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Vereador de Diadema apresenta projeto contra machismo sem ouvir as mulheres

Zé do Bloco: “não discuti amplamente (o projeto)”. Foto: ArquivoO vereador de Diadema José Hudsomar Rodrigues Jardim, o Zé do Bloco (PV), apresentou projeto de lei que foi criticado na Casa. Listado na ordem do dia da sessão de ontem (11), a medida propõe a criação de “campanha socioeducativa versando sobre a importância da participação das mulheres na sociedade e da necessidade de lhes garantir oportunidades na vida, no trabalho e na coletividade”. Apesar de, segundo o parlamentar, ser um projeto que visa combater o machismo e debater a igualdade entre homens e mulheres, não foi feita nenhuma discussão com coletivos feministas e/ou grupos de mulheres.

O texto, que prevê a criação de campanhas nas escolas municipais para discutir com os estudantes questões como a desigualdade, não determina de que forma essas campanhas serão criadas nem como serão aplicadas. O projeto fala também de leitura de textos, palestras informativas, exibição de filmes e teatro, sem especificar que tipo de conteúdo será utilizado. A Coordenadoria de Políticas para as Mulheres da cidade, ligada ao gabinete do prefeito Lauro Michels (PV), também não foi incluída na ação.

A coordenadora do Fórum de Promotoras Legais Populares, Marcia Regina Damasceno, criticou a falta de diálogo tanto com o Fórum, quanto com o Conselho Municipal de Direitos das Mulheres e com a coordenadoria. “Nenhum órgão estava sabendo desse projeto, nem o movimento de mulheres opinou. Existe um plano municipal de políticas para as mulheres. Não existe a palavra gênero no projeto e é justamente disso que se trata. Ele precisa estudar mais sobre isso”, pontuou.

Campanhas

Na opinião do vereador, campanhas que eduquem as crianças sobre a igualdade entre homens e mulheres podem acabar com a discriminação no futuro. “A gente sempre discute a igualdade, os direitos da mulher. Porém, a gente discute no meio adulto. Temos de levar a criança para essa discussão. Mostrar que o homem e a mulher têm os mesmos direitos. Na verdade, o que eu estou propondo é exatamente isso, levar essa discussão para a escola, a fim de evitar que desde criancinha os garotos achem que são melhores do que as mulheres”, justificou.

O parlamentar admitiu, no entanto, que o projeto poderia ter sido mais debatido. “Não discuti amplamente, mas discuti com minha secretária, minhas assessoras, minha esposa”, pontuou. Apesar de abordar a igualdade de gênero, o verde não usou a palavra no texto, porque acha que algumas pessoas podem “confundir com homossexualismo (sic)”. “Não é isso. É mostrar que o homem e a mulher, só somos diferentes no sentido de ser feminino e masculino”, completou.

Em 2014, nenhuma Câmara aprovou a discussão de igualdade de gênero nos Planos Municipais de Educação. Zé do Bloco acabou retirando o projeto, que foi adiado por 20 dias. “Levei em consideração as críticas que foram feitas e vamos aprofundar a discussão. Espero que sejam propostas emendas.Estamos aí para somar”, declarou.

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