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Secretário-adjunto de Saúde de Diadema afirma que medidas para evitar o contágio vão até que se ache vacina para o covid-19

O médico sanitarista e secretário-adjunto da pasta de Saúde de Diadema, Flavius Augusto Olivetti Albieri, afirmou ao Diário Regional que os casos de coronavírus encontram-se em ascendência, mas em velocidade lenta e que podem estar sendo controlados pelas medidas tomadas pelo Estado e pelo município.

Albieri afirmou que o vírus teve uma rota de início no Brasil, que está sendo estudada, e que há muitas dúvidas em relação se o primeiro caso aconteceu pós-carnaval ou se, já em janeiro, estava aqui. “Tudo ainda são dados a serem confirmados.”. Confira a entrevista.

O ABC vive alta de casos de coronavírus nos últimos dias. Tomando por base que a taxa de isolamento se mantém na média de 49%, qual a explicação para esse boom e essa curva vai crescer ainda mais? 

Os números de casos notificados e casos confirmados, em Diadema, ainda encontram-se em ascendência. Tem uma velocidade lenta, mas ainda ascendente. Pode estar sendo controlada pelas medidas tomadas pelo Estado e município, mas a curva ainda não está declinando. Continua ascendente.

O vírus teve uma rota de início no Brasil, que está sendo estudada. Há muitas dúvidas em relação se o primeiro caso aconteceu pós-carnaval, ou sejá, em janeiro já estava aqui. Tudo ainda são dados a serem confirmados. Os primeiros que tiveram contato com o vírus foram aqueles que viajaram para focos mundiais, seja a China ou Europa. No Brasil, tivemos contato pela cepa européia, italiana, e os primeiros que tiveram contato foram os que viajaram e tiveram contato com quem viajou.

Inclusive por conta do comportamento inicialmente ao país da Europa, verifica-se um acesso a esse vírus até social, no sentido de comerciantes, turistas que tem acesso a viagens. Então, num primeiro momento, foi social mesmo. Depois foi se dispersando como uma onda nas regiões centrais, principalmente aqui em São Paulo, depois para regiões periféricas, como é o ABC. Essa é a rota do vírus. Inclusive o governo do Estado vem acompanhando os números da interiorização do vírus em São Paulo e do litoral. E a gente está dentro desse cenário. Que, por mais que tenham feito as medidas de isolamento, ainda não se conteve 100% do desenho que a gente vem repetindo como outros países do mundo.

Estamos hegando no inverno, período de maior incidência de problemas respiratórios. Esse cenário facilita a infecção?

O problema não é só o inverno em si, porque nós ainda estamos no outono e teve muita amplitude térmica, de dia, de noite, dias mais secos, tudo isso desfavorece o corpo em relação à imunidade. É muito trabalhoso para o corpo se adaptar a essas mudanças de amplitude, de dia mais quente, de noite mais frio. O corpo gasta certa energia e uma reserva imunológica pra isso, para compensar, e aí ele fica mais suscetível à infecções, não necessariamente só do coronavírus, mas de outros vírus, como influenza, ou baterias.

Existe risco maior de contágio para pessoas que moram próximas a equipamentos de saúde?

Não só equipamentos de saúde, mas em locais que aglomeram pessoas com carga viral positiva. Por óbvio que os equipamentos de saúde são procurados por pessoas possivelmente doentes pelo coronavírus e a viremia é maior, há maior possibilidade de contágio. Há alguns estudos que esses ambientes de saúde só devem ser visitados em casos de extrema necessidade, com todas as precauções, uso de máscara, evitar tocar, manter distância, distanciamento social. A prefeitura está fazendo desinfecções em equipamentos públicos, não necessariamente equipamentos públicos de saúde, mas também aqueles que geram aglomerações como terminais de ônibus, bancos, mercados, justamente para diminuir essa viremia do contato.

Alguns infectologistas dizem que o vírus não tem pernas nem asas. Como se dá a dispersão do vírus em áreas abertas e em quais materiais ele fica ativo por mais tempo?

É preciso lembrar que vírus não voa, é carregado por micropartículas. É um parasita,  depende de um outro ser vivo para viver. Não fica disperso para viver por muitas horas ou dias em outros lugares, ele precisa de matéria orgânica para viver. Por exemplo, a saliva. Acontece que tem partículas que a gente vê, por exemplo quando fala que saem aqueles perdigotos, ou aquelas que ficam no aerossol de um espirro. Em ambientes que não têm circulação, por exemplo, um consultório odontológico, esse aerossol gerado pela caneta de alta rotação fica suspenso no ar, porque é muito leve e pode ficar suspenso por até oito horas e, aos poucos, ele vai decantando. Por isso que os ambientes precisam estar sempre abertos para que o ar circule e deposite no chão o vírus.

Em estudo recente, o novo coronavírus sobreviveu por 72 horas no aço inoxidável e no plástico; no papelão, a sobrevida foi de 24 horas (1 dia); e no cobre, por 4 horas. Tudo isso é sempre revisto a cada estudo que é feito, mas para cada um, há um tempo. O mais importante é a limpeza. O vírus se dispersa fácil, mas morre fácil. Então, água e sabão é óbvio. Em superfícies, a água com água sanitária ajuda muito a limpar as superfícies, tudo, chão, pia, mesa, cadeira, ajuda a matar o vírus rapidamente. Por isso é importante ter várias rotinas de limpeza rotineiramente.

Por quanto tempo os assintomáticos podem transmitir o covid-19 para outras pessoas?

As pessoas assintomáticas podem transmitir, mas isso depende da viremia. Podem transmitir, mas têm uma viremia baixa, por isso  acabam não transmitindo com tanta violência, mas elas transmitem. O período de transmissibilidade é igual ao período da doença vivendo no corpo da pessoa. Assim que a pessoa é contaminada, passa cinco dias de incubação.

Se a pessoa não tem sintomas, principalmente espirros, tosse, há de se concordar que a transmissibilidade é menor. Poém,  a pessoa conversando gera um pouco de perdigoto, o suor dela, onde ela toca. A transmissibilidade diminui, mas  continua até ele morrer e o vírus tem um vida aproximada de 14 dias. Então, é o mesmo período, desde quando ela está infectada até o final da vida dentro do corpo são 14 dias.

Por que o vírus se manifesta de diferentes maneiras – em alguns leva à internação e óbito, outros têm sintomas leves e alguns não tem sintoma algum?

Porque para uns, o vírus reage de um jeito e, para outros, reage de outro. Isso é o grande segredo. Não se descobriu. Estão avaliando e pensando as respostas imunológicas. Esse vírus traz muitas respostas no corpo diferentes para pessoas diferentes. Tem gente que reage com resposta inflamatória muito grande, é como se desse um tiro de canhão para matar uma mosca, e isso é o problema, essa resposta inflamatória. Essas substâncias que o corpo produz de uma inflamação que geram as complicações, que entopem os alvéolos, que pode fazer uma coagulação dentro dos vasos.

Tem muitos estudos ainda sendo avaliados. Não dá para se concluir porque uma pessoa reage de um jeito e outra pessoa reage de outro. Não dá para contar com a sorte. Então, no momento, é evitar mesmo. Não pode se dar ao luxo de se infectar e não vai reagir com a forma grave, porque o vírus é o mesmo. Essa reação depende do seu corpo, da sua resposta imunológica. Não dá pra saber se a gestante responde melhor, se o transplantado pior, a criança melhor ainda, o idoso pior. Tem alguns sinais, mas é uma resposta individual.

Estima-se em 14 dias o período de isolamento para quem contrai o covid. Qual o indicativo de que a pessoa está realmente curada?

Quatorze dias é o tempo de vida do vírus dentro do corpo. Não tem indicativo sintomatológico. Você pode ficar como se tivesse uma gripe, três dias piores, com sintomas. As vezes cinco, as vezes 10 dias e os últimos três quase nada. A gente considera não necessariamente os sintomas, mas o ciclo de vida do vírus dentro do corpo, desde quando começam os primeiros sintomas. Esses sintomas podem ser uma dor de garganta, uma diarréia, uma dor de barriga, uma febre, uma tosse. A partir desses sintomas começa a contar os 14 dias.

Quais cuidados devemos ter com as máscaras, hoje obrigatórias?

Máscara é obrigatório. Primeiro, as pessoas têm que ter mais de uma máscara. No site do Ministério da Saúde orienta cinco mascaras por pessoas, essa de uso doméstico. Porque se elas umidificam  diminue a sua eficácia e aí a chance de passar mais perdigoto e matéria orgânica por ela, e por si só o vírus,  acaba sendo uma fonte de infecção, caso a pessoa esteja infectada. Então a cada três horas troca a máscara. Cuidado na hora de trocá-la, evitar tocar na frente. Depois que põe, evitar ficar coçado, ajeitando. Na hora de tirar, cobrir a área interna, colocar em um saquinho para chegar em casa e lavar. Lavar com água e sabão, esfregando por dois minutos e deixar pra secar.

Se a quarentena não for prorrogada, dia 31 teremos o retorno gradual das atividades econômicas. Quais cuidados devem ser tomados para reduzir o risco de contaminação?

Isso já está acontecendo porque existem estabelecimentos essenciais como supermercados e farmácias que têm medidas sanitárias importantes e precisam ser mantidas para todos os outros. Evitar aglomerações, evitar idas a serviços com horários de pico, manter distanciamento de dois metros para cada pessoa, usar as máscaras, manter a higienização das mãos, água e sabão, quando possível, ou álcool gel, quando tiver que sair e tiver contato com balcão, cartão de crédito, produtos. Evitar em locais cheios. Isso vai continuar até a gente encontrar uma vacina, pode ser seis meses, até um ano. Pode durar até a vacina estar disponível.Essas medidas não vão ser apenas no período de quarentena, vão ser até tivermos uma vacina disponível. Isso vai mudar um pouco nosso jeito de viver.

Falando um pouco de algumas declarações como a do presidente (Jair Bolsonaro), de que “70% da população vai pegar e que a gente vai ter de lidar com a situação”, isso é uma teoria. Não existe epidemiólogo no mundo que recomenda a “imunidade de rebanho”. O que é isso? Deixa todo mundo pegar e ficam imunes os que ficarem vivos. Acontece que essa fala não coloca na conta que a imunidade de rebanho tem perda, grave. Hoje, a gente tem uma taxa de letalidade em torno de 5,5 – 6% aqui no Brasil. Então, digamos que de 200 milhões de pessoas brasileiras acabam pegando, 5% vai morrer. A gente está falando que 10 milhões de pessoas vão morrer. Isso é aceitável? Isso não é aceitável. Então, imunidade de rebanho é inaceitável. Isso é um conceito equivocado e uma fala que não serve para este momento, porque a gente já tem a taxa de mortalidade dessa doença, que é de 5%.

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2 Comentários

  1. Olá aqui é a Ana, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.

  2. Olá aqui é a Betânia Da Silva, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.

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