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Temer age para engordar o PMDB e abre crise com Maia

Temer jantou ontem na residência oficial de Rodrigo Maia. Foto: Pedro Ladeira/FolhapressEm menos de 24 horas, o presidente Michel Temer conseguiu se indispor com dois partidos que, ao menos parcialmente, apoiam seu governo. Nesta terça-feira (18), primeiro dia do recesso parlamentar, o presidente abriu uma crise com DEM e PSB, mal-estar que tentou resolver até a noite, em um jantar na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A confusão começou com uma visita de Temer à líder do PSB na Câmara, Tereza Cristina (MS), para convidar os governistas da legenda a ingressar no PMDB. Foi uma tentativa de conter o avanço de Maia -seu sucessor caso seja afastado do cargo por conta da denúncia de corrupção passiva- sobre os parlamentares insatisfeitos com o comando do PSB. Maia quer conquistar estes deputados para engordar a bancada seu partido, o DEM.

Desde que a cúpula do PSB decidiu punir os parlamentares que votassem a favor das reformas trabalhista e da Previdência, praticamente metade dos 36 deputados da legenda se rebelou e manteve-se na base governista. É justamente sobre este grupo que Maia tem avançado. O presidente da Câmara articula uma migração para turbinar seu partido, hoje com apenas 29 deputados. A meta é chegar a 50 e tomar o lugar do PSDB como a terceira maior bancada.

“O presidente saiu dos seus afazeres presidenciais para fazer articulações políticas, o que mostra que a preocupação dele não é com os problemas do país, mas em salvar a própria pele”, afirmou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, para quem Michel Temer “não agiu como presidente, mas como chefe de partido”.

Após a confusão, Temer cancelou viagem que faria nesta quarta (19) a Pernambuco, principal reduto eleitoral do PSB. A versão do Planalto é de que o peemedebista postergou a visita para o dia 25 por uma questão logística. O episódio piorou ainda mais a relação de Temer com o governador Paulo Câmara, do PSB. Em Pernambuco, o presidente é criticado por, na avaliação de aliados de Câmara, não ter cumprido promessas de envio de recursos.is.

Diante da repercussão negativa, Temer passou o dia tentando contornar a situação. Chamou o ministro do DEM, Mendonça Filho (Educação), para conversar e, em jantar com Maia, ainda tentaria colocar panos quentes no atrito. Seu discurso de que não houve tentativa de interferir nos planos do DEM foi reproduzido por aliados.

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