira do escapamento cromada com dupla saída e antena de teto mais curta.

 

Detalhes em vermelho no interior ampliam sensação de esportividade

O habitáculo do Onix RS é coerente com a estética que a versão propõe. Como em toda a linha do hatch, ainda predominam os plásticos duros, mas as texturas com formas geométricas no painel, imitando fibra de carbono, ampliam a sensação de esportividade, reforçada pelos detalhes verme­lhos. O painel de instrumentos também recebe grafismos com detalhes rubros. O volante revestido em couro com costuras vermelhas da versão conta com ajuste de altura e distância.

Em termos de conforto e equipamentos, a versão RS re­pete o que já se conhece das configurações intermediárias do Onix. Os bancos dianteiros dão razoável suporte às costas, mas os assentos são um tanto curtos. Quem anda atrás tem mais espaço para as pernas e para os ombros, mas não há saída de ar-condicionado.

Com suas oito polegadas, a tela do multimídia MyLink oferece boa visibilidade e é necessário “espelhar” o celular para desfrutar de maiores recursos. A câmera de ré, que é de série na versão Premier, faz falta na RS.

IMPRESSÕES

O motor 1.0 turbo Ecotec, com três cilindros e 12 válvulas, viabiliza retomadas de veloci­dade decentes e confere ao Onix habilidade para circular com desembaraço tanto na cidade quanto na estrada. Porém, nada que permita à versão ser chamada de espor­tiva, como os adereços e a apa­rência do mo­delo insinuam. Disponível já na faixa de 2 mil giros, o torque máximo de 16,3 kgfm dá ao motor a capacidade de reagir rapidamente. Porém, quando o motorista pisa fundo no acelerador, a reação não é tão imediata por que a injeção não é direta. Quando o turbo entra em ação, o carro ganha velocidade rapidamente.

Se o RS não chega a ser em­polgante como se espera de um automóvel que ostenta um aerofólio na traseira, também não pode ser classificado como enfadonho. Responde bem ao acelerador e permite que retomadas e ultrapassagens surjam feitas sem estresse. O câmbio automático de seis marchas é bem escalonado e não apresenta trancos. O Onix não traz borboletas atrás do volante para as trocas de marchas manuais, mas é possível mudar sequencialmente as seis marchas, colocando a alavanca na posição “L” e acionando o pouco ergonômico botão na lateral.

A suspensão é a mesma ado­tada nas outras configurações do hatch. É um tanto rígida e transfere parte das irregularidades do solo para dentro do carro. Embora a carroceria incline nas curvas mais fechadas, o carro oferece um bom nível de estabilidade em trechos sinuosos percorridos em altas velocidades – os pneus Continental PowerContact 2 de perfil 55 também cooperam na tarefa. Quando o Onix RS começa a escapar, os controles de estabilidade e tração atuam providencialmente para que a coisa não fique perigosa. A di­reção elétrica bem ajustada tam­bém facilita o controle.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*