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Um em cada cinco empresários do ABC presenciou oferta ou pedido de propina

Um em cada cinco empresários do ABC presenciou oferta ou pedido de propina
Segundo ONG, Brasil ocupa a 106ª posição em ranking internacional de corrupção. Foto: Arquivo

A Operação Lava Jato e a pro­mulgação da Lei Anticorrupção, em meados de 2013, deram impulso à aplicação de programas de complian­ce, co­mo são chamadas as prá­ticas que visam garantir o res­peito às normas e impedir desvios éticos no interior das empresas – públicas e privadas – e no rela­cionamento com fornecedo­res e consumidores. Porém, a corrupção ainda não foi erradi­ca­da do ambiente de negócios.

Prova disso é que um em ca­­da cinco ges­­to­res ou donos de empresas do ABC já pre­senciou ou tomou conhecimento de pedido ou oferta de propina em relacionamento co­m agentes pú­blicos. O dado cons­­­ta de pesquisa rea­lizada pe­­­­­lo Observa­tó­­rio de Integri­da­­­­de Empre­sa­­­­rial e Complian­ce (OIEC), li­­­ga­­­do à Universidade Mu­­­­ni­­ci­pal de São Caetano (USCS).

Foram coletadas res­postas de 157 proprietários ou gesto­res de empresas, dos quais 55 da re­gião. Destes, 11 (20%) pre­sen­cia­ram ou tomaram co­nhe­cimento de pedido de pro­pina ou vantagem indevida por parte de agente público e um (1,8%) soube de oferta de suborno. Os demais 43 (78,2%) disseram nunca ter pre­senciado essas situações.

“Existe ainda longo cami­nho a ser percorrido pelo Brasil no que diz respeito ao combate à corrupção e à criação de cultura de integridade”, afirmaram o advogado Alexandro Ru­dolfo de Souza Guirão e o ad­ministrador de empresas Carlos Afonso, que integram o OIEC e assinam o estudo, publicado na 11ª carta do Observatório de Políti­cas Públicas, Empreendedoris­mo e Conjuntura da USCS, divulgada na semana passada.

Prestes a completar se­te anos de vigência, a Lei Anti­corrupção (12.846/13) prevê a responsa­bilização administrativa e ci­vil de empresas que pratiquem atos lesivos contra a administração pública, com punições que podem chegar a 20% do faturamento anual.

DESCONHECIMENTO

A pesquisa revela ainda que um terço dos entrevistados não sabe o que é compliance e 71% informaram que suas empresas não adotam progra­mas formais de integridade empresarial. Além disso, um terço das empresas não checa a idoneida­de de seus fornecedores.

Para corroborar o estudo, Guirão e Afonso lembraram o indicador da organização não-governamental Transpa­rência Internacional que coloca o Brasil na 106ª posição, entre 180 países, em um ranking de percepção da corrupção.

“Ainda estamos longe da si­tuação ideal no que se refere ao compliance. A adoção é maior nas grandes corporações, especialmente as multinacionais, das quais é exigido um progra­ma formal para que forneçam a ou­tras empresas. Nas micro, pe­quenas e mé­dias, porém, a maioria não adota”, afirmou Afonso.

Guirão destacou a cultura organizacional das empresas brasileiras como principal obs­táculo à implementação de pro­­gramas de compliance. “Há forte cultura arraigada no país de que é possível dar um jeiti­nho lá na frente. Mudar a mentalidade do empresário é um processo de longuíssimo prazo. Para isso, é preciso mos­trar que há ganhos ao adotar programas de integridade”, argumentou.

um comentário

  1. Pois é, esses agentes que pedem propina tem que ser denunciado. Senão continuará sempre a mesma ladainha. O quê precisamos ver é que independente do presidente que esteja lá no poder, sempre foi proibido pedir suborno para conseguir algo lícito do governo, seja municipal, estadual ou federal. Depois esse mesmo que deu o suborno reclama que não há fiscalização, como se o quê suborna também ajuda na corrupção? Também temos que fazer a nossa parte. E é denunciar. DENUNCIEM.

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