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Vendas de imóveis novos caem 40% no ABC e têm pior 1º semestre em 11 anos

Santaguita: “Segundo semestre tem melhores resultados”. Foto: ArquivoO mercado imobiliário do ABC deu continuidade, no primeiro semestre deste ano, à trajetória iniciada em 2014 de forte queda nas vendas de apartamentos novos.

Dados da Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradoras de Imóveis do ABC (ACIGABC) divulgados ontem (26) revelam a comercialização de 870 unidades no primeiros seis meses deste ano, com redução de 39,6% em relação as 1.440 adquiridas no mesmo período de 2016 e de 78% ante as 3.957 vendidas entre janeiro e junho de 2013, ano de melhor desempenho do mer­ca­do imobiliário da região.

Trata-se do pior resultado para o primeiro semestre da série histórica da pesquisa da ACIGABC, iniciada em 2006 e que sofreu pequenas alterações este ano para se adequar ao levantamento realizado pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

“A queda nas vendas re­­flete a atividade econômica fraca e a insegurança do consumidor, que teme ser demitido e, por isso, não se sente confortável para contrair financiamento”, disse o presidente da ACIG­ABC, Marcus Santaguita, durante entrevista coletiva concedida na sede da entidade.

Com a confiança de consumidores e empresários abalada pelo desemprego elevado, pela queda na renda e pelo cenário político e econômico ainda incerto, as construtoras praticamente pararam de fazer lançamentos, a fim de se adequar à fraca demanda.

O total de imóveis lançados no ABC caiu 70,5% no primeiro semestre ante igual período do ano passado, para 342 unidades. Na comparação com 2013, quando a produção somou 2.094 apartamentos, houve retração de 83,7%.

Em Diadema, Mauá e São Caetano não houve um lançamento sequer. Santaguita disse que, em São Caetano, a produção segue inviabilizada pelo Plano Diretor local. “O que saiu é projeto antigo, porque a lei inibe qualquer tipo de verticalização. Felizmente, a nova administração percebeu isso e iniciamos tratativas no sentido de flexibilizar um pouco as regras.”

Com os empresários receosos de lançar produtos no mercado, o setor manteve o foco na venda dos estoques, que recuaram 24% no primeiro semestre ante o último dia do ano passado.
O medo de “encalhe” é maior no segmento acima de 130 m² – no qual, segundo Santaguita, não há produção nem unidades em estoque. “Houve excesso de oferta, principalmente, em 2012 e 2013. Pode ser um nicho de mercado a ser explorado no futuro, quando a economia da região reagir”, afirmou o presidente da ACIGABC.

Recuperação

Marcus Santaguita aposta em gradual melhora do setor no segundo semestre. O dirigente, no entanto, adverte que a recuperação não será suficiente para devolver o mercado ao “azul” e impedir que a região registre em 2017 o quarto ano consecutivo de queda nas ven­das e nos lançamentos.

Houve retração de 33,6% em 2014, de 26% em 2015 e de 40% no ano passado.

“Historicamente, o segundo semestre apresenta melhores resultados. Nossa expectativa é de que tenhamos recuperação lenta e gradativa do setor neste fim de ano, acompanhando os nú­meros da macroeconomia. Com a redução dos juros, a inflação sob controle e a melhora dos indicadores de emprego, acreditamos em recuperação mais acentuada a partir de 2018”, disse Santaguita, destacando que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou em julho e agosto dois meses seguidos de geração de vagas com carteira assinada no ABC.

O dirigente destacou ainda que o indicador de Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO) – que apura o porcentual de vendas em relação à quantidade de imóveis disponíveis no mercado – vem se recuperando desde o início do ano, ao saltar de 3,4% em janeiro para 6,2% em junho.

O indicador, porém, ainda está distante da média histórica da região, de 15%.

“É uma recuperação importante porque sinaliza equilíbrio maior entre oferta e demanda e permite vislubrar que, no futuro breve, as empresas voltarão a se concentrar em novos lançamentos”, afirmou Santaguita

 

 

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