Saúde e Beleza

Toxoplasmose congênita, doença infecciosa incidente no Brasil, é transmitida pela mãe, que se contamina com alimentos ou água

No ano que vem, esta doença poderá ser diagnosticada por meio do teste de pezinho expandido. Foto: Rainer Maiores/Pixabay
No ano que vem, esta doença poderá ser diagnosticada por meio do teste de pezinho expandido. Foto: Rainer Maiores/Pixabay

Certamente, você já ouviu falar da toxoplasmose, infecção adquirida principalmente pela ingestão de alimentos (carne mal cozida, vegetais e frutas ingeridos crus) ou água contaminada. Todavia, esta enfermidade também pode ser adquirida por transmissão transplacentária da mãe com infecção aguda para seu filho (transmissão vertical).

Trata-se da toxoplasmose congênita, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que pode ser controlada por uma série de medidas educativas, melhoria do pré-natal, além da triagem neonatal. No ano que vem, esta doença poderá ser diagnosticada por meio do teste de pezinho expandido (recém-aprovado pelo governo brasileiro, com vigência para 2022).

No Brasil, a doença é endêmica, prevalente, circulam cepas altamente virulentas de Toxoplasma e já foram relatados vários surtos da infecção, com a elevada contaminação do meio ambiente, incluindo a água consumida. O país apresenta uma das mais elevadas prevalências da toxoplasmose em todo o mundo.

Se não tratada, a infecção durante a gestação resulta em doença congênita em cerca de 44% dos casos. Estima-se que nasçam entre 5-23 crianças infectadas a cada 10 mil nascidos vivos, incidência bem mais elevada que na Europa.

As crianças com toxoplasmose congênita, quando a transmissão ocorre nos últimos meses de gestação, geralmente não apresentam manifestações clínicas evidentes ao nascimento e o diagnóstico é realizado por meio de exames como: sorológicos, imagem do SNC, fundo de olho e auditivos. Mesmo que aparentemente assintomáticas, essas crianças podem ter déficits cognitivos, motores e visuais, que serão diagnosticados tardiamente.

A triagem de anticorpos IgM específicos para T. gondii em amostras de sangue capilar seco (teste de triagem neonatal) pode identificar neonatos com toxoplasmose congênita, e esses resultados devem ser confirmados em testes sorológicos (IgG e IgM específicos) no soro de bebês e de suas mães.

“A toxoplasmose congênita é um importante problema de saúde no Brasil e necessita de medidas de controle da doença. O grande número de gestantes suscetíveis em um país continental como o Brasil, além das dificuldades operacionais dos programas pré-natais e a dificuldade em diagnosticar as infecções maternas adquiridas no fim da gravidez, são evidências da eficácia do tratamento iniciado precocemente nos recém-nascidos e constituem um forte argumento a favor da adoção da estratégia de triagem neonatal.”, alertou a assessora técnica  do serviço  de referência  em triagem neonatal e doenças raras da APAE Anápolis (Goiás) e secretaria da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), Eliane Santos.

SBTEIM

A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM) tem como objetivo principal reunir profissionais envolvidos com estudos e pesquisa relacionados à Triagem Neonatal no Brasil.

A entidade visa ainda estimular e divulgar os processos diagnósticos e terapêuticos de doenças genéticas, metabólicas, endócrinas e infecciosas, que possam prejudicar o desenvolvimento somático, neurológico ou psíquico do recém-nascido.

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