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Secretário de Saúde de Mauá assume em meio à disputa com FUABC

Secretário de Saúde assume em meio à disputa com FUABC
Ricardo Burdelis e Atila Jacomussi: “todas as possibilidades estão sendo discutidas”. Foto: Caio Arruda/PMM

O novo secretário de Saúde de Mauá, Ricardo Burdelis, foi oficialmente apresentado na tarde de ontem (7). Burdelis assume a pasta com um grande problema para lidar: a renovação ou não do contrato de prestação de serviços com a Fundação do ABC (FUABC), que atua como organização social de saúde por meio da Cosam (Complexo de Saúde de Mauá) nos equipamentos da cidade.

A FUABC e a Prefeitura de Mauá discutem desde o ano passado os valores cobrados pela instituição da administração municipal. O contrato, que venceu em 28 de fevereiro, foi renovado por mais 30 dias. Ao final desse prazo, o governo espera já ter equalizados os números da dívida – que a FUABC alega ser de R$ 123 milhões – para decidir se o contrato será renovado ou a organização social substituída.

“A questão da Fundação é um problema complexo, que é dessa gestão, é das anteriores e não é só da Secretaria de Saúde. É do governo”, declarou Burdelis. “O contrato vence agora no final do mês e o que posso falar é que todas as cartas estão na mesa. Temos de analisar qual o caminho que Mauá vai seguir. Nesse momento ainda não temos uma definição. Porém, todas as possibilidades estão sendo discutidas”, pontuou.

Sobre a dívida, que vem sendo discutida em uma comissão formada em dezembro por integrantes da administração municipal e da FUABC, o prefeito Atila Jacomussi (PSB) afirmou que “a Fundação tem de apresentar o cumprimento de todo o plano operativo, principalmente as notas fiscais atestadas dos serviços”.

“Estamos aguardando que tudo isso seja apresentado, porque não podemos pagar o que não está atestado. Estamos chegando perto dos números finais. Não iremos pagar nada que não estiver comprovado”, destacou Atila.

O novo secretário confirmou que a administração já sonda outras organizações sociais para assumir os equipamentos da cidade, caso o contrato com a FUABC não seja renovado. “Todas as possibilidades estão sendo analisadas. Podemos continuar, ter outra OS. Não tem nada fechado. Realmente o prazo é curto, mas antes da minha chegada isso já vinha sendo debatido e estou me apoderando de tudo isso agora”, destacou.

Críticas

O prefeito não poupou críticas ao ex-secretário de Saúde da cidade Marcio Chaves (PSD), que deixou o cargo em dezembro de 2017 e atualmente está à frente da Secretaria de Saúde de Santo André. “Não me admito mais errar na saúde. Vou me cobrar a todo momento. Hoje temos um secretário técnico, que vai trabalhar pela cidade, que vai respeitar a Câmara Municipal, que são os representantes do povo. Ouvir a população. Vai estar presente e percorrer as UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) e as UBSs (Unidades Básicas de Saúde)”, afirmou, sem citar o nome do ex-gestor.

“Tem diretoras de equipamento aqui que sempre brincavam: ‘a cara do prefeito estou cansada de ver, estou ansiosa agora para ver a cara do secretário de Saúde’, e era difícil. Agora temos um secretário no mesmo ritmo do prefeito. Vamos ter um grande secretário, tenho certeza que até o último ano do meu mandato, que será de oito anos, se Deus quiser”, afirmou.

Questionado se a escolha de Chaves foi um erro, Atila preferiu não ser tão incisivo. “Não citei nomes. Acho que quando acerta e erra é uma equipe. O prefeito faz apostas e apostamos em um modelo de gestão que não atendeu a vontade do povo, o que o povo realmente precisava e a minha vontade. Temos a convicção agora que não existe mais a oportunidade de estar errando. A saúde não permite isso”, pontuou.

Conversa

Atila Jacomussi destacou que uma das principais mudanças de sua gestão será com relação ao cumprimento da carga horária dos médicos. Com declarações enfáticas, como “vamos começar uma nova era na saúde de Mauá e ter controle no horário dos nossos médicos”; “se temos que cumprir horário, o médico também vai ter que cumprir as 40 horas, não pode ficar mal acostumado como ficou no passado”, o prefeito afirmou que essa vai ser uma das principais tarefas do novo secretário.

Ricardo Burdelis, por sua vez, afirmou que o problema será resolvido na base da conversa. “Posso dizer bem porque sou médico e entendo os médicos. O que a gente vai fazer? O mais simples e o que mais falta em qualquer instituição, precisamos de comunicação. Vamos conversar com os médicos, porque entendo alguns questionamentos deles, assim como a prefeitura precisa de respostas do trabalho deles”, afirmou.

“Juntamente com a equipe, vamos conseguir, tenho certeza, em uma conversa com os médicos que também estão ansiosos para passar os problemas deles.O médico não sai de casa para reclamar, sai para trabalhar, para atender a população.Então, precisamos entender os problemas deles, mas eles precisam cumprir os horários”, completou.

Questionado sobre a adoção de uma medida mais técnica, como registro de ponto biométrico, Burdelis declarou que isso também está sendo discutido e que pode ser adotado. Porém, segundo o secretário, ainda não existe definição a respeito.

um comentário

  1. Em todos os processos seletivos da fundação fui aprovada em Mauá, infelizmente nunca consegui a vaga, e quando questionava a resposta era a mesma, não temos vagas no momento, e como moradora da cidade, só observava as pessoas com os famosos cartuchos assumindo, este é o retrato da nossa política infelizmente.

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