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Vereadores de São Bernardo se unem contra Fundo Eleitoral bilionário

Joilson Santos;  Lucas Ferreira; Getúlio do Amarelinho; Afonso Torres; Fran Silva; Julinho Fuzari; Netinho Rodrigues, José Aurélio Barcelar de Paula; e Almir do Gás, representando os 28 vereadores: “não ao Fundão”. Foto: Angelica Richter
Joilson Santos; Lucas Ferreira; Getúlio do Amarelinho; Afonso Torres; Fran Silva; Julinho Fuzari; Netinho Rodrigues, José Aurélio Barcelar de Paula; e Almir do Gás, representando os 28 vereadores: “não ao Fundão”. Foto: Angelica Richter

Os 28 vereadores de São Bernardo se uniram contra o o aumento do Fundo eleitoral aprovado pela Câmara Federal no último dia 15 . Em 2022 o recurso pulará de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões. Contrários à medida, os parlamentares de São Bernardo divulgaram manifesto  de repúdio, no qual solicitam que o presidente Jair Bolsonaro vete a parte do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que versa sobre o reajuste.

Nesta quarta-feira (21), grupo de vereadores concedeu entrevista e afirmou que houve comoção geral dos parlamentares de São Bernardo contra a medida. “Fizemos esse manifesto de repúdio  aos deputados e senadores que votaram a favor desse absurdo, que foi, na verdade, uma costelada na cara da população brasileira. Não aceitamos isso. Não é uma ação apenas dos vereadores que estão hoje aqui, mas dos 28 vereadores, que mesmo em recesso, votaram, aprovaram e assinaram esse manifesto de repúdio”, destacou  o vereador Julinho Fuzari (DEM).

Também participaram da entrevista os vereadores Joilson Santos Carvalho (PT);  Lucas Ferreira (DEM); Getúlio do Amarelinho (PT); Afonso Torres (PSDB); Fran Silva (PSD); Netinho Rodrigues (PP), José Aurélio Barcelar de Paula (PSDB); Almir do Gás (PSDB).

“Hoje o Brasil vive uma crise sanitária absurda e é inviável um Fundão eleitoral de R$ 6 bi. Se o salário mínimo tivesse crescido da mesma forma, problema nenhum. Não vimos nenhum movimento de senador ou deputado para aumentar o mínimo na mesma proporção que o Fundo foi aumentado. Hoje o que mais vemos é o povo morando debaixo da ponte e pedindo marmitex na rua. O que mais vemos nos semáforos são pessoas nos semáforos com uma plaquinha dizendo que está passando fome. então, não é possível um Fundão de R$ 6 bilhões”, destacou Fran Silva.

Em meio às críticas à aprovação do montante bilionário, ao fato da base aliada ter aprovado a medida e ao corte no orçamento dos ministérios, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já afirmou que deve vetar o aumento. Porém, em 2019 fez aceno semelhante – na época foi aprovado valor de R$ 2 bilhões para as eleições de 2020 – e acabou aprovando o valor.

Fuzari afirmou ao Diário Regional, que o apoio da população será o diferencial este ano. “Entendemos que é importante a pressão popular. Senão houvesse essa pressão teria passado no meio da  LDO e nada teria acontecido. Foi a pressão popular, movimentos como este da Câmara de São Bernardo que não se furtou de sua responsabilidade de deixar uma mensagem para a população dizendo não ao Fundão, que vai fazer com que o presidente possa vetar e tenha sustentação ao veto. Apoio da população da população brasileira, que vai fazer pressão contra os deputados que votaram a favor e possam rever os seus votos e acatar o veto do presidente”, destacou.

Em relação ao fato do dispositivo que possibilitou o reajuste do Fundão para quase R$ 6 bilhões ter sido colocado na manhã da votação, Fuzari descartou que a medida não tenha sido discutida com antecedência. “Nada é pautado na Câmara  Federal – e temos conhecimento disso – sem que passe pelo colégio de líderes. Então,  essa emenda passou pelos líderes dos partido, todos tomaram ciência. Inclusive, existe um documento que alguns de veículos de imprensa já tem ciência em que foram avisados todos os líderes partidários que se a emenda passasse, até o voto auditável – que está em discussão nacional –  estaria inviabilizado por conta do valor que estaria sendo contemplado no Fundo Eleitoral. Então, todos tinham conhecimento e puderam analisar e no colégio de líderes isso foi discutido.”

Os vereadores destacaram, ainda, que a medida impacta nos políticos da região. “Essa situação é horrível, porque somos nós que damos ‘a cara para bater’ na cidade. Nós andamos pelo município. O vereador é testa de ferro. Como é que vamos explicar para a sociedade (o aumento do Fundão)? A sociedade vai nos cobrar. Já falam em não votar, xingam. Tem pessoas reclamando. A pessoa que tem  pouca consciência política vai penalizar quem está próximo, nós (vereadores). É o que todos falam: um tapa na cara da sociedade. Está na hora de esses caras (sic) pensarem no país um pouquinho. O Brasil é rico. Nosso país tem tudo, mas falta gente séria para administrar. O vereador é quem mais sofre nesse caso, mas vamos fazer nossa parte. Dar exemplo e cumprir nosso papel de vereador”, destacou o vereador Aurélio ao Diário Regional.

 

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