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Venda de veículos cai 76% em abril e tem pior quadrimestre desde 2006

Venda de veículos cai 76% em abril e tem pior quadrimestre desde 2006O isolamento social ado­ta­do para conter a pandemia do novo coronavírus voltou a derrubar, em abril, a venda de veículos novos no país. No primeiro mês completo de quarentena foram comerciali­zadas 55.732 unidades, queda de 76% ante o apurado em abril de 2019. Contra março, que teve a segunda quinze­na prejudicada pela pandemia, houve retração de 65,9%.

Trata-se do pior resultado para o mês desde o início da sé­rie histórica – iniciada em 2003 – da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Au­tomotores (Fenabrave), que re­presenta as concessio­nárias. A soma considera carros, comerciais leves, ca­minhões e ônibus.

Até o balanço divulgado ontem (4), o pior resultado havia sido o de abril de 2003, com vendas de 108,3 mil unidades.

No primeiro quadrimestre, o setor acumula 613,8 mil em­placamentos, total 26,9% in­ferior ao apurado no mesmo período do ano passado. Trata-se do pior resultado para o período em 14 anos.

“Isso demonstra o resul­tado da chamada parada sú­bita de nossa economia e da inope­rância da maior parte das concessionárias em decorrência da quarentena, que determinou o fechamento do comércio na maior parte do país”, afirmou o presidente da Fenabrave, Ala­rico Assumpção Júnior.

No corte por segmentos, o de veículos leves somou em abril 51,3 mil unidades, baixa de 76,8% ante igual mês do ano passado e de 67% em relação a março. No acumulado do ano foram vendidas 583,9 mil unidades, retração de 27% em comparação ao total emplacado no mesmo período de 2019.

No segmento de pesados fo­ram registrados 4.370 emplacamentos em abril, queda de 58,9% na comparação com igual mês de 2019 e de 44,1% contra março. No acumulado do ano, o mercado vendeu 29,9 mil cami­nhões e ônibus, recuo de 21,8%.

Segundo a entidade, há apro­ximadamente 7.300 revendas no país e boa par­te delas está fechada ou parcialmente inoperante. Poucos estados autorizaram as concessionárias a operar 100%, ou seja, com vendas de veículos e peças, além de serviços de manutenção. “Em estados onde a qua­rentena foi flexibilizada, como em Goiás, a queda do setor foi menor”, disse Assumpção.

A entidade lembra que o governo federal incluiu as con­cessionárias no rol de servi­ços essenciais, mas o decreto 10.329 não afasta a competência de Estados e municípios de estabe­lecer políticas de Saúde, inclusive a classificação dos serviços essenciais. “Por isso, continuaremos trabalhando para a retoma­da total de nossas atividades, sempre observando as cautelas sanitárias necessárias, de forma a permitir a sobrevi­vência do se­tor”, afirmou Assumpção.

O presidente da Fenabrave previu que a recuperação das vendas levará algum tempo, mes­mo após o controle da pan­de­mia, e reivindicou a oferta de linhas de crédito com “juros razoáveis” para contornar a falta de liquidez do setor.

“Os concessionários res­pon­dem por 5,12% do PIB (Produto Interno Bruto). Sem vendas e liquidez, os mais de 315 mil empregos gerados, diretamente, pe­lo setor estarão em risco, pois mais de 30% das empresas talvez não tenham fôlego para chegar ao final deste mês”, alertou.

A Fenabrave também reivindica a postergação do pagamento de impostos e a reabertura dos Detrans. “Sem emplacamentos fica complicado vender.”

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