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Um em cada cinco empregos criados no ABC é temporário ou intermitente

Um em cada cinco empregos criados no ABC é temporário ou intermitente
Segundo o Novo Caged, as duas modalidades representam 21,3% das vagas geradas nos últimos 12 meses

As incertezas em relaçã­o à retomada da atividade eco­nô­mi­­ca em meio a indicado­res ain­­da preocupantes da pande­mia de covid-19 e ao avan­ço lento da vacinação tem le­vado parte dos em­presários do ABC a optar por contratações tem­­po­rárias ou intermitentes pa­­­­ra aumentar a mão de obra.

Levantamento realizado pe­­­­­­­­lo Diário Regional com ba­se em dados do Novo Cadastro Ge­ral de Em­pregados e Desem­pre­gados (Caged), do Minis­tério da Economia, revela que, das 294,1 mil admissões com carteira assinada feitas nos se­­­te municípios nos 12 meses en­cerra­dos em maio, 14,8% (43,5 mil) usaram contratos intermitentes ou tem­­po­rários.

Quando se consi­­­de­ra o sal­do líquido (admissões menos de­missões) do pe­­­río­­do, que é po­sitivo em 32,5 mil vagas cria­das, a par­ticipação das duas mo­­da­­­li­dades de con­tratação so­­be pa­­­ra 21,3% do total, ou 6,9 mil.

Assim, de cada cin­co postos de trabalho gerados nos sete municípios desde ju­­nho do ano passado, um é tem­po­rário ou intermitente.

O trabalhador temporá­rio é aquele contratado por meio de agência para atender necessidades pontuais, como substituição de pessoal ou deman­da extraordinária. O emprego intermi­­ten­te, por sua vez, foi cria­do na reforma trabalhista em vi­gor desde novembro de 2017 e per­mite às empresas chamar o tra­balhador so­men­te quan­­­do for necessário e pagar ape­nas pelas horas cu­m­pridas.

Para muitos executivos, as duas modalidades se adequam a esse momento em que é preciso muita cautela nas de­cisões devido à pandemia.

“A criação de empregos sem carteira assinada ou empregos com carteira, mas intermiten­tes ou com prazo determinado, sinaliza pouca crença no futuro. As pesquisas (de confiança) mostram isso: que os empre­sá­rios acreditam que o futuro será melhor, mas não sentem muita firme­za no presente”, afir­mou o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Institu­to Mauá de Tecnologia (IMT).

Em 2020, a demanda por vagas temporárias no país cresceu 34,8%, segundo balanço da Associação Brasileira do Tra­ba­lho Temporário (Asserttem). Pa­­ra este ano, a projeção da entidade é de nova alta, de 25%.

Essa modalidade tem sido frequentemente adotada no se­­tor automotivo. A Merce­des-Benz, por exem­­plo, preencheu mil vagas temporárias (com con­tra­tos de seis a 12 meses) no iní­cio deste ano na fábrica de São Ber­nardo com o objetivo de re­for­çar a produção de caminhões.

PROVA DOS NOVE

Ba­listiero discorda da ava­lia­ção segundo a qual as duas mo­dalidades são formas de pre­­­carização do trabalho. “A exis­tên­cia de contratos intermi­tentes ou temporários não é ruim, por­que pessoas contratadas nessas modalidades provavelmente es­ta­riam na informalidade sem elas”, ponderou. “Porém, a ‘pro­va dos nove’ (da recuperação da atividade eco­nô­mica) só vem quando a gente cria empregos com carteira as­sinada de prazo indeterminado”, prosseguiu o economista, embora reconhe­ça que as duas modalidades são uma tendência do mercado de trabalho.

Para o coordenador do curso de Administração do IMT, a pers­pectiva é de continuida­de da geração de empregos nes­te semestre, “mas na­da al­vissareiro”, citando como focos de incerte­za o risco de uma terceira onda da pandemia pro­vocada pela variante Delta, a crise hídrica e a ins­tabilidade política, que “podem colocar a recuperação econômica contra a parede”.

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