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Vendas de veículos caem 25,3% em setembro, e Fenabrave reduz projeções

Vendas de veículos caem 25,3% em  setembro, e Fenabrave reduz projeções
Impactado pelo desabastecimento nas concessionárias, setor revisou para baixo previsão de emplacamentos no fechamento do ano

Com as concessioná­rias ain­da afetadas pela oferta reduzida de produtos, as vendas de veículos novos caíram 25,33% em setembro na compa­ração com o mesmo mês de 2020 e levaram a Fe­deração Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fena­brave) a revisar as proje­ções para o fechamento do ano.

No total, 155,1 mil unidades foram comercializadas em se­tembro, número que inclui carros de passeio, comer­ciais leves, ca­mi­­nhões e ônibus. Em comparação a agos­to houve recuo de 10,2% – quarto mês consecutivo de retração nos emplacamentos. No acumulado do ano até setembro, as vendas somaram 1,58 milhão de unidades, avanço de 14,8% sobre o emplacado no mesmo período de 2020.

As montadoras têm enfrentado frequentes paradas de produção por falta de chips e outros itens importados, principalmente da Ásia. Como resultado, os modelos de maior venda têm fila de espera de até quatro meses.

Por conta disso, a entidade reviu a pro­jeção divulgada em julho para as vendas de carros e comerciais leves no fechamento deste ano, de alta de 10,7% pa­ra crescimento de 3,1% – o que, se confirmado, levará o total de emplacamentos a 2,01 milhões de unidades.

“Estamos diante de muitas incertezas e da maior crise de abastecimento de veículos vivi­da nos últimos anos. Isso nos fez reduzir as expectativas de crescimento para o ano, infelizmente”, afirmou em no­ta o presidente da Fenabrave, Ala­rico Assumpção Júnior.

“Vivemos hoje, pos­si­vel­mente, o ponto mais crítico dessa crise de abastecimento de veículos. Acredito que, nos pri­meiros meses de 2022, teremos maior clareza sobre a resolução desse problema”, prosseguiu o presidente da Fenabrave.

O segmento de auto­móveis é o mais afetado pela falta de in­sumos. Por isso, é o único que deve registrar queda nas vendas neste ano. O setor teve a previsão alterada de crescimento de 10,2% para recuo de 2,2%, o que derrubaria o total para 1,58 milhão de unidades.

Para o segmento de comer­ciais leves (como picapes e vans), que tem sido menos prejudi­cado pela escassez de chips, a projeção saltou da alta de 13,2% para crescimento de 28,4%, o que elevaria as vendas a 430,5 mil veículos.

Entre os pesados, a estimativa da Fenabrave para o segmento de caminhões também melhorou. O crescimento previsto de 30,5% foi elevado a 43,1%, para 89,2 mil unidades.

Em setembro foram vendidos 11,6 mil cami­nhões, 56,6% acima do comer­cializado no mesmo mês do ano passado. Contra agosto, po­rém, houve recuo de 8,6%. No acumulado do ano, os emplacamentos cresceram 49,9%, pa­ra 93,7 mil unidades.

Segundo a Fenabrave, o segmento segue bastante aquecido, traba­­lhando conforme o fluxo de entre­ga das montadoras. “Como ocorre há algum tempo nas vendas de cami­nhões, parte dos emplacamentos de setembro é composta de pedidos feitos em meses anteriores”, disse Assumpção Júnior.

No segmento de ônibus, po­rém, as novas projeções mostram crescimento de 1,1% em 2021, variação menor se comparada aos 10,6% previstos em julho. Em setembro foram emplacadas 1,2 mil unidades, queda de 28,4% ante o mesmo mês de 2020. No acumulado de 2021, o setor acumula 13,7 mil unidades vendidas, com avanço de 4,4% ante o emplacado no mesmo período do ano passado.

Segundo a Fenabrave, as empresas que atuam nesse setor têm mantido cautela na decisão de compra. “Neste ano, o segmento (de ônibus) é o de menor crescimento em relação a 2020, mas é algo compreensível, em função da pandemia de covid-19 e das restrições de circulação que vigoraram no primeiro semestre de 2021″, explicou Assumpção Júnior.

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