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Trump ordena muro na fronteira com México e reforça cerco a imigrantes

Trump: “a partir de hoje, os Estados Unidos assumem o controle de suas fronteiras”. Foto: Reprodução TwitterO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou decreto nesta quarta (25) determinando a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes ilegais, uma de suas principais promessas de campanha. Segundo Trump, o projeto terá início dentro de alguns meses. O mandatário também voltou a defender, em entrevista, técnicas de interrogatório proibidas, como o afogamento simulado, apesar de ainda não ter assinado decreto sobre o tema.

O presidente afirmou que inicialmente o muro na fronteira com o México será financiado pelo contribuinte americano, mas que posteriormente o México pagará pelo projeto. O governo mexicano já reiterou que não assumirá os custos do muro, que podem ficar entre US$ 12 bilhões e US$ 40 bilhões, conforme diferentes cálculos, para cobrir 3.200 km de fronteira. “A partir de hoje, os EUA assumem o controle de suas fronteiras.”

O presidente não explicou como o México pagará pelo muro, mas negou que colocará os países vizinhos em rota de colisão. “Haverá um pagamento, talvez de uma forma complicada. O que estou fazendo é bom para os EUA. Também será bom para o México. Queremos ter um México muito estável e sólido”, disse em entrevista.

O presidente também assinou outro decreto destinado a aumentar a repressão aos imigrantes ilegais, tendo como alvo as chamadas “cidades santuário”, em que são poupados de deportação. A ordem é aumentar o número de centros de detenção, reforçar o cerco policial aos imigrantes em situação irregular e cortar recursos federais a essas cidades. “O povo americano não vai mais ser forçado a subsidiar esse descaso com nossas leis”, disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

A política de proteção a imigrantes ilegais começou em 1979 em Los Angeles, onde policiais foram proibidos de deter pessoas para saber se estavam legalmente no país. Segundo estimativa do Centro de Estudos da Imigração, instituição não partidária baseada em Washington, cerca de 300 cidades entram na categoria de “santuários”, incluindo Estados inteiros como Califórnia, Connecticut, Novo México e Colorado.

O combate ao crime é um dos principais argumentos para aumentar a repressão aos imigrantes, mas estudos mostram que a associação não se sustenta. Entre 1990 e 2013 o número de imigrantes ilegais mais que triplicou, de 3,5 milhões para 11,2 milhões, mostra um estudo do Conselho Americano de Imigração. No mesmo período, a taxa de crimes violentos teve queda de 48%. De acordo com o mesmo estudo, de 2015, 1,6% dos imigrantes entre 18 e 39 anos estavam atrás das grades, enquanto a porcentagem para a mesma faixa de cidadãos nascidos no país era de 3,3%.

Hoje (26), o presidente deve tomar mais medidas de restrição à imigração, que afirma serem necessárias para aumentar a segurança do país, entre elas decretos para limitar temporariamente a entrada de refugiados da Síria e bloquear a emissão de vistos a pessoas de vários países de maioria muçulmana, incluindo Síria, Sudão, Somália, Iraque, Irã, Líbia e Iêmen.

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