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Taxa de desemprego sobe para 17,5% em fevereiro, mas região abre 11 mil vagas

Andaku: “recuperação só virá no segundo semestre”. Foto: Divulgação/ConsórcioA taxa de desemprego do ABC saltou de 17% em janeiro para 17,5% em fevereiro, a maior para o segundo mês do ano desde 2004 (19,6%), mas a região criou 11 mil postos de trabalho na mesma comparação.

Aparentemente contradi­tó­rios, os dois movimentos resultam do aumento da ocu­pação (1%), combinado à entrada de 22 mil pessoas na força de trabalho, como é chamada a População Economicamente Ati­va (PEA). Na prática, significa que esse contingente deixou a inatividade e passou a procurar emprego. Como a ocupação não cresceu na mesma quantidade, o número de desempregados aumentou 4,7%, para 244 mil pessoas, o que explica a alta na taxa.

Entre as possíveis explicações para o crescimento da força de trabalho do ABC está a queda na renda das famílias, que obriga cônjuges e filhos a ingressar no mercado para ajudar a honrar os compromissos do lar. Porém, ocorre também quando a “rá­dio peão” informa a quem es­tá desempregado que as em­­presas estão contratantes.

Para o economista Cesar Andaku, do Departamento In­tersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a primeira explicação é a mais adequada para o momento atual. “De forma geral, o noticiário econômico não tem sido fonte de estímulo (à procura por emprego). O aumento da PEA parece mais relacionado à situação financeira e à necessidade (de obter renda) do que a uma expectativa positiva”, disse Andaku, durante a divulgação da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo Dieese em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Consórcio Intermunicipal.

No corte por atividades, o aumento da ocupação resultou do acréscimo de 22 mil postos de trabalho nos serviços, enquanto a indústria fechou 22 mil vagas e o estoque de empregos no agregado comércio/reparação de veículos manteve-se estável.

“Nos serviços, a geração de vagas ocorreu principalmente nos segmentos mais ligados às empresas”, disse Andaku.

A pesquisa revelou ainda que o aumento da ocupação se deu entre os trabalhadores sem carteira (alta de 3,5%) e autônomos (1,1%), enquanto o contingente com carteira caiu (-1,1%), em um movimento típico do início de retomada da atividade econômica.
Porém, Andaku entende que ainda não é possível falar em retomada. “Alguma recuperação do emprego só deve vir no segundo semestre”, disse.

Continuidade da PED

Resultado de parceria retomada em 2011 pelo Consórcio Intermu­nicipal, a realização da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) no ABC tem sua continuidade incerta.

O contrato atualmente em vigor entre o colegiado e a Fundação Seade e o Dieese, que realizam a pesquisa, venceria em meados deste ano graças a um aditivo, mas o Consórcio teria solicitado a antecipação de seu encerramento para este mês.

Por isso, técnicos da Fundação Seade e do Dieese responsáveis pela divulgação da PED conversavam ontem (29) em tom de despedida com os repórteres que acompanhavam a coletiva na entidade.

Questionado, o secretário executivo do Consórcio, Fabio Palacio, informou por meio da assessoria de imprensa que a renovação do contrato está sendo analisada.

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