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Soluções criativas de usabilidade são os pontos altos do Honda WR-V

Soluções criativas de usabilidade são os pontos altos do Honda WR-V
Na linha 2021, apresentada no ano passado, crossover recebeu retoques no estilo que lhe conferiram aspecto mais contemporâneo. Foto: Luiza Kreitlon/AutoMotrix

LUIZ HUMBERTO MONTEIRO PEREIRA
AutoMotrix

Há quatro anos, naquele distante começo de 2017, o Honda HR-V comemorava dois anos de liderança nas vendas brasileiras no segmento de utilitários esportivos. O sucesso do mode­lo era tamanho que, em março daquele ano, a marca japonesa aproveitou para lançar o WR-V no Brasil, com a missão de “fa­zer a ponte” entre o monovo­lume Fit e o HR-V. De lá para cá, o segmento de SUVs compactos teve verdadeira revolução, ficando con­gestionado de lança­mentos. Atualmente, modelos co­mo Jeep Renegade, VW T-Cross, GM Tra­cker e Hyundai Creta disputam a lide­rança e afastaram a Honda do protagonismo nessa disputa.

Ao contrário do HR-V, o WR-V sempre teve vendas discretas e jamais esteve perto da liderança. Porém, assim como HR-V e Fit, do qual é derivado, tem seu público fiel. Prova disso é que, no ano passado, foi reco­nhecido com o selo “Melhor Valor de Revenda”, na categoria SUV compacto, em estudo feito pela empresa especializada na ava­liação de automóveis Kelley Blue Book Brasil, indicando os mo­­de­los menos desvalorizados.

Na linha 2021 do WR-V, apresentada em setembro do ano passado, o crossover recebeu alguns retoques no estilo que lhe conferiram aspecto mais contemporâneo. De quebra, incorporou equipamentos e evoluções em termos de segurança, alguns reservados à configuração top de linha EXL.

Na frente, o WR-V EXL ostenta grade com área cromada mais estreita, com barras lon­gitudinais e acabamentos em bla­ck piano, que valoriza o logo­tipo da Honda ao centro. Os faróis de LED ampliam a luminosi­da­de e reforça a frente do modelo. O de neblina também tem lâm­pa­­das em LED, assim como as lu­zes diurnas de circulação.

Na parte traseira, o para-choque bojudo confere aspecto robusto, e as lanternas são em LED. O friso superior da placa vem na cor da carroceria, assim como as carenagens dos retrovisores e as maçanetas externas. A versão vem com rack de teto e as rodas de 16 polegadas têm acabamento escurecido.

Por dentro, a versão EXL do WR-V traz revestimento dos ban­cos em couro com costuras na cor preta. O volante multifuncional também tem revestimento em couro e agrega comandos de áudio, piloto automático e Blue­tooth. O painel traz friso do volante e molduras em black piano, com detalhes cromados.

A ergonomia é complementada por recursos como regulagem de altura e profundidade do volante e ajuste de altura do banco do motorista. Assim como os bancos revestidos em couro, são exclusivos da EXL o navegador GPS integrado ao sistema mul­timídia com tela de sete polegadas e interface para smartphones, os retrovisores eletricamente rebatíveis, sensores de estacionamento frontais e traseiros e o retrovisor interno fotocrômico (antiofuscamento).

Alguns detalhes internos do WR-V reforçam o foco na racionalidade e na versatilidade, características herdadas do Fit. É o caso do porta-copos inusi­tadamente posicionado do lado esquerdo do painel, entre o volante e a porta do motorista. Com modulagem para se adaptar com firmeza a diversos tipos de copo e a pequenas garrafas, fica situado bem junto a uma das saídas do ar-condicionado, o que ajuda a resfriar ou manter gelado o conteúdo da bebida ali abrigada, sem gerar despesa adicional. O aproveitamento dos espaços se potencializa no Magic Seat, o prático sistema de ajustes e rebatimentos dos bancos, também originário do Fit, que é de série na linha WR-V.

O SUV compacto produzido em Itirapina (SP) mantém em todas as versões o motor 1.5 i-VTEC FlexOne com 116 cavalos de potência a 6 mil giros e 15,3 kgfm de torque a 4.800 rotações por minuto, associado à transmissão CVT com conversor de torque. Na configuração EXL, o volante traz abas para trocas sequenciais de marchas comandadas pelo motorista.

Entre os aprimoramentos da linha 2021 estão a adoção dos controles de estabilidade e tração, do assistente de partida em aclive, do sistema de alerta de frenagem emergencial – em casos de frenagem brusca, o pisca-alerta é acionado três vezes – e do sensor crepuscular para acendimento automático dos faróis, de série em todas as versões. A estrutura de deformação progressiva ACETM (Advanced Compatibility Engine­ering) e as barras de proteção nas portas estão em toda a linha, mas só a versão EXL vem com seis airbags – fron­tais, late­rais e do tipo cortina.

Com 569 unidades vendidas em janeiro, o WR-V foi o 43º automóvel mais emplacado do país e o 11º no ranking dos SUVs compactos, posicionado entre o Caoa Chery Tiggo 5X (961 unidades) e o Citroën C4 Cactus (487). Como o Ford EcoSport, com 1.576 unidades vendidas em janeiro, deixou de ser produzido, é possível que em breve o WR-V consiga um lugar no top ten do segmento. A versão top de linha EXL é oferecida por R$ 96.600 – com acréscimo de R$ 1.500 para cores metálicas ou perolizadas (como o Cinza Barium do mo­delo testado) e de R$ 1.800 para o branco polar perolizado.

 

Desempenho ‘civilizado’ e interior aconchegante e funcional

A indefectível racionalidade oriental também deixa sua marca no WR-V em termos dinâmicos. É um veículo do tipo “civilizado”, que não se propõe a oferecer maiores rompantes de esportividade. As retomadas ocorrem de forma consistente graças ao motor 1.5 i-VTEC FlexOne com 116 cv e 15,3 kgfm, que se entende bem com o câmbio CVT, e a possibilidade de trocar as marchas manualmente permite atender a quem exige respostas mais ime­diatas do motor. Um propulsor turbinado talvez desse mais vigor às retomadas.

Se não ele­va a adrenalina do motorista, o crossover é ágil e eficiente no uso urbano. Nas estradas, o conjunto motor-câmbio se mostra um tanto barulhento em giros elevados, algo corriqueiro nos câmbios continuamente va­riáveis. A direção eletricamente assistida tem comportamento progressivo – é leve nas manobras lentas e ganha rigidez conforme o carro acelera mais.

Com amortecedores com ba­tente hidráulico e haste do amor­tecedor reforçada, barra es­tabilizadora projetada para re­duzir a rolagem da carroceria, o conjunto suspensivo que combina elementos do Fit e do HR-V foi projetado para possibilitar altura do solo de 20,7 cm e ângulos de ataque (o da frente, com 21º) e de saída (o de trás, com 30,1º) compatíveis com a proposta de um crossover compacto. Isso basta para o carro ultrapassar os buracos e quebra-molas sem comprometer o conforto e a agilidade no uso urbano.

A BORDO

O interior do crossover com­pacto faz o estilo aconchegante e preserva muita coisa do Fit. O acabamento é esmerado, dentro do bom padrão dos automóveis produzidos pela Honda no Brasil. O design é de um minima­lismo tipicamente oriental – sem firulas estilísticas, mas de admirável funcionalidade. Assim como o Fit, o WR-V aproveita muito bem o espaço.

Os engenheiros e designers da marca japonesa pensaram nos detalhes para proporcionar mais comodidade e conforto. Lá está o apoio para o pé esquerdo (que alguns concorrentes aboliram), o apoio central de braço (em couro), o ar-condicionado digital sensível do toque com a função de ajuste automático de temperatura, o Bluetooth com comandos HFT (Hands Free Telephone) e a câmera de marcha a ré multi­visão, além do criativo porta-copos na saída de ar-condicionado.

Um destaque é o Magic Seat Honda. De forma fácil, o sistema viabiliza múltiplas configurações de rebatimento de bancos e permite a acomodação de objetos de grandes dimensões no interior do veículo.

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