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Trabalhadores da Scania farão plebiscito para decidir se aceitam reajuste abaixo da inflação

Caramelo: “É uma forma de tirar qualquer dúvida que paira sobre o resultado”. Foto: Edu Guimarães/SMABC

Os 3,2 mil trabalhadores da Sca­nia vão definir hoje (25), em plebiscito, se aceitam a oferta da montadora de reajuste salarial de 5% retroativo a 1º de setembro (data-base da categoria), abono de R$ 4 mil a ser pago em janeiro e re­posição integral da infla­ção em 2017, ou se recomeçam a greve deflagrada no dia 17 e encerrada ontem.

A proposta chegou a ser aprovada durante assembleia re­alizada ontem pela manhã, mas o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC decidiu rea­lizar nova consulta devido ao pla­car apertado da votação.

A oferta dividiu os trabalhadores porque, nas pala­vras do próprio sindicato, “não mu­dou muito” em relação à feita anteriormente e cuja rejeição levou ao início da paralisação.

Sem mudança no porcentual de reajuste, que ficou abaixo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos 12 meses anteriores à data-base (9,62%), a negociação realizada durante o fim de semana garantiu a extensão do período de estabilidade dos trabalhadores por mais três meses, até dezembro de 2017; a renovação dos contratos de trabalhadores temporários e a antecipa­ção do 13º salário de 2017 para fevereiro.

Os metalúrgicos votarão ao longo do dia em urnas instaladas no interior da fábrica. “É uma forma de tirar qualquer dúvida que possa pairar sobre o resultado. Assim, teremos um quadro exato do que desejam”, disse Carlos Caramelo, diretor executivo do sindicato e trabalhador na Scania.

O acordo também prevê adicional nos salários a ser aplicado em janeiro de 2018 e 2019, caso a produção anual atinja ou supere 16 mil unidades de caminhões e ônibus. O acréscimo será de 0,5% a cada mil unidades a mais. Segundo o sindicato, a montadora se comprometeu a manter os volumes destinados à exportação.

Ainda segundo a proposta, os trabalhadores terão de compensar quatro dos cinco dias parados, os quais serão incluídos no banco de horas.

“Mesmo após uma semana de mobilização, a negociação continuou muito dura e não conseguimos quebrar a resistência da empresa. Economicamente, a proposta não mudou muito, mas pudemos incluir questões que contemplam outras áreas de interesse do trabalhador”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Wagner Santana.

Entre as montadoras da base, somente na Scania a campanha ainda está em andamento. Nas demais, o reajuste deste ano já está previsto em acordos firmados anteriormente, com validade para mais de um ano.

De janeiro a setembro, a Scania teve queda de 15,9% nos emplacamentos de caminhões e de 24,7% no de ônibus ante o mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

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