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Serra: ‘a economia de Santo André está em franca retomada

Paulo Serra: "No aniversário de 470 anos de Santo André, acredito que é importante refletir sobre a cidade que nós queremos para as próximas gerações. Com esse objetivo, criamos o programa Santo André 500 Anos, que vai pensar nas metas, objetivos e estratégias para as próximas três décadas do município. Uma cidade não se constrói pensando apenas no presente, muito menos olhando somente para o passado. Queremos deixar uma Santo André preparada e planejada para o futuro, que a cada aniversário seja um lugar melhor para se viver". Foto: PSA
Paulo Serra: “No aniversário de 470 anos de Santo André, acredito que é importante refletir sobre a cidade que nós queremos para as próximas gerações. Com esse objetivo, criamos o programa Santo André 500 Anos, que vai pensar nas metas, objetivos e estratégias para as próximas três décadas do município.
Uma cidade não se constrói pensando apenas no presente, muito menos olhando somente para o passado. Queremos deixar uma Santo André preparada e planejada para o futuro, que a cada aniversário
seja um lugar melhor para se viver”. Foto: PSA

Santo André completa hoje 470 anos, sendo os últimos seis sob gestão do prefeito Paulo Serra, que está em seu segundo mandato. O chefe do Executivo, em entrevista exclusiva ao Diário Regional, afirmou que passado o pior da pandemia de covid-19, a economia de Santo André está em franca retomada e que o incentivo ao empreendedorismo e à melhoria no ambiente de negócios foram essenciais na recuperação rápida do município. Confira a entrevista.

Passado o pior da pandemia, como está a saúde financeira da cidade?

A partir de 2017, implementamos um novo modelo de gestão que levou Santo André a recupe­rar a saúde financeira e retomar a capacidade de investimento, viabilizando diversas realizações que fizemos na cidade desde então. Naturalmente, a pandemia afetou a economia de todo o planeta, e Santo André foi impactada financeiramente naquele momento, assim como aconteceu com as outras cidades do país.

No entanto, a cidade se recuperou e o fato de termos construído uma base econômica sólida desde o início da gestão foi essencial para superarmos a crise provocada pela pandemia. Hoje a economia de Santo André está em franca retomada. No ano passado, por exemplo, fomos a cidade que mais gerou empregos no ABC proporcionalmente ao número de habitantes. Santo André está em situação financeira saudável e vamos seguir atuando com muita responsabilidade para seguir nesse patamar.

Quais ações o sr. implementou na área econômica no último ano e quais os resultados?

O incentivo ao empreen­dedorismo e à melhoria no ambiente de negócios, que é uma marca da gestão, foi intensificado no ano passado e foi essencial na recuperação rápida da economia andreense após a pandemia.

Um dos exemplos é o programa Mais Crédito Empreen­dedor, iniciativa que lançamos com o objetivo de organizar e divulgar as oportunidades de crédito e microcrédito produtivo ofertada para empreendedores de Santo André por empresas, associações, cooperativas, fintechs, dentre outros atores.

Implementamos também o Portal do Empreendedor de Santo André, que traz todos os serviços e oportunidades existentes no município para os empreendedores e trabalhadores.

A qualificação profissional também é um pilar importante, porque promove a inclusão por meio do trabalho. A Escola de Ouro Andreense ampliou sua atuação em 2022, levando capacitação para diversas regiões da cidade. Desde que foi criada, no final de 2019, já foram entregues mais de 50 mil certificados.

A pandemia impactou fortemente o setor de saúde. Quais avanços o sr. ressalta nessa área? Há novos projetos para o setor em curto e médio prazos?

A nossa gestão encontrou unidades de saúde caindo aos pedaços, literalmente, e com muitas questões financeiras para serem resolvidas, inclusive com atrasos nos salários. Tivemos muitas dificuldades para fazer as reformas, que eram urgentes, sem impactar a rotina dos usuários. Quando estávamos prontos para co­lher os frutos, com a casa em ordem, veio uma pandemia sem precedentes. Santo André foi uma das cidades que melhor lidou com a crise sanitária. Ins­talamos três hospitais de campanha e o tratamento ofertado foi digno de muitos elogios. Foi um desafio enorme, mas nenhum andreense ficou sem atendimento, mesmo nos momentos mais agudos da pandemia.

Agora, com os casos de covid controlados, nosso foco está na sequência do programa Qualisaúde, que visa modernizar todas as nossas unidades de saúde. Já conseguimos contemplar cerca de 30 equipamentos, entre UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPA (Unidades de Pronto Atendimento), outras quatro estão com obras em andamento.
Paralelo a isso, desde o ano passado estamos organizando mutirões para zerar as filas de consultas e procedimentos que ainda são reflexos da pandemia. Já foram realizadas forças-tarefa de várias especialidades, como ortopedia, urologia, oftalmologia, ginecologia, além de cirurgias em geral.

Outro avanço importante na saúde da cidade é a ampla reforma do CHM (Centro Hospitalar Municipal), que passa pela maior obra da sua história centenária e que vai transformar o equipamento em um dos mais modernos do ABC. As intervenções percorreram diversas áreas do hospital como pronto-socorro, centro cirúrgico, brinquedoteca, clínica médica, unidade de trauma, ala da psiquiatria, cozinha, administrativo, farmácia, fachada e rouparia. A reforma vem resolvendo problemas crônicos como infiltrações, vazamentos, além da troca dos elevadores.

Em fevereiro deste ano iniciamos um projeto-piloto para a instalação da telemedicina nas unidades de saúde. Começamos pela UPA Vila Luzita e, em breve, a novidade vai avançar para as outras unidades de pronto-atendimento e, depois, para as unidades básicas. Também estamos investindo no prontuário eletrônico, onde o médico vai ter acesso ao histórico do paciente, o que vai agilizar o atendimento.

Santo André registrou crescimento de quase 700% no número de lançamentos imobiliários. Como a cidade se prepara para essa demanda em relação à mobilidade, creches/escolas, saúde, entre outros setores que serão impactados?

Nossas unidades de saúde estão preparadas para esse aumento na demanda, que já temos observado desde antes da pandemia. Proporcionalmente, Santo André é uma das grandes cidades brasileiras com o maior número de unidades básicas de saúde por habitante. Temos espalhados por todos os territórios do município 35 equipamentos, o que equivale a uma unidade a cada 20.682 moradores. Como comparação, a Capital tem 472 equipamentos ou um a cada 26.263 munícipes. Isso nos transmite a segurança de que conseguiremos atender a demanda que irá surgir com o crescimento da cidade.

O mesmo podemos falar em relação à educação. Santo André inaugurou durante esta gestão dez novas creches e outras quatro serão entregues até 2024, zerando a fila por vagas. Também ampliamos o atendimento nos Centros Educacionais de Santo André (Cesas), com a entrega do Cesa Jardim Irene, uma das primeiras obras que inauguramos.

Em 2022 municipalizamos 17 escolas estaduais, aumentando a oferta de vagas, principalmente em período integral. Todas essas unidades vão passar por um amplo processo de revitalização e modernização.

Estamos também realizando investimentos de longo prazo na área de mobilidade. Um dos exemplos é o Complexo Santa Teresinha, maior obra viária das últimas décadas que terá impactos positivos não só para motoristas de Santo André, mas para todo o ABC e Capital. Entregamos a duplicação do Viaduto Adib Chammas, fizemos o Complexo Viário Cassaquera, ampliamos a frota de ônibus com 148 novos veículos, entre outras ações.

Segurança ainda é uma das maiores queixas da população. Mesmo não sendo atribuição apenas do município, quais programas o sr. destaca nessa área?

Santo André tem investido de maneira significativa nessa área, mesmo a segurança não sendo, de fato, uma atribuição que caiba principalmente ao município. Criamos o COI (Centro de Operações Integradas), que monitoria centenas de câmeras pela cidade e integra o trabalho da Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Polícia Civil, Samu, Departamento de Engenharia de Tráfego e Defesa Civil.

Elaboramos o novo estatuto da GCM após cerca de 30 anos de espera, entregamos 48 novas viaturas para a corporação, além de mais de 130 novos armamentos. Criamos ainda a Patrulha Maria da Penha, que tem protegido a vida de mulheres vítimas de violência.
No entanto, todos esses esforços, aliados às ações do Governo do Estado, não são suficientes para coibir de maneira definitiva a violência. Isso acontece por causa da nossa legislação, que é antiquada e acaba incentivando a impunidade. Sem uma atualização das nossas leis, todas as iniciativas do poder público, por melhor que sejam, não terão o efeito desejado.

Há queixas de moradores constatadas pela reportagem em relação à manutenção da região central e quanto ao barulho produzido pelos empreendimentos comerciais. Quais ações/programas há no sentido de minimizar as reclamações?

Toda a região central é contemplada com coleta de resíduos realizada pelo Semasa de segunda a sábado e conta com serviço de varrição de domingo a domingo. Este é um trabalho que está em constante melhoria, para evitar, o máximo possível, que se acumulem resíduos pela cidade. Neste ano, ampliamos as equipes responsáveis pela varrição no Centro, inclusive com atuação durante o período noturno.

Quanto ao problema de barulho, estamos combatendo o problema por meio da Operação Sono Tranquilo. O Semasa atua nos casos de excesso de ruído produzido por estabelecimentos comerciais, industriais, escolas de samba, templos religiosos e obras. Só em 2023, até o momento, foram realizadas 708 vistorias, que resultaram em mais de 70 multas.

A educação foi outro setor que precisou se reinventar com a covid. Como a cidade se preparou para as demandas do retorno pleno dos alunos as salas de aula e quais programas o sr. destaca?

A educação foi um dos setores mais desafiadores durante a pandemia. De um lado, precisávamos garantir o ensino de qualidade para os alunos, ao mesmo tempo em que fazíamos avaliações constantes sobre os protocolos sanitários necessários para evitar a transmissão da covid. Cada etapa foi definida com muito cuidado e responsabilidade.
Como parte do objetivo de não interromper o ensino, Santo André distribuiu 23.500 tablets para todos os professores do Ensino Fundamental, Educação Infantil, EJA (Educação de Jovens e Adultos) e alunos do Ensino Fundamental. Os equipamentos contam com chip integrado, permitindo acesso à internet.

A Secretaria de Educação organizou e desenvolveu algumas ações com o objetivo de atender os alunos da melhor forma possível, considerando as necessidades e prejuízos no processo de aprendizagem. Elaboramos ainda material específico com foco na recuperação do ensino.

Quais obras que estão em andamento ou serão iniciadas o sr. considera prioritárias neste momento?

Em março deste ano começamos a construir o maior complexo municipal de usinas solares do país. É um investimento muito simbólico, porque exemplifica algumas das características do nosso modelo de gestão, como inovação, utilização responsável dos recursos públicos, planejamento e respeito ao Meio Ambiente.

Também no mês passado começamos a resgatar um símbolo cultural importante para nossa cidade: o Cine Lyra, equipamento centenário de Paranapiacaba que foi um dos primeiros cinemas do país e que será totalmente restaurado.

Entre outras obras em andamento que podemos citar estão a construção do Hospital da Vila Luzita, a reforma do campo de futebol de Paranapiacaba, o Complexo Viário Santa Teresinha, o Hospital Veterinário Municipal e a reforma do Teatro Conchita de Moraes, que vamos entregar no aniversário da cidade.

A inclusão é prioridade nos governos. Quais programas a cidade implementou ou vai implementar que o sr. destacaria?

Santo André realiza iniciativas constantes direcionadas à inclusão. Um dos exem­plos é o Reabilita, centro especializado em reabilitação inaugurado em 2019, que atende pacientes com deficiência física, visual, intelectual e auditiva. É um equi­pamento com capacidade para atender cerca de 12 mil pessoas ao mês, previamente encaminhadas pelas unidades de saúde.

A criação da Secretaria da Pessoa com Deficiência, em 2020, foi outro marco importante no sentido de tornar Santo André uma cidade mais inclusiva.

Podemos destacar ainda como ações realizadas a instalação de brinquedos inclusivos nos parques e a revitalização e ampliação do Caem (Centro de Atendimento Educacional Multidisciplinar), além da reforma do Nanasa (Núcleo de Natação Adaptada de Santo André). Na Vila Príncipe de Gales, estamos construindo a nova sede do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD), que vai acolher, realizar ações e promover atividades com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos usuários.

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