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Sem representante do Estado, audiência pública em Diadema vira palanque da oposição

Cerca de 150 pessoas acompanharam a atividade na Câmara. Foto: Divulgação/Câmara de DiademaA audiência publica convocada pela Câmara de Diadema para debater o fim da integração gratuita nos dois terminais de ônibus administrados pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), na noite de ontem (6), acabou tendo seu foco desviado. Sem representantes da EMTU ou da Metra, empresa que administra o Corredor ABD, o evento virou palanque para os parlamentares da oposição criticarem o prefeito Lauro Michels (PV) e o aumento da tarifa do transporte municipal, reajustada em 26 de fevereiro.

Cerca de 150 pessoas acompanharam a atividade, que foi aberta pelo presidente da Casa, Marcos Michels (PSB), autor do requerimento que convocou a audiência. “Quero destacar que essa é uma iniciativa de todos os vereadores e que a nossa intenção é a não cobrança da integração, que isso não venha a acontecer no nosso município”, afirmou. O governo do Estado determinou a cobrança no início do ano, que está suspensa por força de liminar.

A Metra informou, por meio de comunicado enviado à Mesa Diretora, que não poderia participar do evento porque “o tema proposto está judicializado por interposição de ação popular de autoria do vereador Marcos Michels, em fase de verificação de validade e que a integração decorre de processo administrativo legal”. A EMTU não justificou sua ausência. A expectativa era que as empresas apresentassem números de passageiros, viagens e gratuidades, entre outros dados.

O secretário de Transportes, Lázaro de Lima Freire, lamentou a ausência das empresas. “Nossa ideia era vir e discutir uma solução para a tarifa de acesso”, pontuou. Freire, inclusive, lembrou que por diversas vezes o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se comprometeu a não cobrar a integração. Destacou também que os estudos que comprovam a necessidade da cobrança nunca foram apresentados à prefeitura.

O vereador Josemundo Dario Queiroz, o Josa (PT), aproveitou a sua fala para criticar Metra e EMTU pela ausência e pelo que chamou de “falta de diálogo com a cidade”, e afirmou que o assunto tarifa continua pautando as discussões do município, seja a do fim da integração ou do aumento da passagem municipal (reajustada de R$ 3,80 para R$ 4 nos pagamentos em cartão e R$ 4,20 em dinheiro). “Já que não tem nenhum representante do Estado, por que não debater a revogação do aumento?”, questionou. “Se somos a favor da população, vamos falar sim à integração e não ao aumento”, pontuou.

Os vereadores Sergio Ramos da Silva, o Companheiro Sérgio (PPS), e Audair Leonel (PPS) também reiteraram o pedido de revogação do aumento da tarifa do transporte municipal. “Participei em 2014 de algumas reuniões na Secretaria de Transporte e pude comprovar o desrespeito das empresas Metra e EMTU com a cidade”, afirmou Leonel. “Também estou sentido falta do nosso prefeito. Acredito que como ele levantou a bandeira contra a integração, deveria estar aqui. Faltou estar ao nosso lado, lutando com a gente e não mandar só o secretário de Transportes. Espero que na próxima audiência nosso prefeito não se acovarde, quando formos discutir o aumento da tarifa”, completou.

Vereador situacionista, Celio Lucas de Almeida (PSB) criticou as empresas que operam as linhas nas cidades pela falta de abrigos e conforto nos coletivos. O presidente da Câmara tentou amenizar a situação e afirmou que o grande número de pessoas reunidas mostrava a importância do tema e pontuou que os vereadores da situação vão ter de explicar sobre a necessidade do repasse na tarifa municipal.

“Estamos pressionando para as empresas manter os cobradores, e vão alegar que aumentam os custos. Temos muito mais estudantes que em 2014 usando o Passe Livre, que é gratuito. Muitos pagavam em 2014, nem que fosse 50%, e esse recurso ia para a empresa”, defendeu. “Precisa ter o bom senso. O Lauro em nenhum momento falou que não daria o repasse, estava contra a integração. Pode ser que entenderam em algum momento que não daria nenhum aumento, mas ele deixou muito claro que faria o repasse para poder cobrar da empresa um bom trabalho”, destacou.

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