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Vereadores criticam instalação de redoma na Câmara de S.André

Castro: “fala-se desse vidro há pelo menos três anos”. Foto: Eberly LaurindoOs vereadores de Santo André criticaram, na sessão de ontem (17), a decisão do presidente da Câmara, Ronaldo de Castro (PRB), de abrir processo licitatório para instalação de uma redoma de vidro separando o plenário do público. Grupo de parlamentares contrário à medida afirma que a proposta representa “afastamento” da classe política da sociedade e reclama da falta de diálogo para implementação do projeto.

“É momento de aproximar da população e não de separar. Os políticos não podem se colocar na contramão. Não há precedente de violência e de agressão. É competência do presidente tratar do assunto, mas não vi nenhum vereador concordar com isso”, afirmou o vereador Edson Sardano (PTB). A licitação para escolha da empresa responsável pela instalação da estrutura foi aberta no último dia 10. De acordo com Castro, os envelopes com as propostas serão recebidos até o próximo dia 25, mas a estimativa é que a instalação da vidraça custe aproximadamente R$ 50 mil.

“Não está correta a forma que o presidente está agindo, passando por cima dos vereadores. Em nenhum momento fomos chamados para essa discussão. Ele precisa rever essa proposta de fechar o plenário sem ouvir os vereadores. Sou veementemente contra”, criticou o vereador e vice-prefeito eleito, Luiz Zacarias (PTB).

Também contrário à medida, o PSOL de Santo André protocolou ontem uma representação no Ministério Público (MP) solicitando a interrupção do processo licitatório aberto pela Casa. De acordo com a legenda, além da “total desimportância” da obra, há impedimento patrimonial ao prosseguimento do projeto, já que o plenário é tombado. A sigla enviou ainda uma denúncia ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) solicitando informações e a interrupção da obra.

Integridade

Idealizador do projeto, Castro atribuiu a oposição à iniciativa a questões políticas. “Fala-se desse vidro há pelo menos três anos. Antes eram só três vereadores contrários. Todos já sabiam desse projeto, mas se tornou uma questão política”, disse. A expectativa é que os 21 vereadores se reúnam na próxima segunda-feira (21) pela manhã para tratar do encaminhamento da proposta.

“Tem de esperar matar alguém para fazer alguma coisa? Eu sou responsável pela integridade física dos 21 vereadores. Já ocorreu invasão”, relembrou o presidente, citando votação do Plano Municipal de Educação, onde grupos contrários à ideologia de gênero tumultuaram a sessão. Na ocasião, um manifestante mais exaltado invadiu o plenário, mas foi contido pela guarda da Câmara.

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