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São Roque: da água para o vinho

São Roque: da água para o vinho
Vitivinicultura mantém-se como importante atividade econômica de São Roque, apesar de ter “encolhido” no final do século passado. Foto: Miguel Schincariol/Setur-SP

Um dos mitos mais enraizados no mundo do vinho é o de que quanto mais velho o rótulo, melhor. A premissa só é válida para os chamados vi­nhos de guarda, que precisam envelhecer para atingir a maturidade, mas pode ser aplicada à encantadora São Roque, cidade localizada a 70 km da Capital que se popularizou co­mo destino para passeios de “bate e volta” nos fins de semana e feriados graças à bebida.

Fundada em meados do sé­­culo XVII, São Roque não demorou muito tempo para se tornar a “Terra do Vinho”, ocupada que foi por imigrantes portugueses e italianos que encontraram naquela região condições ideais para a cultura da uva. Porém, durante muito tempo, a cidade ficou estigmatizada como fabricante de “vi­nhos de garrafão”, adocicados e de qualidade inferior – fama que, justiça seja feita, esten­dia-se à produção paulista.

Na década de 1970, São Roque chegou a ter 120 vinícolas, mas a produção local sucumbiu ao vinho fabricado no Rio Grande do Sul – em um processo semelhante ao que aco­meteu os polos moveleiros de Itatiba e São Bernardo. Dezenas de vinícolas fecharam suas portas, e a área de culti­vo diminuiu consideravelmente devido à especulação imobiliá­ria impulsionada pela cons­trução de condomínios.

Tudo mudou há cerca de duas décadas, quando as 15 vinícolas “sobreviventes” se uniram para criar uma rota enogastronômica que fez ressurgir a tradição são-roquense, agora em roupagem mais sofisticada. O Roteiro do Vinho, como é chamado, possui cerca de 40 estabelecimentos distri­buídos por três vias (rodovia Quintino de Lima e estradas do Vinho e dos Venâncios), dentre vinícolas, adegas, restaurantes, pousadas, centros de entretenimento e de compras.

A rota recebe, em média, 20 mil turistas por fim de sema­na, a maior parte da Capital e da Grande São Paulo – há muitas excursões. Além do vi­nho, o roteiro é famoso pe­­los restaurantes diversifica­dos, com a oferta de gastrono­mia brasileira, caipira, tropei­ra, portuguesa, italiana, contemporânea e vegetariana.

CABERNET

A indústria também se sofisticou. Os vinhos de mesa ainda dominam a produção são-roquense, com 75% dos 20 milhões de litros fabricados anualmente, mas um quarto do total é composto de vinhos finos, participação que tem aumentado. Boa parte da matéria-prima vem do Sul do país, mas já é possível encontrar nas fazendas locais o cultivo de espécies de uvas como a Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Não por acaso, o Roteiro do Vinho passou a integrar, em julho deste ano, a Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur), entidade representada em sete países (Portugal, Espanha, França, Itália, Argentina, Brasil e Uruguai) e que tem como um de seus objetivos a disseminação da cultura do vinho.

As festas também são boas oportunidades para co­nhecer o roteiro. O Sindicato da Indústria do Vinho da cidade (Sindusvinho) realiza anualmente nos meses de outubro e novembro a Expo São Roque, com foco no vi­nho e na gastronomia à base de alcachofra, iguaria muito cultivada na região. Em janeiro, período de colheita das videiras, as vinícolas rea­lizam a festa da Pisa da Uva.

 

Vila Don Patto e Vinícola Góes são paradas obrigatórias

A reportagem do Diário Regional percorreu os 12 quilôme­tros da Estrada do Vinho, que concentra a maior parte dos estabelecimentos do roteiro eno­gastronômico de São Roque.

Quem está ao volante pode contemplar a paisagem esver­deada da mata atlântica e o traçado sinuoso que fica ain­da mais charmoso quando la­deado pela ferrovia. Quem não está pode degustar rótulos locais oferecidos pelas viníco­las que compõem o roteiro.

Uma parada obrigatória da rota é o Vila Don Patto, complexo gastronômico que reúne restaurantes italiano e português, choperia e cervejaria, boulangerie (padaria), ca­feteria, sorveteria, pastifício, empório e adega. Para entreter toda a família, o espaço oferece playground e redários.

Chama a atenção a de­co­ração externa do restaurante português, com sombrinhas co­loridas que prestam home­nagem à rua Luís de Camões, situada em Águeda (Portugal).

Outra parada obrigatória é a Vinícola Góes, que ofere­ce os preços mais atraentes do ro­teiro. Seu parque enoturistico é um dos mais visi­tados não só por conta da beleza de suas ins­talações, mas também devido ao vasto portfólio de produtos.

Um dos destaques é o Tem­pos Philosophia, rótulo de qua­lidade diferenciada na região. Logo em sua primeira safra, de 2014, entrou para a lista dos melhores tintos daquele ano na 22ª Avaliação Nacional de Vinho. Também é possí­vel encontrar vinhos de mesa por preços a partir de R$ 15.

A vinícola oferece ainda visitas monitoradas que permi­tem ao turista conhecer o processo de produção do vinho.

 

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