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Sob pressão, Bolsonaro envia Exército para combater fogo na Amazônia

Pressionado por lideranças de países europeus, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta sexta-feira (23) medidas para combater as queimadas na região amazônica com a ajuda das Forças Armadas, falou em tolerância zero, mas manteve a retórica de que as críticas são ataques à soberania nacional. Em pronunciamento na TV, o presidente disse que os incêndios florestais não podem ser pretexto para sanções internacionais.

A declaração foi uma resposta a ameaças de França e Irlanda de bloquear o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Os países devem discutir a crise ambiental brasileira em reunião do G-7 que acontece no balneário francês de Biarritz a partir deste sábado.

No segundo dia de reuniões com a força-tarefa que o governo montou para contornar a crise ambiental, Bolsonaro autorizou que militares atuem no combate ao fogo e contra o desmatamento ilegal, a pedido dos governadores. A operação se dará por meio de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), usada em situações excepcionais, como na crise de segurança do Rio. A primeira ação ocorreu ontem, com o envio de duas aeronaves modelo C-130 Hércules, da Força Aérea Brasileira, a Porto Velho, em Rondônia. Eles serão usados para despejar produtos que ajudem a apagar o fogo.

O Ministério da Defesa aguarda a liberação de R$ 20 milhões que estavam contingenciados no Orçamento deste ano para ampliar a ajuda. No pronunciamento que fez em rede nacional de rádio na TV, Bolsonaro justificou a medida com a necessidade de se reforçar a fiscalização na região. “Este é um governo de tolerância zero com criminalidade. E nesta área não será diferente”, disse o presidente.

Apesar das medidas, o governo reforçou ontem o discurso de que os focos de incêndio na Amazônia estão dentro da normalidade. Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron, trocaram acusações novamente. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), disse que Macron “se fardou” de colonialista e há grande articulação de partidos de esquerda para desestabilizar o País, que envolveria partidos da América Latina, ONGs e países europeus.

Bolsonaro, no entanto, ganhou aliados. Ele e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone. Trump “se colocou à disposição para nos ajudar na proteção da Amazônia e no combate às queimadas, se assim desejarmos, bem como para trabalharmos juntos”, escreveu o brasileiro nas redes sociais. Bolsonaro ainda conversou com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez, e com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Governadores

Até agora, apenas Roraima e Rondônia formalizaram o pedido de GLO ao Palácio do Planalto. Uma reunião com os governadores dos nove Estados que formam a Amazônia Legal está agendada para terça-feira. Bolsonaro avalia visitar a região nos próximos dias

Segundo governadores da região, o Planalto não informou quantos militares devem ir à Amazônia. O ministro Jorge Oliveira disse que o número será determinado pela Defesa após levantamento in loco. Segundo ele, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, colocou a Força Nacional a à disposição.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse ao Estado que as queimadas estão “atípicas” neste ano. Para ele, os incêndios têm relação direta com a exploração ilegal da terra e com “sentimento” de que está “permitido desmatar a floresta”. “A culpa é da ignorância de quem acha que desmatar é o caminho para o desenvolvimento”, afirmou.

O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), que já decretou estado de emergência, considera que todos os governadores devem aderir à GLO. “Vou ser muito sincero: É uma situação que os demais Estados têm de estar presentes, a não ser que queiram politizar, ir pelas ideologias deles. Não vou entrar nesse ringue de politizar a situação. Defendo a preservação e o agronegócio sustentável. O que eu preciso é gerar emprego”, afirmou ele ao ‘Estado’.

Protestos

O presidente foi alvo de protestos nas ruas de São Paulo, Rio e Brasília. Além disso, chegou a ser registrado um “panelaço” durante seu pronunciamento de rádio e TV à noite. Os relatos de panelaços em São Paulo incluem Moema, Bela Vista, Cerqueira César, Pompeia, Pinheiros, Panambi, Jardim São Paulo, Parelheiros, Vila Madalena, Vila Mariana, Perdizes e Santa Cecília. No Rio, houve atos em Tijuca, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Humaitá, Icaraí, Ipanema e Leblon.

Em São Paulo, houve ainda uma manifestação na Avenida Paulista, com concentração no vão livre do Masp. Entre os coros estavam “Fora Salles” e ‘Bolsonaro sai, a Amazônia fica”.

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