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STF abre inquérito para investigar ex-presidente do PMDB

Para Raupp, acusações fazem parte da “indústria da delação”. Foto: Arquivo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou a abertura de novo inquérito para apurar as suspeitas de que o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) recebeu propina em contratos da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.

As suspeitas contra o parlamentar foram levantadas por Nestor Cerveró, ex-diretor da estatal petroleira e da BR e que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. Ao instaurar a investigação, Teori, relator dos inquéritos relacionados à Lava Jato no Supremo, acolheu pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Em parecer encaminhado ao STF, o PGR diz ter identificado indícios de que o parlamentar cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em seus depoimentos, Cerveró afirma que Raupp era o destinatário final do suborno pago por empresas que prestavam serviço na área de TI (Tecnologia da Informação) da BR.

De acordo com o delator, o gerente de TI, chamado Nelson, era afilhado político de Raupp e o responsável por contratar as prestadoras de serviço do setor. Disse, ainda,que os valores eram divididos entre o parlamentar, Nelson e o operador de Raupp, que Cerveró conhecia apenas como Itamar.

Nas palavras de Cerveró, o esquema teria vigorado de 2008 a 2014 e a fonte do suborno eram, na maior parte das vezes, contratos inferiores a R$ 1 milhão, que não precisavam passar pelo crivo da diretoria da BR. “Que um dos maiores, se não o maior contrato da área de TI era o da SAP, que era de R$ 6 milhões; que é de conhecimento do declarante que Nelson usava estratégia para dividir contratos e valores para que passassem abaixo do limite de um R$ 1 milhão, que por isso não precisavam da decisão da Diretoria da BR”, diz o delator.

Raupp informou, por meio de sua assessoria que jamais indicou qualquer empresa ao setor de TI da BR Distribuidora. “São acusações infundadas que fazem parte da chamada indústria da delação”, criticou.

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