Política-ABC, Sua região

Segundo turno põe em jogo hegemonia política na região

Eleitores de quatro municípios do ABC voltam às urnas amanhã (30) para o segundo turno do pleito municipal. Mais do que a definição dos novos chefes dos Paços de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá, está em jogo a hege­mo­nia política da região.

No comando do governo do Estado há 22 anos, o PSDB pode deixar a condição de co­a­djuvante no ABC para assu­mir o protagonismo local. Além de ser o berço do PT, a região é dominada pelo partido da estrela vermelha desde 1982 – quando, em Diadema, Gilson Menezes entrou para a história ao ser o primeiro petista a vencer uma eleição majoritária.

Vitoriosos nas eleições em São Caetano (José Auricchio) e Rio Grande da Serra (Gabriel Maranhão, reeleito), os tucanos disputam o segundo turno em Santo André e São Bernardo. Caso confirmem o amplo favoritismo expresso nas pesquisas de intenção de voto, Paulinho Serra e Orlando Morando elevarão para quatro o número de prefeituras comandadas pelo PSDB no ABC a partir de 1º de janeiro – resultado jamais obtido pelo partido, que disputou eleições municipais pe­la primeira vez em 1988.

A ascensão do PSDB no cenário político da região coincide com a derrocada do PT. Centro do escândalo do “petrolão” e das investigações da Operação Lava Jato, o partido corre o risco de iniciar 2017 sem um único prefeito nos sete municípios, o que não ocorre desde 1983.

Para o PSDB, ganhar espaço no ABC e quebrar o chamado “cinturão vermelho” – formado por cidades no entorno da Capital governadas por petistas – tem importância estratégica e simbólica tão grande, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) fez verdadeira “peregrinação” es­­ta se­­mana na região, cumprindo agendas eleitorais nos quatro municípios.

Além de participar de atividades de campanha de Serra e Morando, o tucano pediu votos para os aliados Lauro Michels (PV) em Diadema e Atila Jacomussi (PSB) em Mauá. Verdes e socialistas integram o bloco costurado em 2014 pelo tucano que lhe garantiu a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

Dos oito municípios atu­almente administrados pelo PT na região metropolitana, o partido manteve o poder em um (Franco da Rocha) e disputa o segundo turno em Santo André e Mauá, com os prefeitos Carlos Grana e Donisete Braga buscando a reeleição. Com o cinturão vermelho mudando de cor, Alckmin vai pavimentando sua candidatura presidencial em 2018.

Embate direto

No ABC, dos quatro municípios em que ocorre o segundo turno, apenas em Santo André haverá embate direto entre petistas e tucanos. Em debates e sabatinas, Paulinho Serra apostou no desgaste do PT para manter a dianteira obtida na primeira fase e acusou o prefeito Carlos Grana de ter “petezado” a administração. O chefe do Executivo, por sua vez, tentou colar no ex-secretário de seu governo a imagem de “traidor” e de “repre­sen­tante da velha política”.

Até mesmo em cidades onde não disputa o segundo turno o PT se manteve nos holofotes. Em São Bernardo, Morando acusou seu adversário, Alex Manente (PPS), de receber apoio velado de petistas. O popular-socialista, por sua vez, explorou a aliança do tucano com o PCdoB, parceiro histórico do PT.

Em Diadema, o oposicionista Wagner Feitoza, o Vaguinho (PRB), evocou a vitória “de virada” de José de Filippi Júnior (PT) em 2004 para motivar a militância, em meio a pesquisas de opinião que dão favoritismo a Michels. Nesta semana, o republicano recebeu o apoio de entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT), espécie de braço sindical do PT. “Vocês são peça-chave nessa campanha”, disse Vaguinho, na ocasião.

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