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Vendas do varejo caem pelo 3º ano seguido no ABC, e retração acumulada é de 16,6%

No ano passado, vendas do varejo caíram 4,1% na região. Foto: Eberly LaurindoPressionado pelo aumento do desemprego, pe­los juros elevados e pe­la desconfiança dos consumidores quanto ao futuro da economia, o varejo do ABC registrou, em 2016, o terceiro ano consecutivo de retração nas vendas.

O faturamento real (descontada a inflação) do setor nos sete municípios caiu 4,1% no ano passado, segundo o ACVarejo, levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgado ontem (6) e elaborado com base em informações da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).

Os dados referem-se ao varejo ampliado, que inclui concessionárias de veículos e lojas de material para construção. Em 2014, a pesquisa já havia detectado recuo de 6% nas vendas e, no ano seguinte, de 7,5%. No acumulado do triênio, a retração no faturamento da região chega a 16,6%.

Assim como o ABC, outras 17 regiões administrativas mo­­nitoradas pelo ACVarejo registraram queda nas vendas no ano passado. No Estado de São Paulo como um todo, o recuo foi de 5,7%.

Para o economista Emílio Alfieri, da ACSP, o resultado já era esperado devido ao perfil fortemente industrial da região e ao fato de que o setor fabril é o que mais tem sentido a atual crise. “O ABC não se beneficia do agronegócio, que tem atenuado a recessão no Interior do Estado”, explicou.

Alfieri destacou também que o aumento do desemprego – sobretudo na indústria, que paga os maiores salários – reduziu a massa de ren­dimentos para o consumo, situação agravada pela piora nas condições de crédito.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a região perdeu 31,7 mil vagas com carteira assinada em 2016, das quais 15,8 mil só na indústria. No mesmo período, a taxa de desemprego do ABC medida pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subiu de 13,3% para 15,5%.

Alfieri destacou que, além de reduzir o potencial de consumo, o aumento do desemprego deixa inseguros aqueles que estão ocupados. Prova disso é que, no Estado de São Paulo, os setores mais afetados foram aqueles que dependem de crédito e parcelamento, co­mo móveis e decoração (-14,2%), vestuário, tecidos e calçados (-10,6%).

Perspectivas

O economista da ACSP entende que a recuperação do varejo passa pela continuidade do ciclo de queda dos juros promovida pelo Banco Central e pela interrupção da “sangria” de vagas no mercado de trabalho. Uma boa notícia veio do Caged, que apontou geração de empregos na indústria após 23 meses seguidos de queda na ocupação.

“Quando perceber que o mercado parou de demitir, ainda que não contrate ou contrate pouco, o consumidor vai se sentir mais confiante para voltar ao consumo com mais vigor e se arriscar em financiamentos”, disse Alfieri.

Como ainda há incertezas no cenário político quanto à capacidade do governo de aprovar as reformas e quanto aos novos desdobramentos da Operação Lava Jato, o economista da ACSP entende que é difícil projetar o desempenho do varejo neste ano. “Se empatar (o faturamento com o de 2016) já estará bom”, comentou.

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