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Supermercados suspendem produtos de investigadas em operação da PF

Ministro Blairo Maggi, vistoriou o frigorífico SIF 530, da Seara, no Paraná. Foto: Pedro Ladeira/FolhapressGrandes redes de supermercado anunciaram nesta terça-feira (21) a decisão de retirar de suas gôndolas produtos das fábricas envolvidas na Operação Carne Fraca da Polícia Federal. As bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Assaí, do grupo GPA, informam que “suspenderam preventivamente” a compra das três fábricas interditadas na operação, duas unidades da Peccin e a BRF Mineiros. O grupo não informou qual a quantidade de produtos que recebia de tais fornecedores.

Por meio de nota, o GPA disse que, para os itens in natura, “todos os lotes de produtos de fornecedores recebidos em suas centrais de distribuição passam por processos internos próprios de auditoria, por amostragem”. A empresa não informa se já havia encontrado alguma inconformidade nos teste.

O Carrefour também diz ter retirado “preventivamente” das suas lojas os produtos vindos dos frigoríficos citados. A rede também diz que realiza análises laboratoriais periódicas nos perecíveis que recebe. A operação desencadeou decisões semelhantes no varejo regional. O paranaense Grupo Muffato informou que cancelou a parceria que tinha com o Peccin.

Questionado sobre se também suspenderia a venda dos produtos, o Walmart não respondeu. Procurada, a Apas (associação de supermercados) não quis comentar.

Irregularidades

O Ministério da Agricultura divulgou nesta terça-feira (21) uma lista das irregularidades investigadas nos 21 frigoríficos que foram alvos da Carne Fraca, na última sexta-feira (17), baseada em informações enviadas pela Polícia Federal. Entre as irregularidades mais comuns estão corrupção e embaraço da fiscalização, além do uso de produtos vencidos e poluição ambiental.

O frigorífico com problemas mais graves é o Peccin Agroindustrial, cujas unidades em Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC) foram interditadas pelo Ministério da Agricultura na semana passada, a pedido da PF. Nele, a PF identificou o uso de carne estragada em embutidos como salsicha e linguiça e aditivos e conservantes em limite acima do permitido.

Um frigorífico da Seara, pertencente à JBS, aparece na lista com “irregularidades no procedimento de certificação sanitária”. A unidade fica na Lapa (PR), onde o ministro Blairo Maggi (Agricultura) cumpriu agenda nesta terça (21).

Já na planta da BRF em Mineiros (GO), também interditada, há suspeitas de corrupção, embaraço da fiscalização internacional e nacional e tentativa de evitar a suspensão da exportação -no episódio da carga com indícios de salmonela que foi enviada para a Europa.

A lista ainda relata casos de poluição ambiental (Frigomax Comércio de Carnes, em Apucarana), venda de produtos vencidos com troca de etiquetas (Frigorífico Larissa), transporte de produtos sem temperatura adequada e substituição de matéria-prima por outros tipos de carne (Frigorífico Souza Ramos).

O Ministério da Agricultura afastou 33 servidores suspeitos de irregularidades, que são investigados pela PF, e estabeleceu um sistema especial de vigilância nos frigoríficos que foram alvo da operação.

Outro lado

As empresas investigadas na Operação Carne Fraca negam irregularidades. Em nota, a Peccin Agroindustrial manifestou “forte repúdio” ao que chamou de “falsas alegações” da investigação. Para a empresa, a divulgação das informações foi motivada como “justificativa para a Operação Carne Fraca”, porém, realizada de forma distorcida e precipitada. A empresa diz estar à disposição das autoridades e que está confiante de que eles saberão “discernir a efetiva veracidade dos fatos”.

A BRF e a JBS negam as acusações. Em comunicado, a BRF diz que está colaborando com as autoridades, que não compactua com práticas ilícitas e que seus produtos e a comercialização deles seguem “rigorosos processos e controles”.

Segundo a empresa, não houve irregularidade no caso da carga exportada para a Itália, porque, em 2011, a União Europeia definiu um novo regulamento para o controle de Salmonella em carne de aves produzidas localmente ou importadas. “O tipo de Salmonella encontrado em alguns lotes desses quatro contêineres é o Salmonella Saint Paul, que é tolerado pela legislação europeia para carnes in natura e, portanto, não justificaria a proibição de entrada na Itália”, informou a companhia.

A JBS, por meio de sua assessoria, afirmou que a empresa e suas subsidiárias “atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas”.

O grupo Argus também divulgou comunicado em que nega irregularidades, diz obedecer “rigorosamente” as observações sanitárias e de qualidade do Ministério da Agricultura e que se solidariza com a ação da PF, “entendendo que a mesma (operação) trará benefícios significativos ao setor, através de uma competitividade justa e adequada entre seus players”.

O frigorífico Souza Ramos, do grupo Central de Carnes Paranaense Ltda, diz que “colaborou no que foi possível” e que vai continuar colaborando com a Polícia Federal. A empresa afirma seguir as exigências de qualidade.

A reportagem ainda não teve resposta das empresas a respeito da lista divulgada pelo Ministério da Agricultura, que especifica as condutas investigadas para cada local.

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