Esportes, Futebol

Uso de vídeo gera polêmica no Mundial da Fifa

Árbitro revê a jogada ao lado do campo: possível impedimento causou polêmica. Foto: Reprodução/Sportv

O sistema de árbitro de vídeo, que conecta o juiz em campo a uma equipe externa que pode auxiliá-lo nas tomadas de decisão durante o jogo, tem sua primeira polêmica no futebol.

Utilizado pela primeira vez numa competição oficial organizada pela Fifa, o recurso tecnológico criou discórdia durante a semifinal do no Mundial de Clubes, entre Atlético Nacional-COL e Kashima Antlers-JAP ontem (14).

No primeiro tempo, em uma disputa de bola na área, o atacante colombiano Orlando Berrío trombou com Nishi Daigo, que ficou caído no gramado. O juiz da partida, o húngaro Viktor Kassai, deixou o jogo continuar, mas foi alertado pelo árbitro reserva sobre uma possível infração do jogador do Nacional.

Kassai parou a partida aos 29 minutos para pedir o auxílio do vídeo a fim de rever o lance. Na beira do gramado, o juiz reviu a jogada e marcou pênalti para a equipe japonesa. A decisão demorou mais de dois minutos para ser tomada.

A polêmica surgiu porque, no mesmo lance, o jogador japonês que sofre a falta dentro da área estaria em posição de impedimento, o que invalidaria a jogada antes do choque que resultou no pênalti.

Torcedores do Atlético Nacional protestaram contra o lance nas redes sociais. “Isso já não é futebol”, queixou-se o volante Mateus Uribe, do Atlético Nacional, que foi derrotado por 3 a 0 e está eliminado.

O atacante Mosquera minimizou a influência do lance no resultado. “Sabíamos, estávamos avisados de que havia câmeras. Aconteceu a falta, o árbitro viu, foi pênalti”, disse.

A Fifa classificou como correta a decisão do árbitro. Em seu site oficial, a entidade diz que o jogador não estava impedido, e o chefe de arbitragem da Fifa, Massimo Busacca, ponderou o fato.

“É a primeira vez que o árbitro de vídeo é usado em uma competição da Fifa. Então isso é novo para todos, especialmente ver o árbitro assistir ao vídeo ao lado do campo”, disse.

À reportagem, Lukas Brud, secretário-geral do International Board, órgão que regula as regras do futebol, avaliou a experiência como boa, embora “a polêmica gerada tenha deixado um gosto amargo”.

“Os árbitros tomaram uma decisão perfeita, 100% correta. O jogador (do Kashima) não participa do lance, a despeito de estar em posição de impedimento. Não houve erro, mas as pessoas não sabem as regras do jogo”, disse.

“A decisão de que o uso da tecnologia seria on-line (ou seja, em tempo real) foi tomada no Japão. Deixamos em aberto porque os árbitros tinham pouco treinamento em tecnologia de vídeo antes da competição. Chegaram ao Japão e foram treinados ao longo de cinco dias. Explicamos à Fifa que só deveria haver uso on-line caso os árbitros estivessem confortáveis”, detalhou.

Marcelo Rogério, árbitro da Federação Paulista de Futebol, tem leitura semelhante.

“O pênalti existiu. São dois jogadores em posição de impedimento, mas eles estavam passivamente impedidos, o que não caracteriza a posição ilegal. O sistema é bom, mas tem de ser melhorado. O lance deveria ser paralisado na hora. Imagina a confusão que daria se o adversário tivesse feito o gol num contra-ataque?”, indagou Rogério.

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