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Trabalhadores da Ford cobram investimentos na planta de São Bernardo

Trabalhadores na Ford cobram investimentos na planta de São Bernardo
Trabalhadores foram informados sobre a situação delicada da unidade. Foto: Adonis Guerra/SMABC

Em assembleia realizada na manhã desta terça-feira (22), na Ford, em São Bernardo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC cobrou da direção da empresa a retomada das discussões sobre investimentos na planta e sobre o futuro da unidade, conforme previsto no acordo firmado em março de 2017. Durante o ato, a entidade informou os trabalhadores sobre o andamento das negociações e ressaltou que a garantia de emprego depende em grande parte da vinda de novos produtos para a planta, já que atualmente a fábrica de São Bernardo produz apenas o New Fiesta e caminhões.

O protesto ocorreu no mesmo dia em que o presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, explicou aos representantes de traba­lhadores das fábricas de São Caetano e São José dos Campos que tipo de “sacrifício” espera dos funcionários para evitar suspensão de investimentos ou até mesmo o fechamento de unidades no país.

O presidente do sindicato, Wagner Santana, alertou os trabalhadores sobre a importância de discutir o tema. “O acordo construído em 2017, válido até novembro deste ano, previa este período para negociações e até agora não há nada efetivo, nenhuma sinalização por parte da direção. De lá pra cá, mais de mil trabalhadores saíram por meio de PDV (Programa de Demissões Voluntárias) e aposentadorias. Portanto, já houve esforço do sindicato e dos trabalhadores no sentido de viabilizar esta planta”, disse.

“Hoje, a Ford São Bernardo produz apenas o New Fiesta e nenhuma planta se sustenta com um só modelo, ainda mais um veículo que não possui vida longa, como a própria empresa já anunciou. É urgente retomar a discussão para a vinda de novos projetos e investimentos”, prosseguiu.

Para o dirigente, essa indefinição coloca em risco os empregos de todos os trabalhadores da planta. “Aqui também se produz caminhões, mas sabemos que esse setor sozinho não sustenta a unidade, até porque a Ford mundial já disse que esse é um mercado que não interessa muito à empresa. O que garante os empregos é investimento.”

O Coordenador do Comitê Sindical na Ford, José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba, também destacou o esforço que os trabalhadores têm feito ao longo dos anos para manutenção dos empregos. “Fizemos várias negociações nesta planta de São Bernardo. Fizemos o PPE (Programa de Proteção ao Emprego) e a até mesmo a fusão entre as fábricas de caminhões e carros”, argumentou. “Esta provavelmente é a única montadora do mundo onde os trabalhadores da montagem trabalham em duas fábricas, não existe em nenhum outro lugar uma versatilidade tão grande como a que temos aqui. Temos contribuído de maneira muito ampla para que a fábrica se viabilize.”

Ao final da assembleia, os trabalhadores decidiram iniciar processo de mobilização permanente, com realização de assembleias internas nas áreas, até a semana do dia 18 de fevereiro, quando está prevista uma reunião com o presidente da Ford no Brasil, Lyle Watters.

“Decidimos que não vamos aguardar novembro chegar, quando termina o período de estabilidade, nem mesmo o segundo semestre. Vamos manter a mobilização permanente na fábrica, vamos cobrar do presidente, vamos lutar para garantir nova expectativa de futuro para os trabalhadores, um cenário diferente dessa indefinição e desse risco que se desenha hoje”, reforçou Wagner Santana.

A fábrica de São Bernardo da Ford emprega atualmente cerca de 2,8 mil trabalhadores.

 

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