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Varejo do ABC vendeu R$ 42,4 bilhões em 2019 e teve melhor resultado em seis anos

Apoiado na combinação de maior concessão de crédito pa­­­­ra o consumidor e recupera­ção do mer­­cado de traba­lho, o comércio varejista do ABC registrou em 2019 o me­­lhor resultado em seis anos.

O setor faturou R$ 42,4 bi­­­lhões na re­gião, montante 6,3% superior em termos reais (des­contada a inflação) ao apurado em 2018 (R$ 39,9 bilhões), se­gundo pesquisa realizada pe­­la Federação do Comércio do Estado de São Pau­lo (Feco­mercioSP) com ba­se em dados da Secreta­ria Estadual da Fazenda (Sefaz).

Varejo do ABC vendeu R$ 42,4 bilhões em  2019 e teve melhor resultado em seis anosTrata-se do quarto ano con­secutivo de alta, após va­riações positivas de 2,8% em 2018, 5,2% em 2017 e de 1,1% em 2016 (veja gráfico acima). É também o melhor desempe­nho desde os R$ 43,2 bilhões comercializados em 2013.
Guilherme Diet­­­­­ze, asses­sor econômico da Fe­comercioSP, cre­­ditou o aumento nas vendas à melhora na confiança dos consumidores devido à re­­dução do desemprego e dos ju­ros. “A Selic (taxa básica) mais baixa barateou o crédito. Paralelamente, com o aumento do nível de emprego, ficou mais seguro para as famílias con­trair crédito e mais seguro para os bancos concedê-lo”, explicou.

Em 2019, os sete muni­cípios ge­raram 4,8 mil postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Em­pregados e Desempregado­s (Ca­­ged), do Mi­­nistério da Eco­nomia. Foi o se­gundo ano seguido de au­mento na ocupação formal, após forte perda de vagas re­gistrada entre 2014 e 2017.

Diet­­­­­ze destacou que, em um cenário de maior confiança por parte do consumidor, os setores que mais cresceram no ABC em 2019 foram justamente os mais dependentes de crédito, como mó­­veis e decoração (41,9%), ele­­­trodomésticos e eletrônicos (15,5%), autope­ças e acessórios (11,8%), concessio­nárias de veículos (8,2%) e materiais para construção (8,0%).

O asses­sor econômico, po­rém, fez a ressalva de que esses segmentos sofreram bastante durante a crise e, por isso, a base de comparação deles é fraca. “Ainda há espaço muito grande nesses setores para recuperar o que se perdeu.”
No segmento de super­mer­cados, que representa qua­se 36% das vendas do varejo no ABC e é mais “imune” às cri­ses, o crescimento no ano passado foi mais modesto, de 3,5%, para R$ 15,3 bilhões.

CORONAVÍRUS

Para 2020, a FecomercioSP projeta al­ta de 7% nas vendas do varejo da re­gião. Diet­­­­­ze explicou que a previsão não considera eventuais impactos que o avanço do novo coronavírus pode ter sobre a ati­vidade econômi­ca no Brasil, por considerá-los ain­da difíceis de mensurar.

Para o asses­sor econômico, a crise na Argentina é, neste momento, mais preocupante para a economia do ABC do que o coronavírus, devido ao impacto da recessão no país vizinho sobre a demanda de produtos do ABC, principalmente do setor automoti­vo.

“O impacto do coronavírus dependerá da evolução no nú­me­ro de casos no Brasil e no­s demais países. Na China, o surto atingiu um pico e, agora, está desacelerando. Se ocorrer o mes­mo aqui, o reflexo poderá ser apenas pontual”, disse Diet­­­­­ze.

O asses­sor econômico lem­brou ainda que o impacto do fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo sobre a massa de rendimentos do ABC co­me­çará a ser sentido neste ano.

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