Esportes, Futebol

Torcedores lotam estádios e fazem tributos a vítimas

 

Familiares, torcedores e jogadores que não viajaram fazem um minuto de silêncio na Arena Condá. Foto: Fabrizio Motta /Fotoarena/Folhapress

O futebol viveu ontem (30) uma noite que vai entrar para a história. Torcedores da Chapecoense e do Nacional de Medellín lotaram seus estádios para realizar atos ecumênicos simultâneos e homenagear as vítimas da tragédia que deixou, na terça-feira (29), 71 mortos após a queda do avião que levava o time brasileiro à Colômbia para a final da Copa Sul-Americana. Duas tocantes demonstrações de solidariedade.

colombianos vestiram-se de branco para ir ao Atanasio Girardot. Foto: Reprodução/FacebookNo mesmo dia (30), no mesmo estádio (Atanasio Gi­rardot, em Medellín) e no mesmo horário (18h45 locais, 21h45 em Brasília) em que ocorreria o primeiro jogo da final, uma multidão vestida de branco conduziu uma inesquecível homenagem póstuma ao time da Chapecoense.

Longe dali, em Chapecó, familiares e amigos das vítimas foram homenageados na Arena Condá. Torcedores emocionados lotaram as arquibancadas do clube, segurando faixas e bandeiras. Os jogadores do Chapecoense que não viajaram e os atletas de base também participaram da cerimônia.

Na convocação para a cerimônia na Colômbia, o Atlético Nacional pediu para todos irem ao estádio “vestidos de branco e com uma vela branca em símbolo de solidariedade”. Os torcedores foram muito além. Estavam de branco, sim, mas muitos vestiam camisetas, vendidas do lado de fora do estádio, com os escudos dos dois times juntos.

O Atanasio Girardot, com capacidade para 44 mil pessoas, ficou cheio e milhares ficaram fora. A entrada era gratuita. Dentro, houve uma cerimônia inesquecível.
Uma grande coroa de flores adornava o círculo central do estádio, ladeada pelo escudo da Chapecoense em negro.

Os jogadores do Atlético Nacional entraram em campo com um ramalhete de flores brancas cada um. A todo instante, o coro “Ê, vamos, vamos, Chape” enchia o estádio, por vezes em volume ensurdecedor. O mote era intercalado por luzes de velas e lanternas. Faixas estendidas transbordavam solidariedade.

Entre as autoridades presentes estava o chanceler brasileiro, José Serra, que embargou a voz, chorou durante seu discurso e disse que jamais havia sentido uma emoção tão grande em sua vida.

“Nós, brasileiros, não vamos nos esquecer de como vocês sentiram como se fosse de vocês o desastre que interrompeu o sonho dessa heroica equipe da Chapecoense. Assim como não esqueceremos a atitude do Atlético Nacional e de todos que pediram que se conceda o título da Copa Sul-Americana ao Chapecoense”, disse Serra.

Emoção

Torcedores e parentes de jogadores se emocionaram muito durante o evento em Chapecó. O silêncio tomou conta do estádio durante um minuto, em homenagem aos mortos no acidente. Juntos, todos no estádio rezaram o “Pai Nosso”, e repetiram palavras do padre. Às 21h30, cantaram “sou Chapecoense, com muito or­gulho, com muito amor”.

Jogadores que não viajaram com o time, entre eles Nivaldo, Rafael Lima e Marcelo Boeck, deram uma volta olímpica no estádio, levando torcedores a salvas efusivas de aplausos.
No telão foram exibidos os nomes de cada atleta da Chapecoense que estava no voo, aplaudidos por todos. A cerimônia terminou às 22h, após contagem regressiva e gritos de “É campeão!”.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*