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Taxa de desemprego sobe para 12,6% e ocupação informal tem alta de 5% no país

Taxa de desemprego sobe para 12,6% e ocupação informal tem alta de 5% no país
Emprego com carteira caiu ao menor nível de série histórica iniciada em 2012. Foto: Arquivo

O desemprego no país voltou a crescer e atingiu 12,6% no trimestre entre dezembro e fevereiro, segundo dados divulgados ontem (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No total, há 13,1 milhões de desocupados, pior marca desde o período de três meses findo em julho de 2017.

Segundo o IBGE, a piora do cenário se deve à demissão dos funcionários temporários contratados no final de 2017, antes do Natal.

“No primeiro trimestre do ano a taxa tende sempre a subir”, disse o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo. Na comparação com igual trimestre do ano passado, a taxa de desemprego caiu 0,6 ponto porcentual.

Para, Sarah Bretones, da MCM Consultores, o quadro mais recente do mercado de trabalho é neutro. “(O cenário) mostra que o mercado de trabalho está melhor, mas num ritmo mais lento, já que tudo ficou praticamente estável em relação ao trimestre anterior”, disse.

Por enquanto, a recuperação continua sendo puxada pelo emprego informal. Há 10,761 milhões de profissionais sem carteira, o que corresponde a uma alta de 5% na comparação anual.

O número de trabalhadores com carteira assinada, por sua vez, caiu 1,8% em relação ao mesmo período de 2017 e chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 2012 (33,126 milhões).

Na comparação com o trimestre anterior, o trabalho sem carteira é o que teve a queda mais forte: de 3,6%, o que reforça a percepção de que os temporários contratados no final de 2017 não foram efetivados.

Embora os informais registrem, em média, salário inferior aos dos trabalhadores com carteira, a renda por empregado segue em alta e chegou a R$ 2.196 em fevereiro, descontada a inflação. Nos três meses até janeiro, o rendimento médio era de R$ 2.176 e, no mesmo período do ano anterior, R$ 2.148.

Por setor, indústria e serviços domésticos tiveram os maiores ganhos salariais.

Para Bretones, da MCM, a expansão do rendimento deve ficar próxima de zero em 2018. Porém, o emprego formal deve começar a apresentar crescimento na comparação anual nas próximas divulgações e repercutir, com defasagem, a melhora gradual da atividade econômica.

“É natural, após um período tão prolongado de recessão e incerteza dos empregadores”, disse a economista.

A equipe da consultoria Rosenberg também espera melhora adicional na taxa de desocupação nos próximos meses, seguindo a tendência observada a partir do segundo trimestre de 2017.

De modo geral, diz a consultoria, a qualidade do emprego também deve ser superior à registrada em 2017, com melhora do emprego formal. Por segmentos, a reação mais forte deve vir da indústria. Ainda assim, não há pressões à vista sobre a inflação.

O Itaú espera que o desemprego recue para 11,7% ao fim de 2018, com contribuição cada vez mais relevante do emprego formal.

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