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Taxa de desemprego recua para 14,1% em junho

Taxa de desemprego recua para 14,1% em junho
País ainda tem 14,444 milhões de pessoas sem trabalho. Foto: Arquivo

Em meio à reabertura de estabelecimentos comerciais e ao avanço da imunização contra a covid-19, a taxa de desemprego recuou de 14,7%, no primeiro trimestre, para 14,1% no trimestre encerrado em junho deste ano, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O país ainda tem 14,444 milhões de pessoas sem trabalho. Apesar do contingente elevado de desempregados, o resultado da Pnad Contínua surpreendeu positivamente a maioria dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast. A estimativa era de taxa de 14,5%, na mediana, no segundo trimestre.

“Olhando não apenas o desemprego, mas também os índices qualitativos, foi uma divulgação positiva do mercado de trabalho, em linha com o que acontece na economia como um todo, observando basicamente o progresso da vacinação, a reabertura econômica, o retorno das atividades à normalidade”, avaliou o economista-sênior do Banco ABC Brasil Daniel Xavier.

A recuperação do emprego para patamares pré-pandemia ainda vai depender do desempenho da atividade econômica e do impacto da inflação no poder de compra das famílias, que influencia a demanda doméstica, acredita Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Um fator que opera de forma bastante favorável para a recuperação do mercado de trabalho é a expansão da vacinação. Em muitas cidades, você tem a primeira dose em pessoas com 18 anos. Então, o avanço da vacinação é bastante importante para a retomada”, disse Adriana. “Porém, a gente sabe que não depende só do avanço da vacinação. Existem outros fatores que operam decisivamente para a recuperação do mercado de trabalho, que responde a estímulos na economia.”

INFORMALIDADE

Em apenas um trimestre, 2,141 milhões de pessoas conseguiram trabalho, embora mais de 75% delas continuem na informalidade. No segundo trimestre, 1,117 milhão de pessoas passaram a trabalhar por conta própria e sem CNPJ, ou seja, aderiram a esse tipo de atuação informal. O número de trabalhadores por conta própria subiu a um recorde de 24,839 milhões de pessoas em todo o País. Houve também a criação de 618 mil vagas com carteira assinada no setor privado.

Embora haja mais pessoas trabalhando, a massa de salários em circulação na economia ficou 0,6% menor no segundo trimestre em relação ao que foi pago no primeiro trimestre deste ano, perda de R$ 1,199 bilhão. Houve redução de 3% na remuneração média do trabalhador, R$ 79 a menos, totalizando R$ 2.515.

“A queda no rendimento médio pode ser explicada tanto pelo aumento da ocupação pelo canal da informalidade – que, tradicionalmente, tem remuneração mais baixa – quanto pela perda do poder de compra das famílias em função de pressões inflacionárias”, apontou Adriana, do IBGE. “O que a gente vê é que as pessoas reduzem o consumo para compatibilizar com esse nível de renda.”

METODOLOGIA

Para o economista João Leal, da gestora de recursos Rio Bravo Investimentos, a melhora nos indicadores em junho foi puxada pelo ajuste na metodologia da Pnad Contínua, que voltou a ter coleta presencial dos dados, o que deve gerar novo resultado positivo em julho. “A recuperação vai ser mais rápida no primeiro momento por conta do ajuste estatístico dos dados. Depois, vai se tornar mais gradual.”

O economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, concorda que o recuo da taxa de desemprego se deve à melhora na coleta de dados da Pnad Contínua, mas cita também a retomada econômica. “A Pnad estava sendo feita inteiramente por telefone na pandemia. Como um terço da amostra é de junho, já tem o efeito do aumento do número de telefones e da retomada parcial da coleta presencial”, lembrou.

A taxa de resposta da Pnad Contínua alcançou 59% para o trimestre até junho. A coleta referente à situação do mercado de trabalho em junho permaneceu em campo até o dia 30 de julho, já com entrevistas presenciais, informou no mês passado o órgão, quando anunciou o retorno parcial das atividades presenciais.

O pior desempenho foi registrado na pesquisa do trimestre encerrado em março deste ano, quando a taxa de resposta foi de apenas 52,5%. Antes da covid-19, a taxa de resposta da Pnad Contínua alcançava 89%. Segundo o IBGE, a coleta presencial é feita apenas nos casos em que não for possível obter os dados pelo telefone.

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