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Temer assina intervenção no Rio e diz que crime se espalha como metástase

Temer assina intervenção no Rio e diz que crime se espalha como metástase
General Braga Netto comandará a atividade de segurança. Foto: Beto Barata/PR

O presidente Michel Temer assinou decreto nesta sexta-feira (16) determinando a intervenção na Segurança Pública do Rio de Janeiro. A medida nomeia como interventor o general Braga Netto, que comandará em nome das Forças Armadas a atividade de segurança. A assinatura foi feita antes de discurso que foi transmitido ao vivo em rede nacional de TV. Em discurso linha-dura o presidente Michel Temer reconheceu que a intervenção federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro é uma “medida extrema” e afirmou que não aceitará que “matem o presente” e continuem a “assassinar o futuro”.

No pronunciamento no Palácio do Planalto, o presidente disse que o crime organizado “quase tomou conta do Rio de Janeiro”. “(O crime) é uma metástase que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade do nosso povo. Por isso, acabamos de decretar neste momento a intervenção federal na área da segurança pública do Rio de Janeiro”. A previsão é que a intervenção dure até 31 de dezembro, podendo ser cancelada caso a situação da violência se normalize.

“Muita mídia”

O general Walter Braga Netto afirmou que a situação do Estado não é tão ruim quanto parece e que a imagem da crise é afetada pelo noticiário. Questionado se o cenário no Rio está muito ruim, ele negou, balançando o dedo indicador da mão direita, e emendou: “Muita mídia”.

O general fez o comentário na tarde de ontem (16), no momento em que subia para o gabinete do presidente Michel Temer (MDB). Braga Netto ocupou posto chave nos trabalhos do Exército na Olimpíada do Rio.

Em entrevista no Palácio do Planalto, Netto disse que ainda não havia um plano pronto para a intervenção e que havia recebido a missão de madrugada. “Recebi a missão agora. Vamos entrar na fase de planejamento. Nosso relacionamento com os órgãos de segurança do Rio de Janeiro sempre foi muito bom.”

O interventor disse que ainda não decidiu se fará mudanças nas cúpulas da Secretaria de Segurança e das polícias – pelo decreto, ele tem poder administrativo para isso.
Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros Estados com patamares ainda piores. No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 –contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

“Cortina de fumaça”

Parlamentares da oposição criticaram a intervenção no Rio de Janeiro. Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente da sigla, o decreto tem caráter político para “mudar a pauta do país”, e pode ampliar a “perseguição e repressão aos movimentos sociais”.

“É uma decisão política de mudar a pauta do país. Vendo que não ia aprovar a reforma da Previdência, mudaram a pauta, resolveram fazer a intervenção no Rio de Janeiro”, afirmou em discurso no plenário do Senado.

O líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), também afirmou que o decreto tem como objetivo criar uma “cortina de fumaça” sobre a reforma da Previdência.

No Senado, Ana Amélia (PP-RS), criticou a impossibilidade de aprovação de PECs (Proposta de Emenda Constitucional) durante o período de intervenção. “Como se isso não fosse pouco, aquilo que o próprio governo considera prioridade, que é a reforma da Previdência, fica empacado na Câmara”, disse.

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