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Versão intermediária do Compass embala a Jeep na liderança entres os SUVs

Versão intermediária do Compass embala a Jeep na liderança entres os SUVs
Linha 2022 do Jeep Compass incorporou discretas atualizações estéticas, mas mantém a cobinação de elementos clássicos e modernos. Foto: Fotos: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

Enquanto a maior parte da indústria automotiva brasileira reclama da falta global de semicondutores e outros componentes que atrapalha a produção, os executivos da Jeep não conse­guem tirar o sorriso do rosto. A marca norte-americana terminou o primeiro semestre deste ano com o Renegade na liderança dos utilitários esportivos compactos (40.610 emplacamentos e quinto modelo mais vendido do país) e o Compass na frente entre os médios (32.559 unidades e décimo modelo mais vendido).

“Alvo” de alguns dos principais lançamentos do ano, como Volkswagen Taos e Toyota Corolla Cross, o Compass teve sua linha 2022 apresentada em maio. A principal novidade foi o motor T270, que entrega os maiores torque e potência entre os propulsores flex produzidos no Brasil. Compartilhado com a linha 2022 da picape Fiat Toro, o 1.3 turbo GSE (sigla para Global Small Engine, ou motor pequeno global) bicombustível trabalha acoplado ao câmbio automático de seis velocidades e é ofere­ci­do nas versões Sport (a partir de R$ 143.490), Longitude (R$ 158.990), Li­mited (R$ 176.990) e Série S (R$ 198.990).

A intermediária Longitude é estratégica na missão de equilibrar preço competitivo e ofer­ta atraente de equipamentos. Mais baratas que as versões turbodiesel com tração 4×4, que preservam o motor TD350 com 170 ca­valos de potência e 35,5 kgfm de torque, as configurações com motor flex são responsáveis por “puxar” as vendas do Compass.

Com bloco de alumínio e injeção direta de combustível, o novo propulsor representa a terceira geração do MultiAir. Quando abastecido com etanol, gera 185 cv a 5.750 rotações por minuto e torque de 270 Nm (número que dá nome do motor) ou 27,5 kgfm a 1.750 giros.

Segundo a Jeep – que, desde o início do ano, foi incorporada ao grupo Stellantis –, o T270 tem controle das válvulas ainda mais flexível para oferecer baixo consumo de combustível e reduzido nível de emissões de poluentes.

Porém, as novidades do Compass 2022 não se restringiram ao motor. A linha incorporou discretas atualizações na estética. Por fora, ganhou novo para-choque dianteiro, a entrada de ar recebeu acabamento preto, novas rodas para todas as versões (18 polegadas na Longitude), lan­ternas, pintura das partes plásticas, faróis full-LED com assinatura em LED e auxiliares de neblina com a mesma tecnologia. De resto, o modelo preserva o design que combina elementos clássicos e modernos. Na frente, a indefectível grade de sete fendas é ladeada pelos faróis com LEDs. Na traseira, as lanternas horizontais, também com LEDs, tiveram o arranjo interno revisto, mas continuam a invadir a tampa do porta-malas.

Por dentro foram reestilizados o volante, os painéis de portas, o console central, o painel de instrumentos e os porta-objetos. Porém, o maior destaque interno da linha 2022 é a nova central multimídia com tela de 10,1 polegadas Full-HD com estilo flutuante e os serviços conectados da plataforma Adventure Intelligen­ce, presente em quase todas as versões – exceto a Sport, de entrada. Tem navegação embarcada de série e espelhamento para Android Auto e Apple CarPlay. Na Longitude, o quadro de instrumentos tem sete polegadas e os retrovisores, rebatimento elétrico.

Outras novidades do Compass 2022 são as assistên­cias à direção, como o controle de velocidade adaptativo, os alertas de colisão com frenagem automática e de mudança de faixa, o Park Assist e o farol alto automático. Além das obrigatórias bolsas de ar frontais para motorista e passageiro, o Compass 2022 traz airbags la­terais e de cortina – as versões Limited, Trailhawk e Série S adicionam um para os joelhos do motorista. Disponível para todas as configurações Turbo Flex da linha 2022 do Compass, o Jeep Traction Control + aplica força de frenagem na roda que escorrega e transfere, pelo diferencial, a tração à outra roda em contato com o piso. Para habilitar a função basta pressionar a tecla “Asr Off”.

O Compass Longitude T270 parte de R$ 158.990 em quase todo o Brasil – nos Estados de São Paulo e Paraíba, a diferenciação tributária eleva a conta em cerca de 3%. Porém, o preço inicial vale só para a cor Verde Recon. As metálicas Prata Billet, Cinza Granite, Preto Carbon e Azul Jazz encarecem o mode­lo em R$ 1.900 e a perolizada Bran­co Polar eleva a conta em R$ 2.400. O banco de couro Steelgray (R$ 1.600) é o único opcional da versão, mas a lista de acessórios de personalização é ampla e inclui barras transversais de teto, tapetes para porta-malas e assoalho, para-bar­ro traseiro e dianteiro, organizador de car­gas no porta-malas e su­porte pa­ra bicicletas. Quem gos­ta (e se dis­­põe a pagar) pode dei­­xar o pre­ço fi­nal próximo dos R$ 200 mil.

 

SUV de passeio

Com o motor 1.3 turbo bicombustível T270, o Compass Longitude oferece rodar que se aproxima mais dos carros de passeio – o novo propulsor trepida menos e é mais silencioso em relação ao antigo. Ao contrário das configurações a diesel e com tração 4×4, que se prestam ao uso off-road ine­rente aos mode­los da Jeep, as versões flex têm tração apenas nas rodas dianteiras e proposta mais urbana.

Com seus 180 cv (com gasolina) e 185 cv (com etanol) e o bom torque de 27,5 kgfm, disponível já em 1.750 giros, o motor é mais disposto que o antigo 2.0 Tiger­shark de 166 cv e 20,5 kgfm, com etanol. A entrada do turbo é perceptível e ocorre de 1.500 a 2 mil giros. O câmbio automático Aisin de seis marchas ajuda a dar ao veículo comportamento “esperto”. É possível acionar as marchas manualmente na alavanca do câmbio ou nas abas atrás do volante. A tecla Sport muda as res­postas do câmbio, do pedal do acelerador e o peso da direção.

A estabilidade do SUV médio da Jeep se mostra equivalente à dos sedãs. Apesar da carroceria elevada, as inclinações nas curvas são discretas. As suspensões MacPherson na frente e atrás conferem rodar consistente. Nos trechos sinuosos, é preciso exa­gerar no pedal do acelerador para que as assistências dinâmicas entrem em ação. Segundo a Jeep, a aceleração de zero a 100 km/h do Longitude 270 é feita em 8,8 segundos com etanol.

Para poupar combustível, o Start-Stop desliga o motor ao parar o veículo no trânsito e religa quando o motorista solta o freio. Aparentemente, a opção da engenharia da Jeep – com a indispensável orientação do marketing – foi priorizar o desempenho, atributo que o consumidor brasileiro do segmento de SUVs valoriza mais em detrimento do consumo.

Segundo o Inmetro, as médias do Compass Longitude 270T 2022 ficam em 10,3 km/l (gasolina) e 7,1 km/l (etanol) no ciclo urbano e 11,9 km/l (gasolina) e 8,6 km/l (etanol) na estrada. Apesar de não ser um consumo tão otimizado para um motor recém-lançado, re­presenta evolução em relação aos índices do antigo Tigershark 2.0 Flex, que obteve 8,8 km/l (gasolina) e 6,1 km/l (etanol) em ciclo urbano e 10,8 km/l (gasolina) e 7,5 km/l (etanol) na estrada. Não por acaso, o Compass Longitude flex 2022 evoluiu da nota D para a C no programa geral de etiquetagem, e de C a para A em sua categoria.

BORDO

O Compass Longitude T270 proporciona conforto e espaço decente para motorista e quatro passageiros – o espaço atrás é bom para pernas, mas a largura não recomenda aco­modar três adultos. O motorista tem regulagens no banco e de altura e profundidade do volante, que facilitam achar a posição para dirigir.

Em termos de estilo, a cabi­ne do Compass segue o padrão da marca, com interessante com­­binação de rusticidade e re­­quinte. Os característicos deta­lhes irreverentes de design que tradicionalmente ficam “es­con­didos” nos modelos da Jeep – os chamados easter eggs – são simpáticos e divertem a quem os encontra. A área envidraçada é generosa e amplia a sensação de espaço no habitáculo.

Quem viaja atrás dispõem de tomadas USB/12V e saída de ar. Equipamentos como chave pre­sencial, tampa traseira elétrica, alerta de obstáculos dianteiros e traseiros, assistente de saída em ladeiras (Hill Holder), alertas de tráfego cruzado e freio de esta­cionamento eletrônico ajudam a tornar a vida mais confortável. O multimídia de 10,1 polegadas fica bem posicionado e tem uso bastante intuitivo, facilitando o acesso às informações.

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