Esportes, Futebol

Sem futebol, arenas buscam opções para se reinventar durante crise

Arenas buscam opções para se reinventar durante crise
No final deste mês, o Allianz Parque será transformado em um cinema drive-in. Foto: Arquivo

Os estádios brasileiros estão em um cenário ainda mais desolador durante a pandemia do novo coronavírus. A crise sanitária tirou as duas principais fontes de renda desses locais: os jogos de futebol e os grandes shows. Agora, os gestores admitem a busca por novas opções e até a repensarem o antigo modelo de negócio.

Um estudo da consultoria BDO prevê que os estádios dos 20 times que disputaram a Série A em 2019 tenham com a pandemia perda de receita bruta estimada em R$ 79 milhões. Alguns locais famosos do futebol brasileiro passaram a obrigar hospitais de campanha, casos de Pacaembu e Maracanã.

As arenas multiuso brasileiras construídas nos últimos anos por ocasião da Copa de 2014 têm sofrido com a longa quarentena. “Se o clube consegue retomar o calendário e ter algumas receitas seja por transmissão ou patrocínio, uma arena não consegue faturar porque depende principalmente de jogos e shows”, explicou Carlos Aragaki, coordenador da Câmara de Contadores do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e especialista em finanças do futebol.

Na opinião dele, as arenas precisem pensar em novas formas de faturar e até se preparar para a retomada lenda do futebol. “Não significa que, ao final da pandemia, o torcedor vai voltar de forma instantânea. É possível que sem uma vacina para o novo coronavírus, o público continue a evitar aglomerações e não volte aos estádios, a shows, cinemas, teatros e outras opções”, explicou.

A arena brasileira que mais recebe shows, o Allianz Parque, encontrou como alternativa o cinema drive-in. No final deste mês, o estádio do Palmeiras será aberta para receber 300 carros. As pessoas assistirão ao filme de dentro do veículo, a exemplo do modelo adotado principalmente na década de 1950. “A gente nunca se preocupou com aglomeração, mas agora temos de pensar nisso. Vamos criar um jeito para o público ter excelente experiência, mas de dentro dos seus carros”, disse o diretor de marketing e inovação do estádio, Márcio Flores.

Fora o drive-in, o Allianz Parque busca renegociar os contratos de 96 proprietários dos 160 camarotes. O objetivo é ter novos acordos seja para extensão contratual ou desconto de taxas para não perder os parceiros.

A Arena Fonte Nova também passa por fase complicada e se dedica a atrair eventos para compensar as perdas de 2020. “A gente tem trabalhado fortemente na captação de grandes eventos que devem ser realizados em 2022 e 2023 no Brasil”, afirmou o presidente da Fonte Nova, Dênio Cidreira. A administração da Arena Castelão, em Fortaleza (CE), admite que, no momento, tem buscado cortar custos. A Arena das Dunas, em Natal (RN), estima que a paralisação dos eventos provocou queda de 80% na receita deste primeiro semestre.

“Por serem recentes, a maioria das arenas estavam praticamente no primeiro ciclo de implementação de modelo de negócio e, como acompanhamos, com raros exemplos de sucesso, como o Mineirão e o Allianz Parque, no que diz respeito a calendário de conteúdo, experiência e finanças”, afirmou o fundador e diretor de criação da Lmid, Gustavo Herbetta, ex-gerente de marketing do Corinthians.

Print Friendly, PDF & Email

Deixe eu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*