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Vendas caem 1,9% no 1º trimestre, mas comércio varejista do ABC sinaliza reação

Setor de móveis e decoração é um dos que mais tem sentido a queda nas vendas. Foto: ArquivoAinda afetado pela cri­­se econômica, mas sinalizando alguma reação, o faturamento do varejo ampliado do ABC – que inclui veículos e materiais de construção – teve queda real (descontada a inflação) de 4,8% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas cresceu 6,9% ante fevereiro.

Os números integram o Bo­letim ACVarejo, levantamento mensal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) elaborado com ba­­se em informações fornecidas pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).

No acumulado do primeiro trimestre, o ACVarejo aponta recuo de 1,9% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, também houve retração (-1,8%).

Apesar de ser negativo, o dado anualizado do ABC melhorou, já que houve queda de 2,7% nas vendas nos 12 meses encerrados em fevereiro e de 4,2% em janeiro. Para a ACSP, a desaceleração sugere perda de intensidade da crise.

“A base de comparação fraca e o recuo da inflação explicam a amenização das perdas”, comentou Ulis­ses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, referindo-se aos três anos consecutivos de queda nas vendas do varejo do ABC – 4,1% em 2016, 7,5% em 2015 e 6% em 2014.

“Além disso, há um nível mínimo de consumo de subsistência que acaba funcionando como limite. Na prática, significa que o consumidor pode até deixar de comer carne, mas substitui pelo frango”, prosseguiu.

Gamboa destacou que o varejo da região – e, por extensão, do Estado – segue pressionado pelo desemprego, pela redução da renda e pela menor disponibilidade de crédito. No ABC, o perfil fortemente industrial funciona como agravante, uma vez que o setor fabril é o que mais tem sentido a atual crise.

Porém, Gamboa entende que haverá alguma reação a partir do final do ano se houver continuidade da redução dos juros e alguma recuperação no emprego. A recente divulgação das delações dos irmãos Batista, controladores da JBS, terá pouco impacto sobre esse movimento, previu. “A tendência não muda, até porque a política econômica será mantida mesmo com a saída do presidente Michel Temer. O que pode ocorrer, na pior das hipóteses, é uma recuperação mais lenta.”

Para o economista, o pagamento das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que começou em março, teve pouco impacto sobre o comércio. “No primeiro momento, o FGTS e a redução dos juros permitem a renegociação de dívidas. Somente no segundo momento o consumidor deve voltar às compras”, avaliou.

No Estado de São Paulo, houve redução no volume de vendas em praticamente todos os setores no acumulado de 12 meses, com destaque para lojas de móveis e decoração (-12,9%).

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