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Temer diz que não é ‘idiota’ para eliminar direitos

Irritado com os ataques da oposição, o presidente da República, Michel Temer, endureceu o tom do discurso, disse que seu governo não é “idiota” de retirar direitos de trabalhadores e resolveu deixar para 2017 a apresentação de seu projeto de reforma das leis trabalhistas.

A nova estratégia foi definida em reunião de sua equipe na terça-feira, quando se decidiu dar um freio de arrumação na comunicação dos ministros diante da análise de que algumas entrevistas foram desastradas e serviram para dar munição à oposição nos ataques a Temer.

O governo decidiu concentrar esforços para a aprovação da proposta de teto dos gastos públicos e da reforma da Previdência, deixando as mudanças nas regras trabalhistas para o próximo ano.

Segundo um assessor, Te­mer não pode comprar “várias brigas” ao mesmo tempo, o que pode acabar inviabilizando a aprovação das duas reformas consideradas essenciais neste momento.

A avaliação é de que, para recuperar a economia, gerar renda e emprego, seria muito mais importante agora aprovar o teto dos gastos e a reforma da Previdência.

A intenção do governo com a reforma trabalhista é permitir que acordos negociados por sindicatos e empresas prevaleçam sobre a legislação em alguns casos, o que pode abrir caminho para reduzir garantias que a lei oferece aos trabalhadores atualmente.

Ao falar sobre o tema na semana passada, o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, criou controvérsia ao admitir que a reforma permitiria a adoção de jornadas de trabalho de até 12 horas por dia para algumas profissões, desde que limitadas às 48 horas semanais previstas atualmente, incluindo horas extras.

Durante cerimônia no Palácio do Planalto ontem (14), Temer subiu o tom quando falou sobre o imbróglio e salientou que a carga horária só aumentaria para categorias que aceitassem a mudança em convenção coletiva e folgas estabelecidas.

“O que bombou nas redes foi que o governo estava exigindo 12 horas de jornada por dia”, afirmou o presidente. “Porém, isso é o que interessou aos jornais, é o que se alardeia, ou que se divulga, e se deixa de reproduzir a verdade dos fatos. É desagradável imaginar que somos um governo cidadão, com perdão da palavra, tão estupidificado, tão idiota que chega ao poder para restringir os direitos dos trabalhadores, para acabar com a Saúde, para acabar com educação”, prosseguiu.

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