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Taxa de desemprego chega a 13,8% no trimestre encerrado em julho

Taxa de desemprego chega a 13,8% no trimestre encerrado em julho
Com a flexibilização cada vez maior da quarentena, a tendência é que as pessoas voltem a buscar trabalho. Foto: Tomaz Silva/ABr

O mercado de trabalho se­gue em deterioração no país. Em apenas um trimestre, 7,214 milhões de brasileiros perderam o emprego. Em um ano, o total de postos de trabalho extintos supera 11,5 milhões. A taxa de desemprego subiu para 13,8% no trimestre encerrado em ju­lho, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado é o pior em qua­se 30 anos, mostram cálculos dos pesquisadores Bruno Ottoni e Tiago Barreira, da consultoria IDados. Eles compatibilizaram informações das extintas Pnad Anual e Pesquisa Mensal de Emprego, ambas também do IBGE, para construir uma série histórica com início em 1992 que fosse compatível com a Pnad Contínua.

“O último recorde da taxa de desemprego tinha sido em março de 2017, quando alcançou 13,7%. Naquele momento, a gente já sabia que era o pior resultado desde 1992. Lá se vão três anos, e atingimos novo recorde, 13,8%. Nunca houve taxa de desemprego tão elevada assim desde então”, lembrou Ottoni.

Faltou trabalho no país para 32,892 milhões de pessoas, somados todos os subutilizados, sendo 13,1 milhões deles desempregados. A pesquisa do IBGE, que segue recomendações internacionais, só considera como desempregado quem de fato tomou alguma atitude para encontrar vaga. Embora a demissão de traba­lhadores tenha sido massiva, o número de desempregados aumentou em apenas 561 mil pessoas em relação a um ano antes.

A maioria das pessoas que perdeu emprego foi para a inatividade: em apenas um ano, mais 14,134 milhões de brasileiros não estão traba­lhando nem estão em busca de emprego, totalizando um ápice de 78,956 milhões.

“A gente observa grande frequência de pessoas alegan­do a questão da pandemia para não buscar trabalho”, revelou Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A explosão da população inativa foi o que ajudou a conter alta ainda maior na taxa de desemprego, que estava em 11,8% no trimestre encerrado em julho de 2019.

“A tendência é que piore (a taxa de desemprego), pelo menos até março de 2021. A gente tem de lembrar que vai acabar o auxílio emergencial. Mesmo que venha a Renda Cidadã, vai ser muito menor, não vai alcançar tantas pessoas como hoje. Vai acabar também o programa de sustentação ao emprego. Além disso, o início do ano é tradicionalmente um período de de­missões”, justificou Ottoni.

Os inativos que não procuram emprego em função da pandemia não são contabilizados no desalento – quando alguém deixa de buscar emprego por achar que não conseguirá uma vaga, por exemplo. Ainda assim, o desalento alcançou o recorde de 5,797 milhões de pessoas em julho, 966 mil a mais que um ano antes, salto de 20%.

“Tem uma piora no mercado de trabalho. Então o desalento acaba crescendo junto”, explicou Adriana. “A pessoa tem até potencial de fazer parte da força de trabalho, mas não fez busca efetiva porque não vê no mercado de trabalho condições favoráveis para sua ocupação.”

No trimestre encerrado em julho, 2,822 milhões de traba­lhadores com carteira assinada no setor privado foram dispensados, fazendo esse contingente de empregados formais descer ao menor patamar da série, de 29,385 milhões.

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