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Sindema pede afastamento de diretor do Quarteirão da Saúde durante sindicância sobre morte de enfermeira

Sindema pede afastamento de diretor do Quarteirão da Saúde durante sindicância sobre morte de enfermeira
Cerca de 70 servidores participaram de homenagem a Mariana Polizelli, que cometeu suicídio na sexta-feira. Foto: Divulgação

Colegas de trabalho da enfermeira Mariana Polizelli, encontrada morta na última sexta-feira (26) dentro do Quarteirão da Saúde, além de funcionários da Prefeitura de Diadema, fizeram ato em homenagem à servidora nesta segunda-feira. A profissional, que trabalhava no setor de endoscopia, teria tirado a própria vida injetando medicamentos na veia. Existe a tese de que Mariana tenha cometido suicídio após receber advertência.

Segundo a presidente interina do Sindicato dos Funcionários Públicos de Dia­dema (Sindema), Mara Neide Ferreira Linhares, cerca de 70 pessoas participaram da manifestação. “Foi muito representativa. Além da home­nagem, houve várias falas de repúdio, porque essa questão de assédio (moral) na saúde está muito persistente. Temos recebido denúncias de vários setores da saúde, como PS (pronto-socorro), HM (Hospital Municipal), Quarteirão da Saúde, Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Então, teremos de intensificar a pressão sobre projeto de lei, que estamos lutando há anos, de que o assediador seja punido”, afirmou.

Mara Neide afirmou que é prática frequente o assédio moral de servidores da saúde dentro do local de trabalho por parte dos superiores, que na maioria das vezes não são profissionais de carreira, mas sim terceirizados. Até o momento, segundo a presidente do Sindema, não há provas de que Marina cometeu suicídio por conta de assédio. Porém, para que o processo de averiguação da morte ocorra com traquilidade, o sindicato protocolou ofício junto à prefeitura pedindo o afastamento do diretor do Quarteirão da Saúde, que é servidor municipal, e da diretora de enfermagem, terceirizada da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

“Estamos abrindo sindicância. O fato ocorreu na sexta-feira pela manhã, após a Mariana ter sido chamada para u reunião a portas fechadas com o diretor do Quarteirão e a diretora de enfermagem. Sabemos que foi advertida verbalmente por conta de uma colega, que ao socorrê-la viu que tinha um requerimento de advertência assinado por Mariana, pela chefia da enfermagem e pelo diretor, dentro do bolso do jaleco. Tivemos acesso a essa advertência, mas não está em nossas mãos neste momento. Vamos retirá-la amanhã (hoje)”, pontuou.

Segundo Mara Neide, para seja aberto processo por assédio são necessárias provas humana e presencial, como gravação. Porém, na maioria das vezes, a proximidade do funcionário com a chefia, inviabiliza a obtenção de provas.

“Hoje, no ato, muitas pessoas falaram que está insuportável a situação (de assédio na saúde). O que tem ocorrido é que a prefeitura, quando escala a chefia dos locais, coloca da SPDM. Então, é uma relação extremamente desrespeitosa e de medo. A questão é que frequentemente mudam dia de trabalho, trocam a jornada, transferem o funcionário de local e isso, de certa forma, desorganiza toda a vida dos servidores. A justificativa é que o local já está com a quantidade necessária de funcionários. Porém, anterior a isso ocorrem perseguições pelos mais variados motivos”, destacou.

O Sindema, que tem 2.200 funcionários estatutários da saúde em sua base, afirmou que vai levar o caso à Câmara nesta quinta-feira. “Estamos pedindo o uso da tribuna para denunciar e iniciar um processo de discussão da viabilidade de um projeto de lei que preveja punição ao assediador”, destacou.

A PREFEITURA

A prefeitura informou por meio da assessoria que “a enfermeira do Centro de Especialidades Quarteirão da Saúde faleceu na última sexta-feira (26). A Secretaria de Saúde formou uma comissão de avaliação do evento inesperado visando o levantamento de informações, o suporte psicológico aos colegas de trabalho e o apoio à família. Os trabalhos da comissão foram iniciados na sexta-feira passada. A prefeitura está em luto e atenta às medidas de acolhimento que se fazem necessárias”.

A administração municipal informou, ainda, que por se tratar de um fato complexo e de multicausalidades, não serão divulgadas circunstâncias em respeito à história e à memória da profissional de saúde e do bem-estar de todos os do seu convívio.

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