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Secretário de Governo de Mauá é detido em Operação da Polícia Federal

Secretário de Governo de Mauá é preso pela PF
Foram expedidos mandados de busca para a residência do prefeito de Mauá e para a sede do Executivo. Foto: Divulgação/Derly Acosta

O secretário de Governo de Mauá, João Gaspar (PCdoB), foi detido ontem (9) pela Polícia Federal durante execução de mandado de busca e apreensão em sua residência. Suspeito de integrar esquema de desvio de recursos de merenda escolar, uniforme e apostilas, o gestor tinha guardado em sua casa R$ 588.417 em espécie.

A Operação Prato Feito, deflagrada ontem, tem como objetivo desarticular cinco grupos criminosos (e 29 empresas) suspeitos de desviar recursos da União destinados à educação em municípios dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. A polícia cumpriu 154 mandados de busca e apreensão, mas as diligências continuam. No ABC foram cumpridos 19 mandados em Mauá, São Bernardo e Santo André.

Segundo a PF, foram apreendidos R$ 87 mil na casa de outro gestor de Mauá, que também foi detido, mas não teve o nome divulgado. Ambos foram detidos por suspeita de lavagem de dinheiro. Também foram apreendidos R$ 12.250 na casa de um empresário em Mauá; R$ 34.250 no imóvel de um empresário em Santo André; R$ 30 mil na residência de um empresário em São Paulo; e R$ 17 mil na casa de um empresário em Salvador.

Durante três anos a Polícia Federal investigou o suposto esquema, a partir de denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU), em 2015. As investigações apuraram que grupos criminosos agiam em 30 municípios, contatando prefeituras por meio de lobistas, para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

Há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, um vereador, 27 agentes públicos não eleitos e outras 40 pessoas da iniciativa privada. A Controladoria Geral da União identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bilhão.

Campanha

De acordo com a representação da PF, que tem 354 páginas e está disponível na internet, João Gaspar teria recebido R$ 138 mil, em 2016, para a campanha de Atila Jacomussi (PSB) e também em participado de desvio de recursos na Prefeitura de Peruíbe. O documento aponta que uma das empresas que supostamente pagavam valores periodicamente para Gaspar, a Reverson Ferraz da Silva ME, foi contratada pela Prefeitura de Mauá em julho de 2017 para fornecimento de uniforme escolar.

A PF também indica que Fábio Favaretto, proprietário da Le Garçon, foi interceptado em uma ligação telefônica com outros investigados garantindo que se Atila fosse eleito, sua empresa conquistaria contratos para fornecimento de merenda. Em 2017, já na gestão Atila, a empresa Fênix Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. foi contratada e a suspeita é que tanto a Fenix quanto a Le Garçon sejam do mesmo grupo.

As escutas telefônicas flagraram empresários e lobistas envolvidos no suposto esquema conversando e citando a necessidade de estabelecer acordos com o então candidato a prefeito da cidade, Atila Jacomussi. A representação da PF cita que “todo o conjunto probatório retrata que o dinheiro constitui a propina paga para a obtenção de futuros contratos públicos, ao que em muitas prefeituras já foram identificados inclusive contratos firmados por empresas dos empresários corruptores”.

Foram expedidos mandados de busca para a residência do prefeito de Mauá e para a sede do Executivo. Em nota, a assessoria de imprensa informou que a PF esteve na sede da administração municipal em busca de processos referentes à gestão passada.

“A prefeitura disponibilizou toda a documentação necessária e está colaborando com a investigação. O prefeito Atila Jacomussi compareceu voluntariamente à PF para prestar mais esclarecimentos. O secretário de governo também prestou esclarecimentos. O governo municipal atua de forma transparente e está à disposição para quaisquer esclarecimentos”.
Segundo informações apuradas pela reportagem do Diário Regional, Atila permanecia na sede da PF, acompanhado pelo núcleo duro do governo, prestando depoimento até o fechamento da edição.

2 Comentários

  1. Boa noite. Já alteramos o crédito.Obrigada pelo contato.

  2. Bom dia, Diário Regional, se puderem citar, por favor, essa foto fui eu que tirei na data de ontem. No mais, parabéns pela matéria e cobertura.

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