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Servidores de Mauá criticam negociações entre prefeitura e sindicato

Servidores de Mauá criticam negociações entre prefeitura e sindicato
Jesomar Lobo: “tem um grupinho descontente, isso faz parte do jogo”. Foto: Arquivo

Um grupo de funcionários públicos de Mauá afirma que estão ocorrendo retaliações contra servidores que participaram de protesto pacífico esta semana. De acordo com os relatos, o ato foi motivado pela incorporação escalonada e proporcional à carga horária do abono salarial negociado no ano passado entre o Sindicato dos Funcionários Públicos (Sindserv) e a prefeitura. “Decidimos que todos iríamos trabalhar vestidos de preto esta semana. No segundo dia, os episódios começaram”, informou um servidor que não quis ser identificado. Segundo o trabalhador, cerca de 1,2 mil funcionários aderiram ao protesto. A Prefeitura de Mauá não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento da edição.

O funcionário disse que alguns trabalhadores foram advertidos diretamente pelas chefias de que aquele tipo de protesto não seria admitido e que houve pedido de transferências de servidores. “Disseram que a cor dessa gestão é amarela e não preta”, disse. Outra funcionária relatou que mesmo antes do protesto, servidores que fizeram críticas à administração teriam sido transferidos. “Atuo há 30 anos na saúde e me transferiram para Serviços Urbanos, apenas porque não aprovo a relação da prefeitura com o sindicato”, destacou.

Sindicato

As críticas dos servidores não são apenas à administração, mas também ao sindicato. A funcionária que relatou a transferência de área alegou que as negociações entre a direção da entidade e a prefeitura não são transparentes e que nem todo mundo é informado sobre o que é debatido. “A gente não sabia que o abono seria pago em duas vezes, por exemplo. Também não é verdade que a decisão pelo abono foi tomada após pesquisa entre os funcionários, porque eu e muitas outras pessoas não vimos essa pesquisa. Não fomos consultados”, disse.

O servidor também criticou a demora no avanço das negociações da campanha salarial de 2018. “Eles alegam que não nos passam as informações logo após as reuniões (entre prefeitura e sindicato) para não causar mais ansiedade, mas o efeito é o contrário”, afirmou.

O funcionário também criticou a administração do vale alimentação pelo sindicato, que é responsável pelo repasse do valor que a prefeitura paga para a empresa que fornece o cartão do benefício. “Agora querem administrar outros benefícios também”, completou.

O presidente do Sindserv, Jesomar Lobo, declarou que tem conhecimento sobre um grupo de descontentes, mas negou que os servidores não sejam informados sobre as negociações. “A gente mantém todo mundo informado sim, mas não podemos informar o que ainda não temos. Quando saiu o decreto com o abono escalonado, fizemos o que precisava para conseguir a revogação, no mesmo dia em que recebemos. Por isso, a negociação da campanha de 2018 ficou em segundo plano”, justificou.

Sobre a administração do vale alimentação, o sindicalista afirmou que foi um pedido da antiga gestão e que não existem queixas sobre o serviço. “A única coisa que acontece é a prefeitura passar o pagamento para a conta do sindicato, e horas depois a gente já paga a empresa”, afirmou. “Tem um grupinho descontente, isso faz parte do jogo, só que as pessoas têm que falar a verdade. Não induzir o trabalhador ao erro. Nosso site tem dois mil acessos por dia, informamos passo a passo o que acontece”, pontuou.

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