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T-Cross entra na disputa pela liderança do segmento de SUVs compactos

T-Cross entra na disputa pela liderança do segmento de SUVs compactos
Com formas robustas e
entre-eixos grande, o VW T-Cross parece maior do que realmente é. Foto: Luiza Kreitlon/Agência AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
Da Agência AutoMotrix

Demorou mais do que a Volkswagen esperava, mas o T-Cross finalmente entrou na disputa pela liderança entre os utilitários esportivos compactos. Em outubro, pela primeira vez, o SUV produzido a partir da plataforma MQB-A0 – a mesma do hatch Polo e do sedã Virtus – ultrapassou a barreira das 5 mil unidades. Com 5.084 emplacamentos, deixou para trás Ford Ecosport e Honda HR-V e “colou” nos líderes Hyundai Creta (5.324 unidades), Nissan Kicks (5.550) e Jeep Re­ne­gade (6.680).

Na versão básica, o T-Cross parte de R$ 84.990 com motor 1.0 200TSI de até 128 cv e câmbio manual. Na top 250TSI Highline, a VW vende o mode­lo a partir de R$ 109.990. Com todos os opcionais e pintura bicolor, o T-Cross Highline pode chegar a R$ 128.630, já pró­xi­mo da faixa dos SUVs médios.

O preço elevado aparentemente foi um obstáculo ao crescimento das vendas do T-Cross. Em um segmento que reúne tantos modelos, qualquer diferença no preço pode ser importante na decisão de compra.

A VW caprichou bastante no desenho do T-Cross. Por fora, é ligeiramente menor que os rivais Creta, Kicks e Renegade. Porém, com suas formas robustas, o entre-eixos grande herdado do Virtus e as colunas traseiras largas, o crossover parece maior do que realmente é. A frente alta é dominada pela grade ampla, ladeada por faróis em LED com luzes diurnas de mesma tecnologia. O para-choque frontal traz faróis de neblina e barra cinza com o nome T-Cross em baixo-relevo.

As portas traseiras grandes reforçam a impressão de maior tamanho. As rodas de liga leve de 17 polegadas com acabamento cinza são elegantes. A linha de cintura alta e o teto reto reforçam o “estilo SUV” do crossover, que ostenta na traseira grandes lanternas em LED, unidas por uma “ponte” de refletores estendida transversalmente. A tampa do bagageiro tem defletor de ar envolvente em preto.

O motor da versão 250TSI Highline é um 1.4 de quatro cilin­dros flex com turbocompressor, que entrega 150 cv a 4.500 rpm e 25,5 kgfm em 1.500 rpm, com qualquer combustível. Também é adotado no Tiguan Allspace e no Jetta. O TSI segue a tendência do downsizing e adota a injeção direta – o combustível é injetado sob alta pressão diretamente na câmara de combus­tão. A tecnologia permite maior pulverização do combustí­vel, o que melhora a combus­tão e cola­bo­ra para diminuir o consumo.

Em termos de equipamentos, todos os T-Cross vêm com controle de estabilidade (ESC), seis airbags, freios a disco nas quatro rodas com ABS, bloqueio eletrônico do diferencial, direção elétrica e ajuste de altura e distância para o volante, assistente para partida em rampa (Hill Hold), sensores traseiros de estacionamento, sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, faróis de neblina com função cornering (que ilumina mais a direção para onde o volante está apontado) e lanternas em LED, suporte para smartphone com entrada USB, travas e vidros elétricos e volante multifuncional.

As configurações automáticas acrescentam controle de velocidade, volante multifuncional revestido de couro, “paddles shifts” (troca de marcha no volante), duas entradas USB para o banco de trás, saída traseira de ar-condicionado e sistema de som Composition Touch com tela colorida sensível ao toque de 6,5 polegadas e App-Connect.

Na versão Highline, o mode­lo incorpora iluminação ambiente em LED, sistema start-stop, partida sem o uso de chave, retrovisores com rebatimento automático, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, bancos revestidos em couro e detector de fadiga do motorista. Opcionalmente, pode agregar cluster digital, central Discover Media, comando de voz, entrada USB no console central e seletor dos modos de condução, pintura de carroceria em dois tons, assistente de estacionamento, faróis full-LED, som Beats e teto solar panorâmico Sky View.

Em termos estéticos, dinâ­mi­cos e tecnológicos, o T-Cross se equipara aos concorrentes. Porém, ao chegar às lojas inicialmente apenas na versão top 250TSI Highline, o SUV logo “pegou fama” de caro. Para embalar de vez, talvez uma es­tratégia interessante fos­se manter os preços na linha 2020/21 – para, assim, ganhar competitividade.

 

Modelo não vacila nas ultrapassagens e tem espaço generoso

O Volkswagen T-Cross Hi­ghline 250TSI, com preços de R$ 110 mil a quase R$ 130 mil, não é feito para vender muito. Essa configuração foi desenvolvida para andar bem e impressionar dina­micamente.

Com 150 cv e 25,5 kgfm, o motor é bastante elástico. A opção de quatro modos de condução (Normal, Ecológico, Esportivo e Individual) permite explorar diferentes aspectos do “powertrain”. Mesmo no modo Eco, o modelo de quase 1.300 kg responde bem nas retomadas e não vacila nas ultrapassagens. No modo Sport e com as mudanças manuais do câmbio Tiptronic de seis marchas em “paddles shifts”, o potencial de dirigir esportivamente é ampliado.

O bom torque em baixas rotações, principal característica dos motores TSI, mostra seu valor no T-Cross. O câmbio automático tem relações longas e não é tão rápido nas trocas, mas permite tocada esportiva.

A dinâmica do T-Cross Highline é próxima à de um carro de passeio. A direção elétrica é adap­tativa – enrijece em altas velocidades, dando boa sensação de controle, e se torna extremamente leve nas manobras de estacionamento. Os freios bem dimensionados são precisos.

A suspensão é macia, ajustada para oferecer conforto e ate­nuar a buraqueira das ruas. Um “efeito colateral” dessa opção é alguma inclinação da carroceria nas curvas e nos desvios rápidos de trajetória, típica de modelos altos e com suspensão elevada.

O Park Assist 3.0 oferece auxílio para estacionar em vagas perpendiculares e com 45º. A função faz as manobras de saída e pode até frear o carro mesmo quando quem está no comando é o motorista, caso o sistema perceba o risco de uma colisão.

A BORDO

O modelo une porte de SUV compacto com um pacote tecno­lógico típico do segmento médio. Na versão avaliada, dotada de todos os op­cionais, estão presentes o as­sistente de estacionamento Park Assist 3.0, o teto solar pano­râmico, os faróis full-LED, o som premium Beats e o acabamento em couro.

Apesar do con­teúdo completo, pelos R$ 126.240 pedidos por essa versão cheia de opcionais poderiam estar presentes alguns sistemas de segurança semi-autônomos que andam em moda no setor, como o alerta de colisão, o assistente de faixa e o piloto automático adaptativo.

O espaço é generoso para um SUV compacto – o entre-eixos de 2,65 metros resulta em boa área livre para quem viaja no banco traseiro. A posição de dirigir elevada agrada aos fãs do segmento. Em termos de acabamento, o predomínio dos tons claros e a mistura de texturas no painel é agradável, mas o acabamento adota predominantemente plásticos duros. Os bancos em couro que mesclam tons de cinza claro e escuro agradam pelo visual e pelo conforto. Há duas entradas USB e difusores de ar para quem viaja atrás. O suporte para celular dá ao habitáculo aspecto um tanto “proletário”, inusitado em uma versão top de linha, mas po­de ser facilmente removido.

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