Editorias, Notícias, Política

Temer pede ao STF suspeição de Janot e o acusa de perseguição

temer-6O presidente Michel Temer pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem acusa de agir com “uma obsessiva conduta persecutória” para envolver o peemedebista em atos criminosos.

Uma petição foi entregue nesta terça (8) ao ministro Edson Fachin em meio ao inquérito que investiga o chamado “quadrilhão” do PMDB.

Não há previsão para Fachin tomar uma decisão. A expectativa é que a defesa recorra ao plenário caso o ministro negue o pedido. Janot não se manifestou.

“Estamos assistindo a uma obsessiva conduta persecutória”, escreveu Antônio Cláudio Mariz, advogado de Temer.

Para ele, o auge do conflito foi quando o procurador-geral pronunciou a frase “enquanto houver bambu, lá vai flecha”, em um congresso de jornalistas em São Paulo.

“Portanto, provar é de somenos, o importante é flechar”, disse. “O alvo de seu arco é a pessoa do presidente da República, não importam os fatos”.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira (7), Janot repetiu a frase, mas declarou que não age por motivos pessoais.

Conforme antecipou a Folha de S.Paulo, o objetivo dos advogados é impedir que Janot atue em ações contra Temer.

A estratégia também tem um tempero político: ao questionar o procurador, o presidente tenta desgastá-lo perante o Congresso, já que caberá aos deputados apreciar uma eventual segunda denúncia, depois de terem derrubado a primeira, por corrupção passiva.

O embate entre Temer e o procurador-geral teve início em maio, por causa da delação de executivos da JBS.

O empresário Joesley Batista gravou o presidente no Palácio do Jaburu, áudio que fez parte da colaboração.
Janot abriu investigações sobre Temer e o denunciou pelo crime de corrupção, alegando que o presidente era o destinatário da mala de R$ 500 mil entregue pela JBS ao seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures.

Mais duas denúncias que têm o peemedebista como foco são esperadas: de organização criminosa e obstrução de Justiça.

Delação suspeita

Mariz afirmou ao STF que “se tornou público e notório que a atuação do PGR, em casos envolvendo o presidente, vem extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa”.

O advogado também questiona a ausência de adoção de “óbvias providências”, como a análise da gravação apresentada por Joesley -a perícia só foi feita depois que a delação estava assinada e as investigações, abertas.

Mariz voltou a dizer que o áudio não compromete o presidente, pois não tem nada de concreto, apenas “meras deduções” do procurador-geral sobre a atuação de Temer.
Mariz chama de “delações suspeitíssimas” as da JBS.

O defensor de Temer acusou a Procuradoria de orientar os delatores a como agir no processo, inclusive em relação às gravações de áudios.

Mariz questionou o fato do ex-procurador Marcello Miller, que atuou em ao menos três delações da Operação Lava Jato, ter integrado a defesa da JBS após deixar o Ministério Público.

Janot pediu no último dia 2 a Fachin para deslocar a apuração sobre Temer por suspeita de envolvimento em organização criminosa do inquérito da JBS, aberto em maio, para outro mais antigo, que investiga políticos do PMDB e aliados -o chamado “quadrilhão”.

O PMDB da Câmara é suspeito de ter atuado como uma organização criminosa que lesou a Petrobras e a Caixa. Para investigadores, Temer, que era deputado federal até assumir a Vice-Presidência em 2011, participava dos esquemas desse grupo.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*