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Varejo do ABC fecha 301 vagas em março, e FecomercioSP prevê recuperação em 2018

Setor de farmácias e perfumarias é o que menos tem sentido a crise econômica. Foto: ArquivoAinda sofrendo os efeitos da crise econômica, o comércio varejista do ABC eliminou 301 postos de trabalho em março, como resultado de 3.943 admissões e 4.244 desligamentos. Em 12 meses foram extintos 1.222 empregos com carteira assinada, o que levou ao recuo, na comparação com março de 2016, de 1,1% no estoque total, que atingiu 109.191 trabalhadores formais.

As informações integram a Pesquisa de Emprego no Comércio Varejista, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizada com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), ambos do Ministério do Trabalho.

Para Jaime Vasconcellos, assessor econômico da FecomercioSP, o nível de emprego no comércio varejista ainda não atingiu o “fundo do poço”, mas é possível observar um “estancamento” das demissões, em sintonia com o movimento de estabilização das vendas.

“O faturamento do varejo está no mesmo patamar de 2012, mas ao menos parou de cair. Porém, é preciso que haja recuperação nas vendas para que o empresário volte a contratar. Há um cenário melhor porque há mais confiança entre os agentes econômicos, mas confiança sozinha não é suficiente. É preciso dinheiro no bolso do consumidor e no caixa das lojas”, avaliou.

Das nove atividades acompanhadas pela FecomercioSP no ABC, apenas os segmentos de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (alta de 2,7%), farmácias e perfumarias (2%) e supermercados (1,3%) aumentaram o es­toque de empregos formais em março na comparação com igual mês do ano passado.

“Farmácias e supermercados vendem bens de subsistência, de valor mais baixo e que dependem menos de crédito, que continua caro. Por isso, é natural que tanto as vendas quando o emprego nesses setores sofram menos”, afirmou Vasconcellos.

No sentido contrário, as maiores quedas na ocupação foram verificadas nos segmentos de concessionárias de veí­culos (-6,3%), lojas de vestuário e calçados (-5,4%) e materiais de construção (-4%), justamente os mais dependentes de financiamento.

Vasconcellos entende que o cenário para o varejo ficará mais claro no segundo semestre, mas acredita que a retomada das contratações no setor só deve ocorrer em 2018.

O assessor, porém, reconhece que, no ABC, esse movimento pode demorar mais devido ao perfil industrial da economia da região, uma vez que o setor fabril é o que mais tem sentido a atual crise.

“O comércio é dependente da massa de rendimentos e do consumo das famílias. Como a indústria paga os maiores salários, a tendência é de maior dificuldade de recuperação. Porém, é bom lembrar também que o setor automotivo tem experimentado aumento nas exportações, o que pode compensar em parte o mercado interno fraco e impactar positivamente a economia do ABC.”

No Estado de São Paulo, o comércio varejista reduziu o quadro de funcionários pelo quarto mês consecutivo. Em março, foram fechados 9.949 postos de trabalho. No acumulado dos últimos 12 meses foram eliminados 30.797 empregos, o que reduziu o estoque total para 2,052 milhões de trabalhadores.

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